

 


     

TEU FILHO, 
      0 MEU CORAO
                               His baby, her heart             
Sue Swift

                   Sabrina... a cegonha chegou! 84


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Um beb por testamento.

Alex Chandler no mediria esforos para realizar o sonho de sua falecida esposa: que Diana gerasse o embrio por ela deixado. Mas por que Tmara tivera de escolher, dentre todas as mulheres do mundo, sua excntrica e irritante meia-irm para ser a gestante da criana? Verdade que Diana era uma me dedicada... e em tambm feminina, sensual e... No, ele no podia estar sonhando em formar uma famlia com ela!
Diana nascera para ser me. Mas ser usada para gerar um beb era demais! At que comeou a ter um contato maior com Alex... e comeou a desejar mais do que apenas ter um filho dele!




PRLOGO

Eu, Tmara Cohen Chandler, em pleno domnio de minhas faculdades mentais...

Alex Chandler sentou-se, atordoado com aquele ritual logo aps a morte da esposa. A leitura do testamento na presena de outros membros da famlia fez com que ele mergulhasse em pensamentos. Do escritrio de advocacia, ele podia ouvir o trnsito barulhento, mas a hora do rush de Sacramento parecia estar a milhares de quilmetros de distncia.

 meu desejo que meu esposo, Alexander Chandler, e minha amada meia-irm, Diana Cohen Randolph, coloquem um ponto final na animosidade que reina entre eles.

A sua direita, Alex observava Diana tirando plos de cachorro da manga de sua jaqueta preta. Tentou mais uma vez conter seu desprezo por ela. Porque aquela mulher nunca estava apresentvel?
Em outras vezes, tentara esconder de Tmara a antipatia que tinha pela cunhada, mas havia falhado.

 meu desejo que Diana se torne me substituta, levando at o fim a gestao de um de meus embries fertilizados por Alexander Chandler..

 O qu?  O choque espantou a tristeza e a resignao do rosto de Alex.
Diana levantou-se abruptamente, como se tivesse levado um coice.
  Como se eu j no tivesse problemas de sobra!  exclamou.
Mesmo contra sua vontade, momentaneamente simpatizou com a idia de Diana, mas logo pensou nos gmeos de quatro anos e no marido desaparecido, fato que complicava ainda mais sua situao. Seus olhos verdes se arregalaram, desnorteados.
 Voc j sabia disso? 
Alex negou.
 Tmara mudou o testamento logo depois do diagnstico. Na poca, no fiquei sabendo o que exatamente foi alterado, mas tambm no me importei. Estava mais preocupado com a quimioterapia e com a esperana de que ela se recuperasse.
Alex franziu as sobrancelhas. Adorava a esposa, mas sabia que a doce e bem-intencionada Tmara tambm fora manipuladora e muito, muito esperta. O que ela havia planejado? Por qu?
 Bem, eu... eu no posso.  Diana colocou a mo sobre o ventre como se acariciasse uma beb imaginrio.  Sei que Tmara queria um filho. Mas... no posso dar  luz uma criana e depois simplesmente ir embora. Nem mesmo por Tami. Talvez voc possa encontrar outra pessoa, Alex.
Ele respirou profundamente, esforando-se para manter a calma em meio ao repentino caos. Faria qualquer coisa para transformar em realidade o sonho de sua esposa, no importando o quo desagradvel Diana Randolph pudesse ser.
Por que ela no tinha o mesmo senso de compromisso para com a memria de Tmara?
  Alm disso  continuou o advogado  transfiro a parte que me pertence de meus embries para Diana Randolph, com instrues especficas para que sejam implantados to somente nela e em mais ningum.
O rosto de Diana ficou plido, contrastando com seus cabelos avermelhados. Alex no podia culp-la. Sentia-se fraco tambm. O que Tmara havia feito? Ela enganara a ambos e, agora, ele e Diana eram donos dos preciosos embries.
 Para os custos mdicos, auxlio-maternidade durante a gravidez e sustento do beb, deixo a quantia de trezentos mil dlares, a ser administrada por Alexander Chandler.
Diana piscou vrias vezes, tentando de alguma forma reconectar-se com a realidade.
A Tmara  Decorao de Interiores, a empresa de sua irm, devia ter sido um negcio bem lucrativo. Mas o mundo de Diana girava em torno de seus filhos, no de dinheiro.
Abriu a boca para recusar definitivamente a oferta, quando o advogado leu:
Deixo tambm a quantia adicional de duzentos mil dlares a ser empregada por Diana em benefcio de Miriam e Jackson Randolph, meus amados sobrinhos.
Diana afundou na cadeira. Tmara sabia que ela cavaria trincheiras com os dentes pelos filhos, se necessrio. Aquele dinheiro seria mais que suficiente para pagar escola, roupas, conduo, e talvez ajudasse at a comprar uma casa, coisa que seu pequeno escritrio de paisagismo jamais poderia proporcionar.
Sua irm sempre adorara as crianas, portanto, no havia condies implcitas na herana. Porm, a conscincia de Diana no ficaria em paz se ela no levasse em considerao o pedido da irm. Como poderia retribuir tamanha generosidade sem cumprir seu ltimo desejo? Como recusar um dinheiro que tanto ajudaria na criao de seus dois amores?
Respirou calma e profundamente e, ento, olhou para Alex Chandler. Estava sentado a seu lado, imvel, cada fio louro de seus cabelos, no lugar certo.
Sim, ela poderia resistir. Diana no queria Alex, o andride financeiro, em sua vida. Observando-o, ela hesitou.
 Eu no vou ter que dormir com voc, vou?
Um sorriso passou bem rpido pelos lbios fechados dele.
 Eu acho que no. Os embries esto guardados no consultrio do ginecologista de Tami. Ele os descongela, implanta dois em voc e vamos cada qual para seu lado.  Alex gesticulava ao falar, exibindo as abotoaduras de nix nos punhos da camisa branca.
Diana enterrou o rosto nas mos e depois passou-as pelos cabelos, desnorteada.
 Eu ainda no acredito! E se um de ns disser no?
 Nesse caso, no haver um beb e o sonho da vida de Tmara no se realizar.
  Oh, no...  Diana gemeu, as lgrimas embaando seus olhos j inchados de tanto chorar. Remexeu na bolsa procurando lenos de papel.  Oh, Tami, por que eu?
Alex limpou um gro de poeira imaginrio da manga de seu impecvel palet, enquanto seu rosto atraente continuava impassvel, sem qualquer sombra de emoo.
 Voc  meia-irm de Tmara e uma excelente me, na opinio dela. Ela sempre comentava comigo o quanto admirava a sua facilidade em cuidar dos gmeos.
 Isso  verdade. Foi bem fcil se levarmos tudo em considerao.  Diana havia sido abandonada por um marido trapaceiro.
Ela estremeceu ao recordar.
 Mas mais um filho? Os meus j me absorvem vinte e quatro horas por dia!
  No seria seu filho, Diana, e sim meu. O desejo de Tmara  que voc geste o beb e o entregue a mim quando nascer, para que eu o crie e eduque.  Os olhos azuis vvidos de Alex brilhavam com intensidade.
 Eu no sou uma... uma gua reprodutora. Nem ao menos sei se posso ter uma criana e depois desistir dela!  falou sem conseguir disfarar a voz trmula.
  Mas voc vai ter que fazer isso  Alex determinou. Foi esse o ltimo desejo de sua irm. Como dizer no?





CAPITULO I



Seis meses depois

Naquele dia de maro, ensolarado mas frio, Alex esperava impacientemente por Diana Randolph no escritrio de seu advogado.
Ela estava atrasada, como sempre. Se Tmara no a tivesse escolhido como me-substituta, ele teria encontrado algum mais pontual.
Bebendo caf velho de escritrio, tentava controlar a irritao. Se ela tivesse chegado na hora marcada, a reunio j teria acabado ainda dentro da sua hora de almoo.
O que ele mais queria agora era voltar ao escritrio, enterrar-se em seu trabalho at a medula e esquecer o quanto sentia a falta de Tami.
Seu advogado, Gary Newman, passou-lhe uma pasta, deslizando-a calmamente pela mesa.
 Acalme-se, homem. D mais uma lida no contrato enquanto esperamos a srta. Randolph.
Abrindo a pasta, ele leu superficialmente pgina por pgina. Ele quisera um contrato que fizesse Diana entender perfeitamente seu lugar no esquema das coisas. Ela, com a mania de interferir em tudo, tinha idias ultrapassadas sobre como se criar filhos. E os filhos dela...
Amava seus sobrinhos, mas eles pareciam estar sempre melados, sujos, perdidos ou metidos em alguma confuso. No eram os melhores exemplos de uma boa educao familiar.
Continuou a leitura e encontrou ali tudo o que requisitara a Gary: as clusulas que declaravam o que ela deveria fazer durante a gravidez e o que ela no poderia fazer depois do parto, ou seja: contato no supervisionado com o filho dele ou controle sobre a criana.. Gary havia passado um longo tempo tentando esboar o que era agora um contrato complexo.
 E se ela no assinar?  Alex indagou.
  Os embries pertencem a vocs dois, percebe? Se ela no assinar, voc no coopera, e se voc no cooperar, nada de beb, e o sonho de Tmara acaba antes de comear.
 Isso  muito triste...  Franziu a testa.
  a vida, Alex. Deixe-me dizer uma coisa... Naquele instante um estouro metlico interrompeu Gary.
 Esto fazendo alguma reforma aqui no escritrio?
 Esto, mas s  noite.
Mais uma exploso e o rudo de um motor superacelerado fez vibrar as janelas da sala. Alex levantou-se e olhou com cuidado pela janela em direo  rua.
Passando pelos arbustos da entrada do estacionamento, podia ver uma caminhonete amarela meio amassada, pintada com motivos florais nas cores do arco-ris. Nas laterais podia-se ler "Diana Jardins" em letras roxas.
O escapamento da caminhonete explodiu mais uma vez antes de o carro parar em uma vaga bem embaixo do escritrio, soltando uma fumaa escura antes de morrer.
Alex se perguntou se as condies daquela caminhonete estavam em acordo com as impiedosas leis antipoluentes do Estado. Conhecendo Diana, provavelmente no.
Voltando-se para a mesa de Gary, levantou as sobrancelhas.
 Adivinhe quem chegou?
O advogado juntou-se a Alex na janela e comentou:
 Ela precisa mandar essa caminhonete para o ferro-velho.
 E  melhor que ela faa isso logo. Eu no quero a me do meu filho andando por a nesse lixo.  muito perigoso.
A porta da caminhonete rangeu quando Diana a abriu. No mnimo, as dobradias deviam estar precisando de leo. Ele cuidaria disso antes de ela ir embora, Alex comprometeu-se consigo mesmo.
Observou Diana descendo da cabine, calando pesadas botas de jardinagem e com o jeans sujo de terra at os joelhos, esgarados. Inacreditvel, pensou.


Diana caminhava at o edifcio e os passos pesados de suas botas de trabalho ecoavam pelos corredores do prdio, encobrindo a ansiedade em que mergulhava seu corao.
Ela iria ter aquele beb por amor  irm, mas evitaria qualquer tipo de envolvimento com o cunhado. Infelizmente, os dois objetivos eram incompatveis, colocando-a numa situao complicada, que duraria no mnimo nove meses. Mais do que isso, na realidade, porque aps o nascimento do beb ela no iria fugir das responsabilidade de me. E nem tentaria. Na verdade, pretendia tornar-se tia e, em sua mente, isso significava um vnculo de amor que iria unir a todos... incluindo Alex.
Suspirou e, pela centsima vez, perguntou-se por que sua talentosa e esperta irm tinha se casado com Alex.
Claro, ele era bonito, para quem apreciava o tipo nrdico, frio. Tmara, que era mais bonita do que qualquer miss Amrica que j existira, poderia ter escolhido o homem que quisesse. Por que justamente ele, o glido Chandler?
Ultimamente, ele se tornara distante, atendendo as chamadas telefnicas de um jeito seco e breve. Isso quando atendia. Tudo bem, sofrera muito com a morte de Tmara e agora escondia-se dentro de uma concha protetora, de onde no sairia facilmente. Imersa em pensamentos, Diana no notou o elevador vazio esperando por ela. Ao entrar, perguntava-se que tipo de pai seria Alex.
Chegando ao andar, parou em frente ao hall acarpetado, sentido-se desencorajada.
Ela no queria seu beb, sobrinho ou sobrinha, crescendo e transformando-se numa rplica de Alex. Era melhor certificar-se de que ele receberia todo o amor a que uma criana tinha direito.
Esticou os ombros, apoiou-se em sua resoluo e entrou no escritrio do dr. Newman. Forou um sorriso, para disfarar no rosto a determinao de seu corao.
Quando Diana entrou, Alex, que ficara irritado com o atraso, j no conseguia comportar-se cordialmente, por mais que se esforasse.
O coque vermelho, ajeitado desastrosamente no alto da cabea de Diana, comeava a despencar. Mechas de cabelo caam sobre seu belo rosto de uma maneira que muitos homens achariam sensual, sexy. No ele. Ela no era seu tipo, nunca seria. Jamais.
 Alex, dr. Newman  cumprimentou ambos com uma voz de quem havia corrido para chegar ali.
 Gary, por favor.  O advogado estufou o peito franzino. Diana deu-lhe um sorriso deslumbrante ao corrigir-se:
 Gary.
Era a sua imaginao ou ela estava se insinuando? pensou Alex. A me de seu filho no iria se envolver com nenhum outro homem, esperava que ela levasse uma vida tranquila e segura durante a gravidez.
 Boa tarde, Diana.  Pigarreou.
  Ol!  Ela deixou-se cair numa confortvel cadeira, logo pegando o contrato em cima da mesa de reunio.  Ento,  este o documento em que voc trabalhou exaustivamente nestes ltimos meses?
Gary riu e Diana piscou para ele. Alex no apreciou aquele olhar oferecido.
  Espero que no o ache exaustivo.  Gary sentou-se em sua cadeira.
  Ento,  um acordo amigvel?  Ela abriu um belo sorriso.
 Achamos que  mais do que razovel.  Alex sentou-se na cadeira ao lado de Diana e arrependeu-se na hora. Ela no cheirava como uma pessoa que tinha trabalhado duro por toda a manh. Cheirava como uma mulher. Uma mulher muito sensual, com um aroma fresco e floral.
Mudou-se de lugar para escapar daquela aura perfumada. No queria desfrutar de seu aroma, sua aura ou de qualquer coisa dela. Ela era a irm de sua esposa, meia-irm... Mesmo assim... Diana, atraente? No, nunca.
Ela examinou rapidamente o contrato, e no parecia estar lendo com ateno. Mas perguntou, sria:
 Este  o contrato-padro para este tipo de situao?
 No existe contrato-padro para isso, na verdade. Mes-substitutas ou de aluguel no so de fato to comum assim. No existem contratos-padres, acredite-me, eu procurei.  Gary apontou a pasta com a caneta.  Dei o meu sangue para redigi-lo.
 Fim de todos os direitos maternais.  Ela leu em voz alta.  O que  isso?
 Na essncia, significa que Alex criar a criana e ser financeiramente responsvel por ela.  explicou Gary.
Alex ficou tenso. Aquela clusula significava muito mais do que isso... Se ela assinasse estaria desistindo do beb definitivamente!
 No precisa explicar, isso  um dever. Eu adoraria ter mais filhos, mas no posso arcar com as despesas.
Alex interrompeu-a, com calma.
  Se tivermos sucesso no implante e na gravidez, talvez voc possa. Tami deixou um valor substancial para os gmeos.
 Alex... isso no tem nada a ver com dinheiro. O beb era o sonho de minha irm e seu ltimo desejo,
  Sim, era.  Alex falou com voz bem suave para no irrit-la e atrapalhar tudo.
 E o que significa "nenhum contato no supervisionado com a criana"?  Diana olhava-o fixamente, os olhos verdes faiscando.  Isto  alguma brincadeira? Ns estamos falando de uma criana que eu vou gestar e que, no mnimo, ser meu sobrinho, ou sobrinha!
Alex trocou um olhar com Gary, depois falou com a maior calma de que foi capaz:
  Quantas tias passam tempo com seus sobrinhos sem ser supervisionadas?
 Muitas, meu caro. Tmara levava meus filhos ao zoolgico e ao parque, lembra-se? E eu no estava l para supervision-la!
Ele suspirou. Ela estava certa. Tmara adorava Jack e Miri. Os gmeos eram a razo inicial de seu desejo de ser me, de ter seus prprios filhos.
 Alm disso, voc vai querer que eu o ajude com o beb. Alex tentou parecer superior.
 No creio.
Ela perdeu o brilho feroz em seus olhos.
 Ah! E voc acha que voc sabe tudo, no , Alex?  fez a pergunta com ironia e comeou a rir.
 Claro que posso criar meu filho sem a sua ajuda. Voc cria dois, no cria? Por que no posso criar um?
Diana gargalhava, as lgrimas descendo de seus olhos. Procurou um leno na bolsa e continuou com ironia:
 Claro, nenhum problema. Voc no vai ter nenhum problema. Tenho certeza de que pode criar uma criana sozinho. Afinal de contas, voc se saiu to bem com os gmeos no passeio ao zoolgico, no  mesmo?  Enxugou as lgrimas de riso que escorriam pelo canto dos olhos, tentando visivelmente controlar a satisfao.
Alex enrubesceu, o que deixou Gary interessado.
 O que aconteceu com os gmeos?
	Uma vez, quando Alex e minha irm levaram as crianas para um passeio, Tami levou Miri ao Parque das Fadas e Alex ficou responsvel por Jack. Quando ele se distraiu um pouco... 
	Ele saiu do banheiro masculino e sumiu. Eu estava... indisposto. Foi to rpido, uma questo de segundos! Poderia ter acontecido com qualquer um...
Diana sorria.
 Jack encontrou o caminho para o zoolgico do parque e tentou entrar na cova dos chipanzs. Os funcionrios disseram que Jack deu um show. Aparentemente, ele distraiu uma poro de gente, dando aula de macaquices aos animais.
Alex corou.
 Meu filho no ser assim.  Especialmente se eu mantiver voc longe, pensou.
  Claro que no  concordou ela em tom jocoso.  O seu beb ser o estandarte de todas as virtudes, sabiamente guiado por voc.
Quando Gary riu, Alex encarou-o, pois seu advogado deveria estar do seu lado.
 E o que voc me diz da amamentao?
 Amamentao?
Alex no havia pensado nisso. Amamentao.
Olhou para os seios de Diana. E teve uma viso do beb mamando em seus seios, escondidos sob a velha camiseta amarela onde se lia "Diana Jardins".
Nunca havia prestado muita ateno nos seios dela, mas notava agora que eram firmes, redondos, vistosos e... tocveis. Caberiam perfeitamente em suas mos.
Ele no queria pensar nisso, nessa fantasia. Afastou a imagem de sua mente e, sentindo calor, tentou afrouxar um pouco o colarinho.
  E eu no vou amamentar o beb na frente de uma platia  avisou ela, cruzando os braos sobre os seios como se tentasse escond-los.  Me deixa nervosa. E se fico nervosa, interfere no fluxo do leite. Voc quer que a criana seja amamentada no peito, no quer? Isso  muito importante, Alex!
 Ela tem razo, Alex. A amamentao  muito importante,  o que fornece os anticorpos ao beb...  disse Gary desajeitadamente, olhando para Diana com ar interessado.
Alex respirou profundamente e falou pausadamente, tentando acalmar-se:
 Est bem, vocs esto certos. Risque esta clusula.
 Muito obrigada.
Com um ar de triunfo, Diana tomou a caneta das mos do advogado  riscou a clusula. Tentando no ser contagiada pela presena nervosa de Alex, abaixou a cabea e concentrou-se em ler o contrato.
Desde o dia em que se conheceram, ele mexia com seus nervos, sempre com atitudes desaprovadoras e comentrios dispensveis. Decidira no permitir que ele a afetasse.
Mas isso seria difcil. Alex era um homem bonito, embora frio. E a perda de Tmara havia quebrado a casca protetora, revelando uma vulnerabilidade desconhecida. Seus olhos azuis pareciam revelar um amadurecimento...
Pare com isso, Diana! Ele no serve para voc!
Alex aguardava ansioso que Diana acabasse a leitura. Ela descansava o queixo na palma da mo e a luz revelava as curvas elegantes de seu rosto.   
To parecido com o de Tami... Ele engoliu em seco. Tmara fora uma deusa no frgil corpo de mulher, uma loura mida e graciosa com traos delicados e cabelos que lembravam os raios da lua.
Alta e voluptuosa, Diana sempre lhe parecera uma verso maior e mais rude de sua delicada esposa.
E, agora, ele se descobria vendo Diana sob outro prisma. As mas e o formato de seu rosto, o brilho irradiado pelos olhos verdes... Na verdade...
  Isto aqui est muito interessante, Alex.  Diana levantou os olhos do contrato, parecendo confusa. Voc quer me acompanhar durante o parto?
 Claro que sim. E quem mais iria?
 Minha me ficou comigo quando os gmeos nasceram.
 E por onde andava Steve?  Alex perguntou automaticamente, antes de se lembrar que o ex-marido a abandonara quando o ultra-som revelara uma gravidez de gmeos. Preferia ter engolido a lngua a ter mencionado aquele triste perodo da vida dela.  Me perdoe, Diana... sinceramente...
  Est tudo bem. Eu estou bem, j superei.  Deu-lhe um sorriso despreocupado.   que fiquei surpresa, s isso.
 No fique. Este beb significa muito para mim, Diana. Eu vou ficar a seu lado a cada momento. No precisar se preocupar com nada.
 Um homem companheiro e leal. Que coisa mais novelesca!  Pegando a caneta na mesa, Diana assinou no p da ltima pgina.  Certo. Acabamos e agora vamos tomar um lanchinho e descansar um pouco antes do prximo cliente. E viva o cliente!
 Teramos terminado mais cedo se voc tivesse chegado na hora. E voc teria lido todo o contrato com mais calma.
 Eu li o suficiente.
Ela levantou-se, caminhou na direo da porta e desapareceu atrs dela.
Alex olhou para Gary, que estava boquiaberto. O advogado fechou a pasta de couro sobre a mesa, ruidosamente.
 O que aconteceu com ela?
 No fao a menor idia, mas vou descobrir.


Alex deixou o escritrio para seguir Diana, que j estava a poucos metros da caminhonete. Ele no pode deixar de notar o jeans surrado agarrado s formas firmes de suas coxas.
Pare com isso, Alex!!
Desviou o olhar daquela viso tentadora antes de alcan-la no estacionamento.
 O que est acontecendo? Eu achava que voc ia analisar aquele contrato com uma lente de aumento.
  E foi isso que eu fiz  disse ela, abrindo a porta da caminhonete.
 Espere um pouco, fique aqui.
Alex correu para o porta-malas de seu carro e pegou a caixa de ferramentas. Encontrou o frasco que procurava e voltou para perto do carro de Diana, j sentada dentro da cabine.
 Vire o rosto l e feche os olhos  instruiu ele, antes de aplicar o lubrificante nas dobradias da porta.
Fazia questo de que a me de seu filho estivesse em perfeito estado de sade antes do implante e, usando a mo livre, fez um escudo improvisado para proteger-lhe o rosto e o nariz. Tocou acidentalmente a pele macia do rosto dela e, sentindo-se meio sem jeito, recuou.
 Desculpe-me  murmurou, tremendo.
Embora Diana trabalhasse na terra e sob o sol, nada disso havia maltratado sua pele. Ao contrrio, era macia como seda e suave como uma ptala.
Novamente sentiu aquele aroma. E tentou ignorar. Olhou para ela e notou que seus lbios estavam plidos, cerrados.
 Espirrei nos seus olhos? Desculpe, eu tentava proteg-los.  Ele tampou o frasco.
  Est tudo bem, no se preocupe.  Mas seus olhos ainda pareciam lacrimejantes.
 Me diga, ento, por que voc assinou o contrato? Diana encolheu-se no assento da caminhonete, embaraada.
 Bem, porque... eu confio em voc.
Ele ficou olhando um longo tempo para o rosto dela antes de sorrir.
Diana Randolph tinha lhe feito um elogio! Era uma ocasio histrica. At agora nunca dissera algo agradvel sobre ele. Sabia que ela o chamava de "andride financeiro". Alex, o clone corporativo.
 Voc est mesmo se sentindo bem? Ela deu uma gargalhada.
 Na verdade, no. Estou faminta. Preciso comer antes de atender o prximo cliente. Voc, na certa, precisa voltar ao trabalho.
 Bem, claro. Eu... preciso.
A lngua de Alex parecia travada. No podia acreditar que o contato com Diana pudesse causar-lhe a perda de voz ou da sanidade.
Depois que ela se foi, ficou parado olhando a porta traseira da caminhonete quebrada e semi-aberta, afastando-se. Ficou ali imvel, muito tempo depois que ela j havia sumido de vista.
No entendia. No entendia nem a ironia nem a surpresa com a atitude dele. Homem companheiro e leal... que coisa mais novelesca!, ela dissera.
O comentrio azedo no fazia sentido. Tami lhe contara sobre a infncia feliz que tiveram. Sua sogra no se separara de nenhum dos dois maridos, eles haviam falecido. Diana no vinha de um lar desfeito. Se ela realmente havia superado a separao de Steve, por que o cinismo?
Mas agora Diana revelara uma personalidade que ele desconhecia. Que estranha nova relao eles iriam forjar?
Sacudiu a cabea para afugentar os pensamentos desencontrados. S a criana importava, mas sabia que as emoes de Diana afetariam seu desenvolvimento durante a gravidez.
Sua tarefa estava definida: protegeria Diana e a manteria feliz apesar de seus sentimentos confusos em relao a ela.
E ela no iria domin-lo de jeito nenhum. Inspirou profundamente, lembrando-se da mecha ruiva balanando sobre as mas do rosto dela, os seios voluptuosos fazendo presso contra a camiseta justa. E o que dizer das pernas e dos quadris que recheavam aquele jeans to apertado?
No conseguiu conter um gemido. Estava tendo pensamentos lascivos com a irm de sua falecida esposa! O que estava acontecendo com ele?


Segurando firme na direo, Diana saiu do estacionamento e entrou na avenida principal.
Ele a atingira! De alguma maneira o andride Alex tinha lhe picado e a fizera chorar. Como um inseto.
Lembrou-se da reao de Steve quando soubera que estava grvida. Ficara alarmado e depois parecera aceitar.
Mas tornara-se impaciente com as mudanas que a gravidez provocava em suas vidas. Ela dormia mais e se relacionava menos com todos. Parara de fazer caf preto de manh e tinha cortado o vinho e a cerveja. E pedira que ele fosse fumar fora da casa.
Steve rebelara-se contra a idia de assistir ao parto alegando que no iria suportar a viso de sangue. Ou seja, no iria estar ao seu lado.
Quando vira dois coraes batendo no monitor do ultrassom, emudecera. Diana se alegrara tanto que julgara que a reao dele fosse atordoamento, pela alegria e surpresa.
Menos de um ms depois, seu marido, o homem com o qual assumira um compromisso para toda a vida, fora embora, depois de tra-la com cada mulher disponvel na vizinhana. Gelogo formado, Steve largara seu enfadonho cargo pblico para assumir um cargo executivo nos campos petrolferos da Arbia Saudita.
Livrara-se da famlia do mesmo jeito que as cobras deixavam a pele velha para trs. No contestara o divrcio quando fora notificado. Ocasionalmente, enviava-lhe o cheque da penso, e telefonava para os gmeos cada vez com menos frequncia.
Steve Randolph no conhecera seus filhos.
Diana parou no semforo e descansou a cabea no volante. Ondas de raiva irradiaram-se por seu corpo, fazendo-a tremer. Ela tentava mas no conseguia conter sua fria cada vez que pensava em Steve.
Isso no me ajuda em nada, repetiu para si mesma.
No conseguiria crescer ou ter paz em sua vida enquanto no superasse Steve e suas traies. Teria de tir-lo da mente, pois ele era o passado que no importava mais.
No sinal verde, acelerou e atravessou o cruzamento.
E agora Alex Chandler queria acompanh-la no parto. Ela tivera de assinar o contrato. Ficara muito emocionada com a promessa de estar a seu lado quando o beb nascesse!
Mas agora se sentia arrependida. Ser que fora impetuosa demais?
Devia sentir-se grata por ele se importar com seu bem-estar, mas no confiava no cunhado, era simplesmente mais um com o hbito da independncia masculina enraizado profundamente.
Mas... se iria estar a seu lado, significava que estaria presente no parto. E no queria essa intimidade com Alex Chandler. No estava gostando, sentia-se... invadida, violentada. Embora tivesse concordado em gestar o filho dele e de Tmara, a criana seria dele, no sua.
Diana no queria nenhum envolvimento emocional, de maneira alguma. Alex era o marido de sua irm, e qualquer intimidade entre eles pareceria absurda.
Lembrou-se do toque da mo dele em seu rosto, a primeira vez que um homem a tocara em anos. Sentira um calor subindo por seu corpo, um formigamento...
Mas fora um toque acidental, a preocupao de Alex com ela baseava-se apenas no fato de ser a gestante de seu filho. Eles nunca haviam gostado um do outro e provavelmente nunca gostariam.




CAPTULO II


De um jeito que Alex no entendia muito bem, dirigir o Jaguar prateado de Tmara fazia com que ele se sentisse mais prximo dela. A saudade, no entanto, no era suficiente para mascarar o nervosismo perante a idia de rever Diana.
Enquanto tentava escapar do trfego pesado da hora do rush, lia o contrato. Diana se esquecera de levar sua cpia quando sara apressadamente do escritrio e, embora a secretria pudesse envi-la pelo correio, era uma bom pretexto para fazer uma visita aos gmeos.
Alex precisava rev-la. Queria manter um certo controle sobre a mulher que carregaria sua criana no ventre durante nove meses.
Mas por que Tami escolhera sua irm, por que Diana? No seria mais fcil contratar uma desconhecida?, ponderava ele. Talvez. Mas Diana era uma pessoa to honesta que no quebraria a sua palavra. Quando chegasse a hora, entregaria o beb e, ento, ele poderia realizar o sonho de Tmara.
Dedicaria sua vida a criar o filho.
Fez uma curva  direita e entrou na tranquila avenida que o levaria  casa de Diana em Shadownook. Chegando ao fim da rua arborizada, j podia ver a casa que os Randolph haviam comprado ao saber que a filha estava grvida de gmeos.
Recuada da rua, ao fundo de um extenso gramado, a velha casa de dois andares parecia ter sido construda para ser ocupada por crianas.
Na garagem aberta estava a caminhonete e as ferramentas de jardinagem organizadas na parede.
Logo ao estacionar, Alex notou a casinha dos gmeos construda sobre os galhos de um dos imensos carvalhos que cercavam o terreno.
O gramado era rodeado por cercas-vivas floridas muito bem cuidadas, que revelavam a exuberncia da primavera e as mos mgicas da paisagista.
De joelhos, Diana trabalhava ao lado das cercas, cavando pequenos buracos com energia.
Jack e Miriam brincavam com o labrador dourado no gramado, os cabelos despenteados, a cala jeans rasgadas e suja de terra na altura dos joelhos. Ao verem o tio saindo do carro, correram em sua direo, fazendo uma algazarra ensurdecedora.
 Tio Alex, tio Alex!!  gritavam os dois, abraando suas pernas sem se importarem com o impecvel terno claro, agora marcado pelas mozinhas sujas de terra.
Alex no se irritou, pois sabia que o terno podia ser lavado. Mas magoar ou reprimir uma criana era algo que, s vezes, no tinha conserto.
Pegou a garotinha no colo e ganhou um beijo melado com algum doce. Miriam abraou-o pelo pescoo e deitou a cabecinha no ombro forte do tio.
 Me! O tio Alex est aqui!  Jack corria gritando para Diana, ainda trabalhando nas cercas.
Alex caminhou na direo dela com Miriam ainda em seu colo.
 Ol, Diana.
Ela levantou a cabea. Com os joelhos quase enterrados na terra revirada onde plantava sementes de morango, era o retrato perfeito da jardineira eficiente. Usando um velho chapu de palha, avental e luvas grossas, Diana estava vestida para matar... ervas daninhas!
Afastou uma mecha de cabelo ruivo do rosto, deixando uma marca de terra na face.
 Ol, Alex.
  Me, o tio Alex pode ficar para o jantar? Voc disse que a gente tinha que amar ele mais ainda, agora que a tia Tami foi para o cu...
Sorrindo, Diana encontrou os olhos azuis de Alex encarando-a.
 Claro que sim, filhinha. O tio Alex pode jantar com a gente. Se ele quiser.
  Sim, gostaria de ficar, se no for inconveniente. H algumas coisas que preciso conversar com voc mais tarde  disse, embaraado mas satisfeito com o convite.
 Oba! Tio Alex, tio Alex!  cantarolava Jack enquanto tentava subir no colo do tio, junto com Miriam.
 Jack, no se pendure no cinto de seu tio. Ele vai pegar voc no colo logo.
Miriam deu um sorrisinho maroto para o irmo.
 Miri, pare com isso! Os dois, agora, vo brincar com o cachorro. Goldiiie!  E assobiou to alto que os ouvidos de Alex doeram.
A cadela surgiu correndo, com duas bolas de tnis presas nos dentes, esbarrando nas pernas de Alex e deixando sua cala cheia de plos dourados. Sacudia a cauda querendo brincar com ele. Colocando a sobrinha no cho, falou com um entusiasmo quase infantil:
 Isso, Miri. Pegue a bola da Goldie e jogue para ela ir buscar.  Ele no queria baba de cachorro em suas mos. J bastavam os plos na cala.
Os gmeos saram correndo com o co pelo gramado.
 Voc podia dar uma olhada nos dois?  Diana perguntou.  Depois que acabar de plantar as sementes, preciso tomar um bom banho e preparar o jantar.
 Ah, claro.
  Se voc quiser ficar fora da linha de tiro, sente-se l na varanda  sugeriu, apontando para uma varanda coberta e cercada com tela, na frente da casa curtida pelo tempo.
Enquanto as crianas brincavam ruidosamente com o labrador, Alex pegou sua maleta e a cpia do contrato no Jaguar, em seguida aconchegou-se no sof de vime na varanda.
Dividindo a ateno entre os sobrinhos e a cunhada, pegou o jornal na maleta e comeou a folhe-lo.
Diana logo acabou o plantio e entrou em casa. Reapareceu depois com duas latas de cerveja na mo. Sentou-se ao lado dele no sof e ofereceu-lhe uma.
  Quando voc acha que poder ir ao mdico para iniciarmos o processo do implante?
Alex entregou-lhe a cpia do contrato. Ela colocou-a sobre o sof, entre os dois. Um ato simblico de seus dois lados distintos, foi a primeira idia que surgiu na mente de Alex.
 Quando voc quer que o beb nasa, Alex?
Ele podia sentir o perfume floral de Diana. Bebeu um gole de cerveja para disfarar seu desconforto.
 Nunca pensei nisso. Faz alguma diferena?
 Pode ser apenas uma crena feminina, mas muitas mulheres acreditam que as crianas nascidas na primavera ou no vero tm melhores chances durante a vida.  Ela abriu sua lata de cerveja. 
 De que maneira?
 Peso maior ao nascer, baixa taxa de mortalidade neo-natal nessas estaes, esse tipo de coisa  explicou, bebendo o primeiro gole.
Alex pensou por um momento.
 Ns ento teramos de esperar at agosto, para que o beb nascesse em maio. Ainda faltam cinco meses at l. No concordo, acho que deveramos comear o mais rpido possvel, pois o primeiro implante pode no funcionar.
  Quer dizer que vou ter de fazer o implante mais de uma vez?  perguntou Diana atnita, colocando a cerveja no cho ao lado dos ps.
 Eu acho que sim. Lembra-se do que acontecia com Tmara? Os embries no conseguiam se fixar no tero... Talvez com voc consigamos na primeira vez.
Diana comprimiu os lbios.
 Sinto muito que vocs tenham passado por tudo aquilo. Podemos comear quando voc quiser. S preciso de um tempo para remanejar minha agenda, os clientes, sabe? S me d tempo suficiente para isso e conseguir uma bab para as crianas.
 E Irina, no pode ficar com as crianas? Eu me ofereceria, mas quero estar perto de voc.
  Humm. Se quer que mame fique com os dois, acho melhor voc mesmo falar com ela. Claro que ela seria a primeira a quem eu pediria, mas est com a agenda lotada, com o servio de buf e a produo do programa de tev para cumprir. E... bem, o diretor de gravao no permite mais que as crianas fiquem no estdio.
A me de Diana era uma cozinheira famosa na regio de Sacramento, tanto pela qualidade do servio de seu buf quanto pelo programa dirio na emissora de tev a cabo.
 Por que no?  perguntou Alex curioso.
 Voc no soube? Ah!  que aconteceu quando voc levou Tmara  clnica para...
  ...as aplicaes de quimioterapia  Alex completou com amargura. Aquelas sesses tinham deixado Tami muito indisposta, e sem cabelos. Procurou afastar a lembrana.
 Sim. Mame levou os dois  gravao naquele dia, certa de que todos iriam adorar seus adorveis netos.
 E eles so adorveis mesmo.  Adorveis e bagunceiros, pensou Alex enquanto observava Jack atiando o co com a bola e Goldie latindo e balanando a cauda, ambos correndo pelo gramado.
 Bem  continuou Diana , para encurtar a histria, os dois comearam a correr e Miri derrubou um bolo e uma salada que estavam prontos para ser apresentados depois que minha me passou as receitas aos telespectadores.
 Mas que danadinhos!  Alex riu.
 E voc sabe como Jack adora subir em tudo! Sem que ningum notasse, ele subiu numa das gruas e da para as torres de iluminao, no teto do estdio!  Ela levantou-se e espreguiou-se. O movimento levantou seus seios contra a camiseta apertada.  Bom, vou tomar meu banho e preparar o jantar. At mais.
A porta bateu atrs dela quando entrou. Alex abriu o jornal, mas as discusses sobre fundos mtuos de investimento e taxas de juros no prendiam sua ateno.
Mesmo sem querer, seus pensamentos fluam para Diana. Imaginou-a subindo a escada, entrando no quarto e tirando aos poucos a roupa suja de terra, revelando os seios perfeitos.
Quando levantasse os braos para soltar os cabelos seus seios se pronunciariam ainda mais.
Concentrou-se de novo em um artigo sobre a mudana nas taxas de dividendos nos Fundos Federais. Aquele tipo de pensamento era falta de respeito para com Tmara. Alm disso, ele no achava sua cunhada atraente.
Ser que no?
Diana ligaria o chuveiro e entraria debaixo dele, nua, sentindo o prazer da gua quente percorrendo seu corpo. Quando passasse o xampu, a espuma escorreria pelos cabelos, descendo pelos ombros e parando sobre o bico dos seios... Sem inibio, ela jogaria a cabea para trs quando passasse o condicionador...
Mas que idia eram aquelas, por todos os santos?! Alex estava chocado com suas fantasias proibidas sobre Diana. Desde que Tmara morrera ele nunca se sentira atrado por ningum, na verdade no tivera impulsos erticos desde que Tami comeara a quimioterapia.
Ela fora piorando cada vez mais, e Alex se dedicara de corpo e alma  esposa, fazendo o que estava a seu alcance para ajud-la. Quando ficou claro que ela no se recuperaria, passou a se empenhar em tornar sua partida deste mundo a menos dolorosa possvel.
Agora ele se descobria tendo reaes inesperadas e desconhecidas. Fazia muito tempo desde a ltima vez que ele e Tmara fizeram amor e, dentre todas as mulheres do mundo, haveria de ser justamente Diana Randolph quem lhe despertara a libido adormecida. Logo ela!
Alex repetiu para si mesmo que a cunhada no o atraa, que era apenas a carncia de seu corpo que estava se manifestando. Por acaso, era ela quem estava por perto quando suas necessidades masculinas comearam a se tornar mais urgentes. Queria desesperadamente fazer amor, mas com Tmara, sua querida esposa. Mas isto era impossvel.
Sentiu um n apertar seu estmago ao dar-se conta de que nunca mais poderia toc-la, acarici-la e am-la com paixo. Nunca mais.
Alex pestanejou ao tentar conter as lgrimas. Como sentia falta dela! Enxugou os olhos e relembrou uma das ltimas conversas que tiveram. Ela segurara seu rosto entre as mos e, olhando-o no fundo dos olhos, dissera num tom de voz muito srio:
 Alex, escute-me... Depois que eu me for, quero que voc recomece sua vida...
Ele desconversara, afirmando que logo ela estaria curada e que eles seriam felizes outra vez.
Mas Tami descartara essa possibilidade.
 No. Por favor, no pense que eu no sei; estou morrendo, querido. Prometa-me uma coisa.
 Qualquer coisa.
 Prometa que voc vai seguir em frente. A vida continua, amor. Prometa que vai encontrar algum que voc amar.
Alex fechou os olhos e recostou-se no sof com um suspiro desesperado.
 Eu estou tentando, Tami! Mas  difcil demais e...  Sentiu um focinho mido em sua mo e, com o susto, voltou  realidade. Era a cadela, convidando-o a jogar a bola.
Olhou ao redor por todo o jardim procurando os gmeos, mas no ouvia nenhum barulho. Onde estariam os dois? Levantou-se apressado, correu para o meio do gramado e olhou em vrias direes. No havia sinal deles.
Praguejou baixinho, amaldioando a si mesmo pela falta de ateno. Apreensivo, correu at o jardim atrs da garagem. Escutou o barulho de gua corrente da fonte que Diana mandara instalar no vero anterior. Caminhou at l para certificar-se de que no tinham mergulhado na fonte. No queria nem pensar na possibilidade...
Ajoelhou-se, olhando para a gua que caa sobre as pedras, no laguinho que ela criara. Goldie apareceu nesse instante e largou no cho aos ps dele a bola com que brincava.
Alex pegou a bola e jogou-a longe, o que fez com que a cadela sasse em disparada. Ele a seguiu, vasculhando entre as folhagens, atrs dos vasos, em todos os cantos do jardim.
O casal de gmeos no estava em lugar algum, simplesmente desaparecera!
Alex comeou a suar frio. Onde haviam se metido? Olhou nos galhos das rvores. Jack era mestre em trepar em rvores, mas certamente no estava por ali. Chegou ento  casinha construda numa das rvores pelo antigo proprietrio.
Algum a tinha reformado, ser que fora Diana? A corda pendurada para subir era nova, e as estruturas estavam reforadas com madeira nova.
 Jack? Miri?  Alex chamou os sobrinhos. Silncio. Nenhuma resposta.
Mas os pestinhas podiam estar escondidos! Apostava que a brincadeira predileta deles era se esconder do tio Alex.
Resignado, colocou um p no primeiro degrau e de um impulso foi subindo de dois em dois. Chegando l em cima, olhou dentro da casa. Estava vazia.
Preparava-se para descer, quando escutou a voz de Diana chamando-o da varanda.
 Alex?
Seus ps escorregaram.
 Alex, o que voc est...
Um de seus ps enganchou na corda e ele despencou na grama macia ao p da rvore. Embaraado, mas sem ferir-se, lamentou-se pelo estado de seu terno novo.
Olhando a varanda iluminada, viu Diana, j de banho tomado, descendo os degraus em sua direo. Vestia um roupo rosa e tinha os cabelos presos em um coque com uma mecha cada sobre a testa.
Os gmeos, tambm de roupo, o observavam curiosos.
Alex no queria admitir que estivera  procura dos dois. Obviamente, tinham entrado na casa enquanto ele delirava com fantasias erticas sobre a me deles! E agora estava ali, estirado no cho, com o cachorro malcheiroso querendo lamber seu rosto.
Ajoelhou-se para levantar. Podia sentir a parte de trs da cala mida e suja de grama, bem como os joelhos. Uma das mangas do palet se rasgara na altura do cotovelo, o terno inteiro estava coberto de plos louros e saliva... de cachorro.
Que estrago!
A casa de Diana, iluminada e aconchegante, convidava-o a entrar.











          CAPTULO III


Alex estava desorientado. E em um estado que Diana nunca vira antes durante o tempo em que ele estivera casado com Tmara.
 Voc pode usar o lavabo aqui dentro para se lavar, Alex. O jantar estar pronto em cinco minutos.  Ela segurou a porta aberta para que ele entrasse.  Crianas, me ajudem a arrumar a mesa.
Se eu me importasse com Alex, comearia a ficar preocupada de verdade, divagava enquanto voltava  cozinha. Tinha pena de v-lo assim devastado com a perda de Tmara.
Diana sabia que uma dose de "gmeos" elevaria o astral dele. Eles eram peraltas e um teste para a pacincia de todos, mas eram boas crianas e adoravam o tio.
Ela conseguira transformar a velha cozinha da casa em um lugar aconchegante e prtico ao mesmo tempo. A copa ficara separada da cozinha por um longo balco de madeira, e era ali, em uma enorme mesa de fazenda, que faziam a maioria das refeies. A geladeira fora coberta com desenhos dos gmeos. Miri adorava desenhar flores, borboletas e tartarugas entre as rvores, enquanto Jack insistia em fazer casas com famlias de trs pessoas ao lado da porta ou da janela. Tentara incluir Goldie, sem sucesso.
Miri abriu o armrio e comeou a contar os pratos, xcaras e talheres.
 Um, dois, trs e... quatro, no , mame? Para o tio Alex tambm?
  Isso mesmo, querida  concordou Diana, que tirava da geladeira os ingredientes da salada, colocando todos no balco da pia, ao lado de uma saladeira.
Alex veio do hall, j com a aparncia melhorada. Havia tirado o palet e afrouxado a gravata. Como arregaara as mangas da camisa, podiam-se ver os braos fortes e os plos louros sobre a pele bronzeada.
O corao de Diana bateu mais forte. Ela tinha apenas um contrato com seu cunhado, e que no inclua ficar olhando para seu fsico magnfico.
 O cheiro est gostoso  disse ele, entrando na cozinha.   frango?
 Acertou  respondeu ela ao abrir a tampa da panela eltrica, liberando uma nuvem de vapor.
Cutucou o contedo com uma faca para ter certeza de que a carne e os legumes estavam vem cozidos. Alex aproximou-se devagar, bem atrs dela, bem pertinho. Diana sentiu seu perfume msculo, dando-se conta de como era inebriante. A proximidade dele era sedutora e ao mesmo tempo irritante.
No gostava de se sentir acuada daquela forma, mas procurou ignorar o desconforto. Olhando sobre seus ombros, Alex cheirou o vapor da panela.
 Quanto tempo ficou cozinhando?
A respirao dele em seu pescoo lhe causou um arrepio. Engolindo em seco, procurou concentrar-se na pergunta.
 Liguei a panela antes de sair de manh. Voc coloca tudo na panela e cozinha durante o dia,  muito fcil. Voc tem uma panela dessas?  perguntou, recolocando a tampa.
  Antes de conhecer Tami, eu era o rei das refeies rpidas. E!a cozinhava, mas eu logo avisei que no era bem-vinda na cozinha  ele brincou.  Posso ajudar em alguma coisa, Diana?
 Claro. Porque no toma conta da salada? Voc s tem que lavar a verdura e cort-la em pedacinhos.
Ele fez o que ela dizia.
 Sabe, a ltima vez que comi uma refeio decente, preparada em casa, foi na casa de sua me, logo depois do enterro de Tmara  lembrou Alex, enquanto picava a cenoura.
  Pelo amor de Deus, isso foi h mais de seis meses, Alex! Voc est trabalhando demais. Desculpe-me. Eu deveria ter convidado voc antes, mas...
Ele a interrompeu com a mo erguida.
 Tudo bem. O tempo passou sem que notssemos. Alm do mais, eu fazia fora para me manter ocupado.
Diana inspirou fundo, tentando colocar ar no peito comprimido, apertado.
 Miri, pegue os pratos de sopa  comandou, tentando no se perturbar com a presena de Alex.  Jack, arrume as colheres...  Ela desligou a panela e despejou o caldo espesso dentro da sopeira.
 Posso fingir que  sopa japonesa?  Jack perguntou, de p na cadeira.
  Sim, depois que se sentar  disse Diana, enquanto Alex colocava a saladeira na mesa.
O jantar transcorreu tranquilamente, sem que as crianas fizessem algazarra ou baguna na mesa. Alex estava admirado com a habilidade maternal que Diana demonstrava ao lidar com o casa de gmeos. Andara lendo sobre o assunto, pois no queria repetir os erros bsicos de seus pais. Sentia que Diana tinha as atitudes corretas. Talvez nem fosse sua culpa as eventuais travessuras de ambos.
Lembrou-se do ex-marido dela, a quem considerava um sujeito de bom carter e que chocara a todos quando desaparecera na Arbia Saudita. Como pudera abandonar a famlia?
Olhou para os trs e viu rostos felizes. Sempre quisera isso.
Miri espetou uma cenoura no garfo e, levantando-a, disse solenemente para a me: 
 Cenoura!
 Correto, Miri. Conte a seu tio sobre a cenoura que voc plantou e colheu, querida,
 Ns plantamos cenoura, tio. L na escolinha.
 E eram cenouras grandes?  perguntou ele.
 No  respondeu ela virando a cabea de um lado ao outro. Elas ficaram estranhas, as pontas pareciam um garfo.
 Voc se lembra por qu, filha?
  Mame disse que a terra tinha pedras, e as razes cresceram com as pedras. E a ficaram estranhas!
Jack estufou o peito.
 Os meus cucas ficaram perfeitos.
  Os seus cucas?  Alex perguntou, repetindo as palavras com calma.
 Cookies, biscoitos  Diana explicou.  Miri, voc vai comer esta cenoura ou no?
Miri, que estivera brincando com a comida, largou o garfo no prato e falou com firmeza:
 No.
Alex olhou de esguelha para Diana, tentando imaginar o que ela faria.
 Ah, est bem. Ento eu vou comer as suas cenouras...  E avanou para o prato da menina com o garfo.
Miri cobriu o prato com as mos.
 No! So minhas cenouras!
 Talvez o Jack queira mais cenouras. Ela comeu todas que estavam no prato dele, voc no viu?
  No!  Tirando o prato da mesa, ela espetou uma cenoura e a colocou rapidamente na boca.
Diana olhou para Alex e deu uma piscadela. Ela piscara inocentemente ou estava flertando com ele?, perguntou-se. No, no podia ser... Ele estava sonhando?
 Eu j acabei, mame!  Jack tirou seu prato da mesa e colocou-o na pia, mais alta do que sua cabea, empurrando-o para o fundo com muito cuidado.
  Muito obrigado, Jackson, e se o senhor quiser pode pegar um livro.
 Eu j acabei tambm.  Apontou para o prato.
Usando o garfo, Diana levantou uma folha de alface grande, no canto do prato de Miri. E l estava um pedao de frango!
 No aguenta mais?
 No, mame  a menina gemeu, pedindo demncia  me, com os olhos verdes iguais aos de Diana. Os cabelos castanhos, ela herdara do pai. Um dia, destruiria coraes, pensou Alex. E Diana, j teria destrudo coraes?  Posso pegar um livro?
 Est bem. Voc comeu salada e frango suficiente e tomou sua sopa sem sujar a toalha. Pode ir que j vou ajudar voc a escovar os dentes.
 No faa cerimnia comigo, Diana  apressou-se Alex a dizer.  No  melhor voc ir com eles? Diana sorriu.
 Eles se comportam bem depois do jantar  explicou.
 A rotina  acabar de comer, escovar os dentes e depois ler um livro.
Alex levantou-se e levou os pratos vazios para a pia.
 Posso lavar a loua?  ofereceu, refletindo que se fosse gentil teria chance de ser convidado outras vezes.
 Apenas deixe na pia. Mais tarde dou um jeito em tudo. Quer me ajudar a ler para eles? Eu leio para Mriam e voc pode ler para Jack.
Alex decidiu que a experincia seria til para ele mais tarde, quando estivesse criando seu filho. Ou filha. Adorou a idia.
  Voc tem que ser firme. Se deixar, eles vo querer brincar e testar voc a noite toda.
Ele concordou e a seguiu at a sala. Jack estava deitado na poltrona, com um livro no colo porm a ateno na tev. Mriam rolava sobre o tapete.
 Agora ns vamos subir para escovar os dentes  avisou Diana, desligando a televiso.  Jack, o tio Alex vai ler para voc hoje.
O menino gritou e bateu palmas de alegria, enquanto corria para a escada, seguido por Diana, Mriam e Alex.
Aps o ritual de escovar os dentes, Alex levou Jack para o quarto. Era um dormitrio tpico de menino, com as paredes pintadas em tons claros de azul e verde. Junto ao p da cama, havia uma caixa cheia de brinquedos: carrinhos, uma espada de plstico, peas de jogos, bolas, tacos e figuras de heris.
Jack subiu na cama e tirou o ursinho de cima do travesseiro, abraando-o contra o peito.
 Voc dorme de roupa, Jack?  perguntou Alex enquanto levantava a coberta.
 No.
Jack tirou a cala de moletom, que no saiu enquanto no tirou os tnis. Puxou a blusa pela cabea com ajuda de Alex. Por baixo ele usava uma camiseta e cueca.
Alex sentiu o corao derreter-se por aquelas criaturinhas que vira nascer, to minsculos e rosadinhos! As voltas que a vida dava agora o traziam ali, e ele se via pronto para ler uma histria para o sobrinho dormir enquanto ensaiava uma estria no papel de pai. Em breve estaria ninando seu prprio filho. Respirou fundo.
 Que histria ns vamos ler?  perguntou, comeando a folhear o livro.
 Esta!  Jack apontou o dedinho para uma ilustrao. Alex recostou-se no travesseiro ao lado do garoto e leu a histria de um gato estabanado que virara de cabea para baixo a vida de uma famlia meio excntrica. Pensou em como o ltimo desejo de Tmara tambm virara a sua vida e a de Diana de pernas para o ar.
Mas ele no se arrependia de nada e lembrava-se de cada momento, de cada dia, com felicidade. Cada segundo com Tami fora um presente divino, mais valioso ainda agora que ela se fora.
S queria, se possvel, recuperar aquela incrvel magia do amor que uma vez sentira. Ser que teria sorte duas vezes? Diana enfiou a cabea no vo da porta.
  Tem um garotinho por a que quer um beijo de boa-noite da mame?
  Sim!  exclamou Jack, no querendo deixar escapar a oportunidade de ser engraadinho.
 Sim!  gritou Jack, estendendo os braos para ela, e Jack sentiu vontade de se esconder debaixo das cobertas.
Sentando-se ao lado de Alex, Diana abraou o filho com fora. Ao assistir  cena, ele sentiu um aperto no corao. Sua me, sempre fria, seca e distante, nunca o abraara com tamanha afeio. Naquele instante prometeu a si mesmo que seria um pai extremamente carinhoso. Seu filho talvez nunca tivesse me, mas teria amor de sobra.
Diana levantou-se e olhou para Alex.
 Miri est esperando voc ir l dar um beijo nela.
O quarto de Mriam estava iluminado por um abajur com desenhos do Mickey. Toda a decorao do quarto era baseada em Mickey e Minnie, desde o barrado de papel na parede at os lenis.
  Ol, doura.  Alex entrou no quarto e sentou-se na beira da cama.
 Tio Alex...  J vestida com o pijaminha, estendeu os braos para o tio.
Ele inclinou-se, sentindo o aroma da pasta de dente e a pele de criana limpinha.
 Tenha bons sonhos, meu anjo!
 Boa noite...  murmurou e abraou o travesseiro. Deu um suspiro e fechou os olhos, aparentemente caindo no sono.
Segurando a mo da sobrinha, Alex ficou observando-a por alguns minutos, encantado com a capacidade das crianas de relaxar no fim do dia.
Ela o aceitava como parte de seu mundo, pensou, mas que responsabilidade o amor e aceitao dela exigiriam?
Diana surgiu na porta e observou-o, com uma nova expresso na face, soltar a mo de Mriam e afastar-se da cama sem fazer rudo.
Ela sentiu-se leve. Embora no fossem perfeitos, seus filhos tinham facilidade para conquistar o corao das pessoas. Percebeu que a dor da perda de Tami ainda afetava Alex.
Talvez os gmeos, com seu amor incondicional, inocente e puro, pudessem dar algum conforto quele corao destroado pela perda.
Talvez Alex no fosse o nico a ser beneficiado. Seus pequeninos precisavam de uma figura paterna, e Alex encaixava-se bem nesse papel. Diana queria dar tudo a eles, mas sabia que era deficiente em algumas coisas. Sabia que poderia ser uma boa me, mas nunca poderia substituir um pai.
Como um tio muito querido pelos dois, Alex poderia cooperar. Talvez desse certo. Mas no se atrevia a pensar que se tornaria algo mais para eles.
E se ele simplesmente for embora?  perguntou-se.
Agora tudo que sentia era o medo revirando seu estmago. O pai deles fugira. Iriam sofrer muito se Alex se casasse novamente e sasse de suas vidas?
Alex levantou-se da cama e caminhou silenciosamente at a porta. Segurou o brao de Diana e levou-a para fora.
Mesmo coberta com o roupo felpudo, ela sentiu o calor da mo dele subindo direto para o seu corao. Ele no vai nos deixar. Era uma espcie de sexto sentido. Mas eu pensei a mesma coisa sobre o pai delas, no pensei?





             CAPTULO IV



Diana desceu a escada e Alex a seguiu. Observava seus cabelos ruivos cados sobre os ombros, em cascata. A pele clara de sua nuca parecia macia, vulnervel. Beijvel. Quando o telefone tocou, ela deu um suspirou de desagrado.
 Ah, meu Deus! Voc me faria um grande favor? Sirva-nos um vinho enquanto eu procuro o telefone e vejo quem . Tem um Chardonnay na geladeira.
 Procurar o telefone, Diana?
 As crianas adoram o telefone sem fio. O que quer... O telefone tocou novamente perto de um dos sofs da sala.
Enquanto Diana se inclinava para procur-lo no cho, Alex no pde deixar de repara nas curvas de seus quadris. 
 Eles se divertem vendo a me de um lado para outro enquanto o telefone toca sem parar. Nunca est onde tem... ah, achei. Aqui est. Al?
Alex saiu da sala. Quando voltou, com dois copos de vinho tinto ela ainda estava ao telefone, sentada na ponta do sof, atenta.
  Blanche, voc sabe que vou fazer o impossvel para estar l...
Fez uma pausa enquanto abria e fechava a mo imitando um pato falastro. Blanche Desmond, a noiva do scio de Alex, tinha aquele costume de ficar horas falando sem dar chance ao interlocutor de dizer uma nica slaba.
Enquanto escutava, Diana fez uma careta, bebeu um gole de vinho e colocou o copo sobre a mesa de centro. Alex ps um descanso sob o copo.
 Imagine se estou insultada, menina! Tmara era uma boa amiga de vocs e eu entendo que voc me queira no lugar dela na cerimnia, claro...  Cobriu o fone com a mo.  Quer falar com Blanche, Alex?
Ele fez que no e levou os dedos ao pecoo imitando uma faca cortando-o lentamente.
Um sorriso apareceu nos lbios de Diana. Terminou a conversa e desligou o aparelho antes de olhar para ele.
 At que enfim! Por que no quis falar com Blanche? 
 Ela sempre comea com aquela conversa dramtica e deprimente sobre Tmara e a pena que ela sente acaba me deprimindo. Ao menos quando estou com voc, no falamos sobre Tami o tempo todo.
Os olhos de Diana se arredondaram. Endireitou o corpo e procurou uma posio mais confortvel, colocando os ps descalos sobre o sof.
 Mas eu penso nela o dia todo. Sinto uma falta que voc nem imagina.
  Eu tambm sinto. Mas no quero passar o resto da minha vida neste pranto. Tami no gostaria disso tambm, mas Blanche acha que devo ficar chorando o resto de minha vida.
 Bem, Blanche quer que eu v ao casamento e fique no lugar de Tami na festa. At l eu devo estar bem adiantada na gravidez, mas no tive coragem de recusar.
 Acho que vou acompanhar voc no casamento, ento, A boca de Alex ficou seca. Bebeu mais um gole de vinho.
Nunca havia estado em um evento com Diana, que era casada com Steve quando ele conhecera Tmara. Os comentrios sobre as npcias de Diana e Steve viraram folclore familiar, ento, ele e Tami decidiram se casar em segredo em Lake Tahoe. Nenhum casamento ou festa que planejassem iria satisfazer a famlia dela, especialmente os pais, extremamente refinados e esnobes.
  Escute, Alex, precisamos conversar sobre os gmeos e precisamos chegar a um acordo sobre o que vamos dizer a eles.
 Sobre o beb? Bem... no acha melhor esperar o resultado do implante para ento conversar com eles?
 No. Eu no posso esconder deles. Seria mentir e no se pode mentir para os filhos. Alm disso, o implante no inclui vrias visitas ao mdico? Tenho que explicar a eles o que est acontecendo, ou pensaro que estou com alguma doena grave.
 Sim, eu sei. Li que as crianas tm uma forte intuio a esse respeito.
  E esses dois so observadores ao extremo.  Diana bebeu mais gole de vinho.
 Sim. E se um no notar, o outro comentar.
 Teremos que lhes contar a verdade.
 Que a me deles vai ter um beb da tia Tmara e do tio Alex?  Ele colocou o copo na mesa com um baque e passou os dedos pela testa, confuso.  Como  que eles vo encarar isso?
 S Deus sabe. Talvez mame esteja certa, todo este negcio  uma loucura.
Alex entrou em pnico. Chegou mais perto dela, imaginando se devia abra-la de novo. Ele no sabia se ela iria gostar. Ser que outro abrao encorajador seria demais? Aproximou-se com cautela.
 Ei, Diana, voc est querendo desistir?
 Eu no sei... E se no der certo e passarmos por tudo isso a troco de nada? Voc j pensou como eu me sentiria se no conseguisse ter esse filho?
Sentindo-se desanimado, Alex afundou nas almofadas macias. Faltou-lhe ar como se tivesse levado um murro no meio do peito.
 No, no pensei. Nunca me ocorreu falhar.
 Alex, esse beb era o sonho de minha irm. Por que voc quer continuar com isso? Eu a amava, claro que sim. Mas voc no acha que  fidelidade demasiada por algum que j se foi?
 Voc no entende.  Ele no pde evitar o tom furioso de sua voz.  Eu quero uma famlia mais do que tudo! O tipo de famlia que jamais tive. No quero essa criana somente pela memria de Tami, embora isso seja importante tambm. Quero esse beb por... por mim! Quero ter uma famlia.
Ele fez uma breve pausa antes de acrescentar, sem jeito:
 Voc conhece meus pais. Sabe que no somos uma... famlia amorosa.
 Alex... Voc tambm sabe que tem em ns uma famlia...
 Eu sei, Diana, adoro sua me, e sei que me tem, como um filho, mas... por favor, eu.., quero muito o beb de Tmara.  o meu futuro, entende?
Ela suspirou.
  Est bem. S espero que estejamos fazendo a coisa certa e que tudo corra bem.
  S me importo com a sua sade e a do beb  Alex disse com uma nfase especial.
 Oh, no se preocupe comigo. Sou forte como um cavalo. O mdico me disse que eu poderia ter dez filhos se quisesse. Se eu puder engravidar atravs da fertilizao in vitro, o beb ser muito saudvel.
Ela levantou-se e Alex fez o mesmo. No eram nove horas ainda, mas se ela trabalhara o dia todo no jardim, e cuidar dos gmeos era uma verdadeira tourada.
 Obrigado, Diana... Muito obrigado, mesmo. Ele segurou a mo dela.
 Ento, agora, somos voc e eu, scio!  Ela sorriu.
Alex notou que ela tinha mos suaves para quem trabalhava no jardim. Levantou-as para examin-las melhor. A luz da varanda refletia no vitral da porta. O vidro facetado, em forma de uma estrela de seis pontas, formava prismas que se transformavam em arco-ris sobre as mos unidas.
Ele beijou-lhe as palmas.
Com dedos trmulos, Diana segurou suavemente o rosto de Alex, numa carcia inesperada que o deixou quase em pnico.
 Boa noite, Alex  ela sussurrou.
 Boa noite, Diana.  A voz dele saiu com dificuldade, e ele pigarreou.  Ligarei quando tiver marcado o horrio na clnica.
 Esta bem, e... bem, talvez no precisemos nos preocupar tanto com as crianas. Quando eu for ao mdico, direi que vou para saber sobre um beb. Eles faro perguntas se quiserem e ento a diremos a verdade.
Alex concordou.
 Est timo. So seus filhos, voc sabe o que  melhor. Mas gostaria que voc sempre soubesse minha opinio.
Ela abriu a porta, e a brisa noturna, impregnada com o aroma do, acalmou Alex, clareando sua mente. O que acontecera? Quase beijara Diana Randolph?
S podia ser o vinho. No iria beijar a irm de sua esposa, falecida h menos de um ano. No era certo, e Diana nem gostava dele. Nunca se deram bem.
Era verdade que passaram momentos agradveis, mas no o suficiente para mudar a opinio sobre ela. Ou no?
Pegou sua maleta na varanda, caminhou com dificuldade at o carro, entrou e foi-se.
Diana trancou a porta e encostou-se nela, pressionando a mo sobre os lbios. Ficou imvel at seu corao voltar ao normal.
O que acontecera? No tinha certeza, mas talvez Alex Chandler quisera beijar mais do que suas mos... Ele olhara fixamente para sua boca...
Um arrepio subiu por suas costas. Ela mordeu o lbio. Devia estar ficando louca. Alex no gostava dela. E nem ela dele. Claro, tiveram uma noite agradvel, mas s isso. Nada de alma gmea. Nada de sinos, nem violinos, nem a terra mudando de rota.
Tmara e ela, filhas de pais diferentes, eram uma o oposto da outra. Se Alex preferia louras delicadas por que iria querer uma ruiva alta?
Estou imaginando coisas. Deve ser o vinho.
Deu uma arrumada geral na sala e na cozinha, pegando em seguida a garrafa aberta de Chardonnay. Se ia fazer o implante em breve, era melhor se livrar de tudo que pudesse fazer mal a ela e ao beb. Virou a garrafa na pia, mas manteve a meia dzia de latinhas de cerveja para o caso de Alex querer beber.
Abriu o freezer e tirou um pacote de caf expresso instantneo. Sua me adorava. Levaria para ela no dia seguinte.
O andride Alex quisera dar-lhe um beijo, coisa que ela jamais deixaria. Um no servia para o outro.
Sua irm delicada e elegante tinha se encaixado na famlia Chandler como uma pedra de gelo num congelador. Ela acreditava que os pais de Alex a veriam como uma estranha no ninho de Tmara. Patrcia e Walther Chandler toleravam Irina porque era uma celebridade, mas Diana, a jardineira maluca, no fazia parte do restrito e imaculado mundo dos dois.
Abriu o armrio e tirou um pacote de ch, colocando-o ao lado do caf. Simpatizava com o desejo do filho deles de ter uma famlia como nunca tivera. Uma vez fora  manso dos Chandler para uma recepo em homenagem a Tmara.
No tinham gostado muito da maneira como haviam se casado, mas decidiram que era de bom-tom apresentar a bela e talentosa esposa do filho  nata da sociedade de So Francisco.
Retraindo-se, Diana lembrou-se dos pais dele ostentando os objetos que haviam comprado ao redor do mundo. Quando Alex cumprimentou a cozinheira da casa com mais afeio do que a seus pais, ela teve certeza que as viagens dos Chandlers no incluam seu nico filho.
Pobre Alex. Imaginou um menininho solitrio criado por empregados naquela casa que mais parecia um museu.
Goldie estava arranhando a porta de trs. Deixou-a entrar e acariciou um pouco o plo macio da cadela. Queria que o filho de sua irm fosse criado com o amor e a afeio que todos em sua casa sempre tiveram. E tudo indicava que esse tambm era o desejo de Alex.
 Que bom, no , garota?  disse para Goldie.









CAPTULO V



- Pelo amor de Deus, o que est errado com voc?  Diana tocou os dedos de Alex, tensos, segurando firme na direo do carro prateado. Era tanta a presso que o n do dedo estava branco.  Hoje  o grande dia, voc deveria estar feliz.
Ele olhava fixo  frente, para a clnica de tijolos que se aproximava. Entrou no estacionamento, parou e desligou o motor do carro, virando o rosto sombrio para ela.
 Desculpe-me... Este lugar me traz pssimas recordaes.
 Oh! O oncologista de Tami fica neste prdio?  Soltou o cinto de segurana e saiu do carro para olhar a clnica da qual Tami lhe falara.
Enquanto caminhavam at a recepo, Alex explicou:
 Alm de o mdico dela atender neste prdio, foi neste mesmo lugar que tentamos a fertilizao. Meu Deus, uma meia dzia de tentativas...
O corao de Diana se oprimiu com a voz angustiada de Alex.
  Ai veio o diagnstico, a quimioterapia, e seis meses depois ela se foi. Fim da histria. Odeio este lugar.
Enquanto ele abria a porta de vidro, Diana segurou no brao dele.
 Espere. Existem outras clnicas, podemos procurar.
 Sim, mas o dr. Mujedin  o melhor especialista no assunto. Escreveu o primeiro livro sobre fertilizao in vitro  disse ele automaticamente virando  esquerda e descendo por um corredor acarpetado.
Diana notara a placa ao lado do elevador "Obstetrcia  Segundo Andar".
 Mas... no temos que subir?
Alex parou com os olhos fechados, a resignao estampada no rosto.
 Desculpe-me. Foi automtico. A quimio... a terapia era no fim deste corredor.
Diana mordeu o lbio, imaginando seus problemas insignificantes, como pagar a hipoteca, o dentista, trocar de carro. No eram nada em comparao com o que Tmara e Alex haviam enfrentado.
Quando saram do elevador, entraram em um corredor que terminava em uma porta de vidro decorada com fotos coloridas.
  Bom dia, sr. Chandler.  Surpresa, Diana percebeu que a recepcionista com ares de av lembrava-se dele, embora vrios meses tivessem se passado desde a ltima visita.
  Ol, sra. Nakano.  Ele tambm se lembrava dela. Diana concluiu que deviam ter passado muito tempo naquele consultrio.
 Esta  a srta. Randolph  ele apresentou.
  Muito prazer. Vocs chegaram na hora. Sente-se um pouco. A senhorita me acompanhe, por favor.


 Sr. Chandler?
Alex reconheceu a mulher alta de cabelos mechados e com um sorriso calmo parada a sua frente. Pertencia  equipe do famoso mdico.
 Sim, doutora?
  Seria bom se o senhor ficasse ao lado da srta. Randolph. O dr. Mujedin me disse que ela est bastante ansiosa  explicava enquanto desciam pelo corredor e entravam no laboratrio.
Alex estava suando apesar do ar-condicionado. Encostou-se ao lado da porta e tirou um leno para enxugar a testa.
Acalme-se, vamos! Ela  frtil. Ela  saudvel. Tudo vai dar certo!
Tomou coragem e entrou. Diana estava deitada na mesa de observao. Virou-se quando o viu, falando alto e parecendo nervosa.
 At que enfim, Alex!
Devia estar quase nua sob o lenol, vestindo apenas um avental hospitalar que cobria as partes essenciais. A cintura estava mais elevada do que a cabea, como se fosse fazer um exame ginecolgico.
  O... ol. Como est se sentindo?  Era difcil falar qualquer coisa.
 Como uma idiota. No esperava por isso. Por que estou aqui com as pernas para cima?
 N-No sei. Acho que torna a fertilizao mais fcil. Ele no explicou os procedimentos?
 Sim, mas no entrou em detalhes.
 Posso fazer algo para ajudar, para voc ficar mais confortvel?
 No. Bem, pode. Me traga um cobertor, por favor. Estou com frio nos ps  disse, mexendo vigorosamente os dedos.
Alex nunca havia visto a prepotente Diana to vulnervel como agora. Sem resisitir, fez ccegas nos ps dela. Ela gritou, sacudindo as pernas.
 Alex, no!
Rindo, ele se afastou. Achou o cobertor numa gaveta da cmoda e balanou-o no ar.
 Sem chutes, mocinha. Certo?
 Est feito o trato. Alex cobriu-a.
 Isto est demorando demais.
 Na verdade, no. A espera s parece demorada. Mas no . Daqui a uns minutos os embries estaro prontos e a sero implantados. Relaxe.
 Ah... as coisas que j fiz por minha irm!  falou com afeto, mas austera.
Ambos se viraram para a porta quando o mdico entrou, inspirando confiana na roupa imaculadamente branca.
 Como vai, sr. Chandler? E a srta. Randolph, como se sente?
 Nervosa, doutor.
Diana se mexia debaixo dos lenis, no encontrava uma posio confortvel. Queria fazer aquilo por Tami, mas queria que acabasse logo. No fundo, estava apavorada.
 Oh, mas no h o que temer.  um procedimento experimental, sem dvida, mas sem nenhum risco para voc, no importa o que acontea.
 Eu sei. A fertilizao por aqui j virou rotina  disse ela, tentando descontrair.
 Ns criamos a vida, srta. Diana.  O rosto do mdico estava srio.  Isso nunca  rotina, e envolve risco para os embries. A probabilidade de sucesso  de trinta por cento para cada um. Por isso vamos inserir trs, esperando que um sobreviva.
 Ah, tudo bem. Eu sou muito saudvel. Aposto que vou ficar grvida na primeira tentativa.  Tentava convencer-se de que no precisaria voltar.
 Espero que voc esteja certa, Diana.  O dr. Mujedin pegou um espculo e um tubo de lubrificante da mesinha.
Alex inclinou-se para afastar as mechas de cabelo do rosto dela, deixando-a surpresa.
 Voc quer que eu saia?
 Ah, sim. No. Eu no sei...  Precisava de algum a seu lado, mas ser que o andride a ajudaria a enfrentar aquilo?
  O que voc quiser est bem. Eu sempre ficava com Tami nestas horas. Apenas feche os olhos e tente relaxar  murmurou em tom paternal.
Diana respirou fundo e inspirou bem devagar.
 Esta bem. Fique, acho que  bom.
 Por favor, relaxe as pernas, srta. Randolph  o mdico pediu, puxando a coberta at a altura dos quadris.
Embora tensa, ela cooperou. Sentiu um ar frio soprar nas pernas e tentou relaxar a cabea sobre as mos cruzadas. Fez uma careta de dor quando o mdico comeou a insero. Alex tocou-lhe os cabelos, alisando-os,
 Est tudo bem. Tami me disse que est  a pior parte, e j est acabando.
 O que ela disse que sentia?
Apavorada, viu o mdico pegar um tubo de vidro com presilhas antes de prosseguir. Fechou os olhos.
 Ela disse que sentia um puxo e um empurro, mas nada com muita fora.  Alex arrumou mais uma mecha de cabelo atrs da orelha de Diana.  Respire fundo, e devagar. E continue assim.
Ela sentiu uma sonda penetrar seu corpo e uma espcie de cimbra interna. Involuntariamente, contraiu os quadris. Sentiu lgrimas nos olhos.
 Calma, calma  o mdico repetia devagar para acalm-la.  Est se saindo bem. A pior parte acabou. Deite bem a cabea e fique assim, por favor.  Levantando-se, apertou um boto no controle.
Ao lado de Diana, Alex acariciou o rosto dela. 
 Est tudo bem  ele murmurou.  Voc  maravilhosa, doura. S mais um pouquinho.
To real quanto a ternura e o carinho de Alex beijando seu rosto, a sensao da compaixo dele invadiu sua alma. Respirava profundamente ajudada pela voz calma e pela desconhecida intensidade de sua preocupao com ela. Como ela nunca percebera tanta ternura? Abriu os olhos e encontrou o olhar dele dentro do seu, olhos azuis como o mar. Adoraria navegar com ele para sempre naquele oceano...
Naqueles olhos ela podia ver o mesmo amor e preocupao que ela sentia. Sabia que ele estaria a seu lado naquela busca pelo sonho de Tami.
Duas batidas na porta precederam a entrada de uma mulher alta e forte. Alex recostou-se na cadeira, ainda com as mos no rosto de Diana.
 Srta. Randolph, eu sou a dra. Frida  ela apresentou-se.  Temos trs embries para voc aqui.
A jovem mdica carregava uma seringa conectada a um tubo. Posicionou-se atrs de Diana enquanto explicava o procedimento.
 Estou conectando o cateter ao tubo que o dr. Mujedin inseriu em seu tero. Agora... s uma pressozinha... e... pronto!
 Embries transferidos.  A voz de Mujedin era mais sria do que a da embriologista.
 Msseis lanados!  Diana brincou. Ento inspirou profundamente para no rir, com receio que o movimento pudesse expelir os embries. Para sua surpresa, Alex estava fazendo graa tambm.
 At mais tarde, garotos.
 Ou garotas!  ela emendou.
  verdade  a mdica ressaltou.  Agora vamos mudar de posio.
O mdico apertou outro boto de controle e a cama ficou reta.
  Agora vire-se e encontre uma posio para relaxar. Pode tirar um cochilo se quiser, pois ter de ficar imvel umas duas horas.  A mdica dirigiu-se  porta.
Alex ajudou Diana a virar-se lentamente, com cuidado.
 Faa o seguinte, Diana, Mentalize nossos garotinhos... ou garotinhas... sendo implantados.
 Sonhe um pequeno sonho, sonhe, sonhe...  a bem-humorada mdica saiu cantarolando do quarto.
Sozinha, Diana ajeitou-se e tentou descansar. Embora a mesa fosse macia, no conseguia sentir-se confortvel. No estava nem um pouco sonolenta, mas ainda trmula com a intensidade dos acontecimentos. Se tivermos sorte, estou com uma nova vida dentro de mim, pensou.
Ainda estava surpresa com a atitude de Alex. Lembrou-se da intensidade de seu olhar enquanto lhe acariciava o rosto e os cabelos para acalm-la. Agira como se ela fosse o centro do mundo e nada mais importasse. S ela.
Estava arrepiada. No me admiro que Tmara tenha se apaixonado por ele.
Nunca entendera a atrao que sua meia-irm sentira por Alex Chandler, mas agora o via com outros olhos. Diferente do homem frio que ela sempre conhecera, Alex demonstrara interesse e gentileza. Naquele momento em que beijara seus olhos e enxugara as lgrimas, ficara to surpresa que se esqueceu do implante em andamento. Lembrar-se daquela inesperada ternura fez Diana querer... querer... No, tinha de parar com aquilo! No importava o que ela sentisse, Alex no gostava dela. Apenas preocupava-se com o beb. Queria que ela estivesse calma no momento da fertilizao para aumentar as chances de sucesso. E esta criana ser dele, no minha. Fechando os olhos, visualizou um pequenino beb formando-se em seu tero. Tinha os belos traos de Alex e alguns fios de cabelo louro. Sorriu com a imagem de um Alex em miniatura crescendo dentro dela.
Achava difcil imaginar algum que ainda no existia quando tivera Alex em carne e osso confortando-a to docemente momentos atrs.
Seus mamilos endureceram, fazendo presso sob a coberta. Um calor sensual flua de seu corpo. Como seria Alex na cama, fazendo amor?
Diana abriu os olhos de repente quando percebeu que sonhava acordada.
Estou tendo uma fantasia ertica com Alex! Quero que ele faa amor comigo!
Esfregou bem os olhos, com uma certeza em mente. No podia desejar o homem que fora marido de sua irm. Alm do mais, no era hora de pensar em romance. Em poucos meses, estaria gorda, barriguda, inchada. E depois do parto, teria um recm-nascido para cuidar, alm de seus dois filhos, E havia ainda um outro fator, Alex ainda chorava por Tmara. Precisava tir-lo da cabea. 
Emocionalmente exausto, Alex sentou-se em uma das cadeiras da recepo, fechou os olhos e tentou relaxar. No conseguia esquecer a expresso de Diana durante o processo de fertilizao, O mesmo misto de espanto e medo que vira no rosto de Tami, apenas disfarado de coragem.
A personalidade de Diana sempre o surpreendera, mas ele havia descoberto nela qualidades de carter que desconhecia. Talvez tivesse sido injusto cora ela no passado. Nunca entendera o vnculo entre as duas irms, totalmente opostas. Agora sabia que ambas possuam determinao, inteligncia e coragem.
Seu filho teria sorte. As duas mes, a biolgica e a substituta, eram mulheres especialssimas.
Quo prximos seriam Diana e o beb? Nessa deciso sabia que tinha todas as cartas na mo. O contrato lhe dava total controle, mas o panorama mudara.
Ser que os sentimentos de Diana para com ele tinham se transformado tambm?
Moveu-se desconfortavelmente na cadeira. Tinha de certificar-se de que o beb desenvolvesse uma relao sadia com Diana sem se envolver demais cora ela. Seria difcil, mas daria um jeito.
Uma porta se abriu e Diana, parecendo reanimada com o descanso, entrou na sala de espera. Vestindo a costumeira camiseta e jeans, no olhou diretamente em seus olhos quando foi para a sada.
 Vamos?
Alex apontou para uma sacola que ela carregava,
 O que  isso?
 Supositrios de progesterona  falou com uma careta.
 Ah! Mas que maravilha! Ambos riram.
 Para que servem?  indagou curioso enquanto abria a porta.
 A dra. Frida disse que vo reforar o forro uterino para manter os embries fixos. Preciso comprar mais na farmcia.
Ela caminhou vagarosa pelo corredor.
 Eu levo para voc.
Alex correu atrs dela. O que estava acontecendo? Pouco antes pareciam to prximos, to ligados... e agora ela agia daquele jeito frio, distante.
Diana parou de andar e apertou o boto do elevador.
 Tudo bem, eu posso lidar com tudo, Alex.
 Mas voc no precisa. Posso tomar conta de voc.
 Estou engravidando, Alex, no estou aleijada. No preciso que voc nem ningum mais tome conta de mim.
As portas do elevador se abriram e Alex a seguiu para dentro, com a sensao de ter levado um tapa.
 Voc no est entendendo. Se voc no se aquietar os embries no se fixaro.
 Voc est certo.  Ela fechou os olhos e apoiou-se na parede do elevador para apertar o boto.
Alex no sabia o que fazer para acabar com a tenso e o mal-estar. Tentou expressar-se com muita calma.
  Olhe aqui, Diana. Eu sei bem que voc no quer depender de homem nenhum, mas eu no sou Steve. Eu no vou embora.
Ela sentiu o rosto arder.
 Voc est certo  admitiu quando o elevador abriu no andar trreo.  Me desculpe, no quis ser indelicada.
 No precisa pedir desculpas. Tudo isso, Diana, tem a ver com a gestao de uma criana muito especial.
Ele pegou nas mos dela e apertou-as.
 Est sendo difcil para mim, sabe, me acostumar.
  Com o qu?
 Com voc, Alex. Com voc fazendo parte da minha vida. Sempre me pareceu to afastado, distante... e agora sou o foco de toda a sua ateno.
Alex abriu a porta para ela.
 Vai ter que se acostumar, Diana. Voc est carregando trs filhos meus e eu no pretendo sair de perto de voc.



CAPTULO VI



-Adivinhe, Alex!
Diana levou dois copos de limonada para a mesa de madeira da cozinha e entregou um para Alex. O sorriso dela atiava seus nervos.
 O qu?  Podia escutar os gritos e risadas dos gmeos l fora sob o suave sol de maio.
 Acho que engravidei. Para ser mais sincera, eu tenho certeza.
 Mesmo? Que maravilha!
Ele saltou da cadeira e abraou Diana. Ela tambm o abraou, os olhos um pouco midos. Impulsivamente, ele beijou as lgrimas que rolavam. Parou e observou-a de cima a baixo, um pensamento em sua mente: ela no parecia diferente.
 Voc tem certeza?
  Claro que tenho certeza! J fiquei grvida antes, esqueceu? O teste de gravidez vai apenas confirmar o que eu j sei.
 Ento, timo. Aqui est o pagamento conforme combinamos. Ou parte dele.
Alex abriu a carteira e tirou um cheque, segurando-o na mo.
 No estou fazendo isso por dinheiro, Alex  disse ao pegar um pacote de batata frita e esvazi-lo numa tigela de cermica azul.
 Eu sei que no. Mas no tem estado apta a trabalhar desde o implante. Isto deve ajudar. Por falar nisso... j pensou em trocar sua caminhonete? Diana olhou rapidamente o cheque.
 Oh! Isso no  suficiente para comprar um utilitrio. Mas pagar as contas atrasadas.  Abriu uma vasilha de molho e mergulhou uma batatinha dentro.
 Isso me lembra algo.  Alex se levantou e abriu o armrio da copa, espiando em todas as prateleiras. No estava gostando do que vira. Melhor, do que no vira.  Onde esto as suas vitaminas pr-natais?
  s perguntar, no precisa sair espionando por a!  disse ela zangada.  Vamos, sente-se, por favor.
 O que  que voc tem comido ultimamente?  Olhou para o salgadinho sobre a mesa.  Batatinha frita e molho com salsa no so uma dieta balanceada.
  verdade. Mas comi uma lata de atum uma hora atrs. 
 Uma lata inteira?
 Sim, claro. Tenho um desejo insacivel por protena.
 E isso  normal?  ele perguntou e bebeu um gole da limonada, gelada e com hortel, no ponto.
 Voc conhece as histrias sobre as mulheres grvidas. Umas querem picles e sorvete de morango. Outras, amoras. Eu gosto mesmo  de atum, batatinha e molho de salsa. Gosto de comida salgada e picante.  Ela fez uma careta.  Verdade que depois boto tudo para fora.
Ambos explodiram numa gargalhada. Alex observou-a por alguns instantes, refletindo como era diferente da irm.
 O que diremos a meus pais?  perguntou de repente. Os olhos dela se arregalaram.
 Voc no contou a eles?
 Ainda no. No quis dar falsas esperanas antes de ter certeza.
Ela o olhou desconfiada.
 Ou no sabe como dizer a eles que a cunhada jardineira vai ter o beb de Tmara?
 Bem, voc tem de admitir que minha me no vai encarar isso facilmente. No mnimo, no vai gostar de tornar-se av.
Com cinco plsticas no rosto e o vcio de tingir os cabelos, a me de Alex lutava com unhas e dentes contra o envelhecimento.
 E o que diro os amigos, ento? Me-substituta, a nica chance de ascenso social. Posso at ver Patrcia agora.  Diana elevou a voz, imitando o sotaque artificial da me dele.  Mas, Alexander querido, tenho certeza que jamais algo assim aconteceu na famlia antes!
 Teremos que contar, mais cedo ou mais tarde. Eles viro para o casamento de Gregg e Blanche. Em julho, a barriga j estar aparecendo?
 Pode apostar que sim. J estou usando meu jeans mais largo. Em julho devo estar uma pipa  disse ao morder uma batata atolada no molho de salsa.
 To cedo assim?
 A segunda gravidez sempre aparece mais cedo, porque os msculos esto mais distendidos.
  Bem, vamos conversar com o dr. Mujedin para saber se voc pode ir ao casamento, nesse estado.
 Alex, no seja ridculo!
 Essa no  uma gravidez normal, lembre-se.
  Ora, no seja alarmista!
Ele apoiou os cotovelos na mesa, os olhos soltando fascas.
 Voc tem os meus embries dentro de voc. Espero que respeite a minha opinio.
 No quero discutir com voc. O estresse  ruim para o beb. Podemos conversar sobre isso em outro momento.
 Eu sinto muito. Voc est absolutamente certa.  Alex levantou-se e caminhou at a porta.  Ligo para voc depois que falar com o mdico.
Ele saiu e fechou a porta com firmeza atrs de si.
Vrios segundos se passaram at que Diana cruzou os braos sobre a mesa e enterrou neles o rosto, soluando. Seu sentimento por Alex estava realmente mudando. Estava se apaixonando por ele!
Dias depois, debaixo de um sol brilhante de domingo, Alex fazia seu jogging no parque municipal. De repente, lembrou-se das inmeras vezes que correra junto com Tami naquela pista.
Faziam sempre o mesmo caminho e frequentemente paravam na casa de Diana para descansar um pouco antes de voltar.
Teve uma idia repentina. Iria fazer uma parada para refrescar-se na casa de Diana. Saiu do parque tomando a ciclovia que corria junto  avenida Central e continuou o exerccio. Estava muito quente e ele j bebera toda a gua da garrafa.
Acelerou o passo e logo avistou a casa. Encharcado de suor, foi desacelerando o passo em direo  porta at apoiar-se na caixa de correio para recuperar o flego.
No sabia como seria recebido, pois no a vira desde o dia da discusso. No momento, no tinha outra alternativa e mesmo sabendo que ela ainda poderia estar magoada, esperava que refletisse e reconhecesse que estava agindo de forma errada. E, claro, no iria negar-lhe um copo de gua e uma visita rpida ao toalete.
Bateu na porta, mas ningum respondeu a no ser Goldie. Foi at a porta dos fundos, de onde pde ouvir a voz clara e alta dos gmeos, e bateu de novo, girando a maaneta. Fez-se um silncio repentino.
 A gente no pode abrir a porta sem a mame aqui!  gritou Miriani, com voz desconfiada.
  o tio Alex, Miri.
 Tio Alex!
No mesmo instante a porta se abriu e as duas crianas pularam de alegria ao v-lo,
Alex sentiu cheiro de queimado e olhou ao redor. Ento viu a fumaa saindo da torradeira.
 Falem mais baixo, crianas!  sussurrou.  Vocs vo acordar sua me.
  Acho que ela j acordou  Miri falou mais baixo e pegou na mo do tio, puxando-o para dentro.
 O que  que est acontecendo aqui?  perguntou ao apertar o boto da torradeira. Duas torradas da cor de carvo saltaram para fora.
 No! Esse  o caf da manh dela!
 Onde ela est, querida?
 Dormindo, tio  Jack falou.  Hoje  dia das mes, a gente desligou o despertador dela!
  Estamos fazendo o caf da manh para ela.  Miri arrumava uma bandeja, decorando-a com um guardanapo azul passado e limpo, em cima do balco.
 Ah, sei... Algum j deu comida para Goldie? Jack e Miriam se entreolharam, embaraados.
 A gente esqueceu! Desculpe, Goldie.  A menina abraou carinhosamente o co.
 Eu vou dar! Vem, Goldie!  Jack saiu correndo para o jardim com a cadela em seu encalo.
Alex segurou a porta de mola antes que batesse.
 Traga uma flor para colocar na bandeja, Jack!
O menino parou no meio do caminho, sacudindo a cabea com exagero como se considerasse o pedido.
 Est bem, tio Alex! Alex virou-se para Miriam.
 E voc, v buscar talheres para colocarmos na bandeja.


Quinze minutos mais tarde tinham preparado uma bandeja com suco de laranja, torradas normais e ovos mexidos. Jack colhera uma rosa cor-de-rosa que Mriam envolvera em um guardanapo colorido de papel.
Alex entrou no lavabo para lavar o rosto e pentear o cabelo antes de subir com os gmeos at o quarto de Diana. Em seguida pegou a bandeja e carregou-a escada acima, seguido pelas duas crianas saltitantes.
Parou em frente  porta do quarto e fez um sinal afirmativo com a cabea, para que Jack abrisse a porta. As duas crianas entraram no quarto e correram para Diana, que aparentemente acabara de se levantar e amarrava o roupo cor-de-rosa na cintura. Ela virou-se para a porta, surpresa, e estendeu os braos para abraar os gmeos.
Depois endireitou-se e sorriu para Alex.
Ele evitou olhar na direo dela enquanto colocava a bandeja sobre a mesinha redonda perto da janela. Miri estava abraada com a me, que brincava com os cabelos escuros da menina.
  Queridos, que surpresa! Obrigada... a voc tambm, Alex.
S ento ele relaxou. Sentiu que Diana no guardara nenhum rancor do ltimo encontro.
 Bem, acho que vou...
 Ah, no!
Diana esticou os braos em sua direo. O movimento fez com que o roupo abrisse ligeiramente, expondo parcialmente a curva dos seios. Alex engoliu em seco.
 Por favor, no v embora. 
Alex aproximou-se e segurou as mos dela, apertando-as calorosamente.
Um tremor atravessou seu brao e atingiu-lhe o corao. Aquilo era um erro, pensou. Olhou ao redor e no tinha certeza se queria estar ali. Aquela cena familiar estava lhe provocando emoes indesejadas.
Contemplou a cama de casal no meio do quarto, a roupa de cama ainda desarrumada, e perguntou-se se os gmeos haviam sido concebidos ali.
Uma imagem de Diana, ofegante e excitada, contorcendo-se sobre a cama, veio a sua mente. Mas o homem naquela imagem no era Steve e, sim, ele. Pare, Alex!
 Sentem-se todos na cama enquanto eu como esta deliciosa surpresa de dia das mes. Voc tambm, Alex!  Pegou o garfo e comeou pelos ovos mexidos.
  Mas isto est muito bom. Obrigado a todos vocs! Crianas, vocs j comeram? Alex?
 Ns comemos biscoito e tomamos leite, mame!  avisou Mriam.
 Obrigado  disse Alex, recusando.  Estava correndo at agora.
 Por que voc no est em So Francisco, com sua me? Onde esto seus pais?
 Viajaram.
Ele preferia mudar de assunto. Sua me nunca se empolgara com a maternidade ou qualquer assunto relacionado, incluindo o dia das mes. E quando Tmara e ele estavam juntos, tentando ter um filho, a data era reservada para uma espcie de cerimnia ntima programada: fazer amor.
 E voc, porque no est com Irina?
Diana continuou sua refeio, sem perceber que ele desconversara.
  Normalmente, ns tomamos um lanche com ela, de tarde. Assim as crianas podem brincar um pouco na piscina e ela no tem que fazer nada mais trabalhoso.
Alex sentiu a presso de Mriam tentando sair de seu lado, mas antes que pudesse entender o que estava acontecendo, Jack. bateu na cabea dela com um travesseiro. Miriam imediatamente acertou o irmo com outro, e o quarto virou um campo de guerra... de travesseiros!
Diana engoliu o ltimo pedao de torrada, se ajeitou na poltrona e ficou admirando Alex interagindo com os dois. Adorava estar no meio da famlia e, ento, percebeu que ele se tornara-se parte da equao. Ele era sua famlia.
Sentia um aconchego familiar combinado com uma fasca sensual, resultado de estar observando o corpo musculoso e os movimentos viris de Alex to perto dela. Emoes contraditrias se chocavam em seu ntimo, produzindo um louco e desconhecido sentimento, diferente de tudo que jamais sentira.
Diana abraou sua barriga, ciente da nova vida que crescia ali dentro. Quando estava esperando os gmeos, sonhara com cenas como aquela. Mas o personagem de seus sonhos era um moreno sorridente, Steve, namorado firme e primeiro amante e, posteriormente, seu adversrio no divrcio.
Ele a deixara. E Alex, a deixaria tambm?
Tmara sempre o achara um timo marido e foram felizes at descobrirem que no podia gerar filhos. Logo descobriram a doena fatal e tudo desmoronara ao redor deles. Da mesma maneira que sua vida, refletiu.
Sentiu um sorriso infeliz em seus lbios. Eram sobreviventes desgastados de uma inacreditvel fatalidade emocional: tinham mesmo muitas coisas em comum.
Mas isto seria suficiente?
Deixou os sonhos de lado e lembrou-se que, para Alex, ela no era nada mais do que uma hospedeira para o feto dele e de Tami. Sem dvida alguma, depois que ela desse a luz, ele pegaria seu filho e correria para longe, muito longe.
                                       





CAPTULO VII



O corao de Diana deu um salto quando o   Jaguar prateado estacionou. A campainha tocou e ela pegou a bolsa antes de abrir a porta para Alex. Mesmo naquela abafada tarde de tera-feira, ele vestira terno e gravata com colete, sem fazer concesses ao clima de junho.
 Voc est bem  ele falou sem entusiasmo.   raro ver voc de saia.
Qual era o problema com ele? Talvez estivesse nervoso com o ultra-som.
 Voc ainda acha que est grvida?  perguntou ele enquanto dirigia para a avenida.
  Bem... o teste deu positivo, mas testes de farmcia podem falhar. Digamos que me sinto grvida, mas s vou sossegar ao ver o beb no ultra-som.
 Claro.
Diana sentiu um certo estresse na voz dele. Bem, podia ser o trnsito, terrvel naquela hora, mas ela suspeitava que estivesse ansioso. A tenso pairava no ar, e como no sabia o que dizer, ficou em silncio.
Pouco falaram at o momento em que Diana entrou na sala de ultra-som. Aps vestir o avental hospitalar, deitou-se na mesa de exames, e o dr. Mujedin comeou a aplicar um gel sobre a barriga dela, o que facilitaria o teste. A dra. Frida s observava.
 Alex no devia estar comigo, doutor? Pensei que ele quisesse entrar s depois que eu me trocasse...
 Claro, Diana. Vou cham-lo  prontificou-se a mdica, saindo da sala.
O dr. Mujedin deslizou o visualizador gelado sobre sua pele, e ela sentiu um calafrio.
 Calma, tenha pacincia enquanto localizo seu tero  falou Mujedin.
 Eu tenho certeza que est a  ela brincou.  Usei-o quatro anos atrs para ter gmeos!
Escutou um movimento na porta antes que Alex entrasse com a dra. Frida. Ele aproximou-se, pegou sua mo e lhe acariciou os cabelos.
 Como ela est, doutor?
 Bem, muito bem. Pronto, achamos!  O mdico parecia contente.  Parece que dois dos implantes deram certo! Parabns, o senhor vai ser pai!
Alex encostou-se na mesa, incrdulo. Sentiu que no conseguia respirar. Tirou um leno do bolso e enxugou os olhos e a testa. Era inacreditvel!
 Dois, dr. Mujedin?
 Eu vou ter gmeos novamente?  Diana quase gritou enquanto tentava levantar a cabea para acompanhar a imagem no monitor.  Tem certeza?
 Talvez no.  A mdica inclinou-se para ajustar a imagem da tela.  Voc ajustou o controle errado, Albert  falou para o mdico.
Quando Diana viu a dupla imagem borrada tornar-se uma e com mais foco, respirou aliviada.
 Deixe-me ver!  Alex aproximou-se do monitor.  Ento, onde ele est?
A dra. Frida apontou um borro.
 Este  o seu beb... no podemos dizer o sexo ainda.
 Ns no queremos saber!  Alex e Diana gritaram ao mesmo tempo e em seguida riram da coincidncia.
A mdica apertou um dos botes do aparelho. Uma folha de papel comeou a sair da impressora conectada ao aparelho.
 Voc j passou por isso, no ?  Piscou para Diana.
 Voc est brincando? Adoro meus filhos, mas a gestao foi muito difcil. Eu estava imensa, tudo foi duas vezes mais complicado do que as outras gestantes me diziam.
 Tenho certeza que o sr. Chandler vai ajudar bastante. Ele estava exultante.
 Ah! Claro. Cada segundo.  Ele andava de um lado para outro, voltava  tela para olhar de novo a manchinha, visivelmente excitado. Diana estava perplexa, pois nunca o vira to feliz.
Recebeu a cpia do ultra-som e levou para Diana, as mos trmulas.
 Vou fazer uma cpia para a senhora. Pode se trocar agora  disse a dra. Frida enquanto Alex saa do quarto.
 Algum problema com ele, dra. Frida?
  Ah! Com o sr. Alex? J vi isso acontecer muito. Ele passou pela tortura que  acompanhar tentativas de fertilizao. No acredita que est acontecendo de verdade, e est com medo de que a gravidez no v at o fim.


Voltando para a sala de espera, Alex sentou-se e aguardou que Diana sasse. Atordoado ainda, no podia crer no que acabara de ver. Tremia e deixou cair mais uma vez a cpia do ultra-som no cho ao procurar o leno no bolso.
Diana estava grvida. Na primeira tentativa o beb de Tmara fora implantado!
Pegou o papel do cho e observou a mancha triangular impressa no centro dele. Seu corao parecia inchar a cada batida como se fosse explodir.
O beb dele. Este era o seu beb. Limpou as lgrimas. Ele ia ser pai, finalmente.
Mas muita coisa ainda poderia acontecer at janeiro, ms previsto para o nascimento. Sabia que de algumas fertilizaes in vitro nasciam crianas prematuras.
Abaixou a cabea, fechou os olhos e rezou pela segurana de seu filho. Incluiu Diana na orao quando entendeu que a estrada mais segura para a sade de seu filho estava nela, em seu corpo.
Por que demorava a sair? Queria demais dividir o momento de felicidade com ela. Conscientemente, procurou fazer com que seu corao batesse mais devagar. Respirava mais lentamente, tentando relaxar.
Levantou e pediu um pedao de papel e caneta  recepcionista. Tinha uma boa memria, mas, s vezes, escrever ajudava a organizar suas idias.
Dobrou a folha ao meio e escreveu: "Diana  Prs e Contras",
E comeou a escrever em duas colunas. Do lado "contras" escreveu, "me-substituta". Suspirou. Qualquer tipo de intimidade com a me-substituta de seu filho seria procurar confuso. E se a relao acabasse em desastre?
Diana no faria mal  criana deliberadamente, mas o desgaste emocional poderia atrapalhar o desenvolvimento do feto.
E se por causa da relao de amizade ela quisesse estar sempre perto da criana? Um pressentimento gelou seu corao. No arriscaria uma batalha pela custdia da criana.   Era seu filho.
Na coluna "prs" escreveu: "honestidade". Diana no quebraria sua palavra e sabia a importncia da criana para ele.
Sabia que corria um grande risco tendo um filho por uma substituta e Gary j o prevenira: algumas tentavam ficar com as crianas que geravam atravs de batalhas judiciais demoradas.
A maneira como Diana acariciava sua barriga sugeria pos-sessividade e aquela alegria excessiva com as boas novas pareceu maternal demais. No gostava disso. Alm do mais, ela no tinha apenas um compromisso com ele. Ela estava honrando a memria da irm ao levar a criana no ventre. Desenhou uma estrela ao lado da palavra "honestidade". Diana nunca o decepcionaria.
Escreveu no lado dos "contras": "vida sempre parece bagunada". Mas talvez no fosse culpa dela, ele sabia. Criar dois filhos sem um pai no podia ser fcil. Decidiu que devia simpatizar mais do que criticar Diana pela maneira como enfrentava os desafios de sua vida. J fora muito severo com ela no passado.
Voltou para o lado prs. Razoavelmente atraente, escreveu.
Quem ele estava tentando enganar?
Cham-la de razoavelmente atraente era como classificar Magic Johnson de bom jogador. Ela era estonteante, um nocaute, uma maravilha.
Cabelos ruivos viosos, que ele se sentia impelido a tocar. Um corpo curvilneo e sensual que desejava acariciar.
Desde que ele tivera uma rpida viso de seus incrveis seios no podia tir-los do pensamento. Sonhara com eles!
Como seria t-los em suas mos? Alex gemeu e arrumou sua cala.
Com lbios sensuais, olhos verdes de nocautear qualquer homem, em um rosto iluminado como o sol, ela no lembrava muito Tmara. Tinha uma beleza muito especial. As duas herdaram a ma do rosto da me, e Irina, j cinquentona, ainda virava a cabea dos homens.
Tmara fora uma esposa perfeita em muitos aspectos. Sua empresa e seus negcios exigiam que ela o acompanhasse em vrios eventos sociais e de negcios. No podia imaginar Diana, jardineira, em um vestido de noite e saltos na Cmara de Comrcio ou num jantar poltico.
Mas talvez estivesse errado. Quem sabe devia dar uma chance a ela?
Estalou os dedos ao se lembrar que Diana e ele participariam do casamento de Greg e Blanche. S ento veria se ela poderia...
O que estava se passando em sua cabea? Estava pensando por acaso que Diana poderia ser sua esposa? O papel e caneta caram de seus dedos nervosos, de novo.
Isso era indecente! Tmara morrera a menos de um ano e j estava pensando em substitu-la, por ningum menos do que sua irm.
Mas no podia deixar de cuidar da mulher que carregava seu filho.
Isto estava certo, no estava?
Era fim de julho e Alex aguardava na entrada do Hotel Radisson, onde aconteceria o casamento de Greg, e observava o Mercedes dourado de seus pais aproximando-se. Seu pai, alto e com cabelos prateados, vestindo uma casaca de corte impecvel, saiu do carro entregando a chave ao manobrista meio a contragosto.
Aps cumpriment-lo, abriu a porta para sua me. Os cabelos platinados de Patrcia e suas unhas sempre bem-feitas combinavam com o longo vestido de seda bege.
 Mame...
 Alexander, querido.
Apoiando-se ligeiramente na mo dele, saiu do carro. Alex beijou-a no rosto e sentiu a fragrncia de Chanel n 5, seu perfume predileto.
De brao dado com a me, acompanhou os pais ao salo do hotel, para a cerimnia. Decorado com rosas cor-de-rosa em buqus por todo o salo, o imenso local estava repleto de convidados.
Deu uma olhada para Patrcia. Como vou contar a eles? Desde que Diana tocara nesse assunto to delicado, passara horas pensando nisso. Apesar da zombaria, ela havia descrito seus pais com absoluta fidelidade.
Sem dvida, achariam que seu beb, nascido de uma me-substituta, era mais uma experincia cientfica indesejvel do que seu neto. A primeira preocupao de Patrcia seria Como vou contar isso para nossos amigos?!
Seu pai sairia estrategicamente para pegar um usque em vez de enfrentar as lamentaes a respeito da conduta do filho.
 O que foi, Alexander?  ela perguntou.
 Nada, mame  respondeu levando-a para sentar-se. Seu pai tambm quis saber.
  Ainda sentindo falta de Tami, filho?  Os olhos de Leighton brilhavam de compreenso.
 Sim, pai. Eu sinto.  Alex passou a observar a multido movimentando-se a sua frente num desfile enfadonho de trajes luxuosos escolhidos para o evento.  Eu no iria suportar se tivesse me casado formalmente. Nunca fomos mais felizes do que quando resolvemos fugir para Lake Tahoe e ter uma cerimnia ntima.
Sentiu o olhar reprovador da me. Ela no gostara nada de suas npcias informais. Deu um grande sorriso para a me, s para aborrec-la um pouco.
 Desculpem-me, mas vou ter que receber alguns convidados. Vejo vocs mais tarde na recepo.  Retornou  entrada do salo e logo no havia cadeiras disponveis.
A caminho do lugar que lhe fora designado, Alex procurou por Diana na multido de mulheres. Trajando conjuntos estampados com vrios motivos florais e saias longas, as damas de honra pareciam um imenso buqu de flores cor-de-rosa vivo, pulsante.
No conseguia no entanto localizar Diana entre elas. Onde estava?
No fundo do salo, a harpista comeou a dedilhar uma msica de casamento vagamente familiar.
As damas de honra e seus acompanhantes formavam pares e, ao ritmo da msica, comearam a percorrer o corredor central.
Alex correu para o lado do scio.
  Greg, onde esto elas?
Uma linha de preocupao surgiu nas escuras sobrancelhas do noivo.
 No sei. A noiva e a madrinha esto...esto... em algum lugar. Mas no sei onde.  Meneou a cabea em direo a uma porta.  Provavelmente ali, no toalete feminino, retocando a maquiagem... no  l que se escondem sempre?
Diana surgiu perto do altar, com um vestido florido como o das damas de honra. Aproximou-se. O bolero que usava sobre o vestido tomara-que-caia de seda no conseguia esconder o amplo colo. Alex no pde deixar de admirar a viso.
Presos em um coque, seus cabelos cintilavam. Algumas mechas escaparam do arranjo, formando uma charmosa moldura para seu rosto. Segurava um buqu de rosas nas mos enluvadas e seu vestido rosa realava seu bronzeado.
Tudo isso no conseguia disfarar sua barriga, onde seu beb estava sendo gerado.
Com o corao disparado, estava resistindo ao impulso de pousar sua mo ali. Sabia que ainda no dava para senti-lo chutando, mas no via a hora. Queria sentir todo o processo de uma vida florescendo dentro de Diana.
 Greg, querido, est na hora de voc ir para o altar  ela disse.  Blanche no vai sair at que voc esteja l. Ela acredita piamente que d azar o noivo ver a noiva antes da cerimnia.
  Acho que est na hora.  Greg deu um tapinha no ombro de seu irmo, o padrinho.  Ns vamos na frente e vocs dois vm depois.
Alex hesitou. No seu atual estado no queria tocar em Diana. No tinha sido leal com seus pais e este casamento estava mexendo emocionalmente com ele.
Ainda mais ao lado dela, a mulher que carregava seu filho.
Se ele tocasse seu cotovelo com certeza acabaria por abra-la. E se a abraasse... bem, a seria impossvel prever o que faria em seguida.
A voz dela tirou-o daquele delrio.
 E eu devo ir  esquerda ou  direita?  Passou o brao pelo dele.
 Voc est bem  disse a organizadora do casamento para o noivo.  Sr. Holloway, espere a principal dama de honra e seu acompanhante entrarem primeiro. Vou fazer com que a noiva entre em seguida. Tudo certo?
Alex fez um sinal para Diana e eles entraram no salo. Tentou no olhar, mas a beleza dela mantinha seus olhos grudados no atraente perfil. Tudo isso mexia com ele, Diana, o perfume das flores enquanto caminhava segurando o brao dela.
A luva de cetim branca cobrindo o brao suave ao toque de seus dedos, sensual. Acariciou o tecido e sentiu seus msculos tensos. Ainda tentou segurar com fora antes que ela se soltasse. Com um rubor na face, ela tomou o seu lugar na fila das damas.
Greg e seu irmo entraram no altar assim que a harpista dava os primeiros acordes da marcha nupcial.
Blanche, em um estonteante vestido branco, atravessava o corredor atrs de sua dama de honra.
Embora a noiva de seu scio estivesse realmente deslumbrante, preferia olhar a face expressiva de Diana quando a cerimnia comeou.
Em que ela estaria pensando?


Diana descalou seus ps das sandlias de salto alto, desconfortveis, que Blanche havia escolhido para todas as damas de honra.
Graas ao fim do seu casamento com Steve, ela odiava qualquer cerimnia desse tipo. Mas hoje, o pastor conduzia tudo rapidamente e parecia que a cerimnia iria acabar logo. Mesmo assim, estava impaciente.
Arriscou uma olhadela para Alex. A casaca cinza e cala preta estavam fabulosas, fazendo com que ele parecesse um astro de cinema. Ele percebeu o seu olhar e sorriu. Seu peito palpitou. Por baixo do buqu, sua mo livre acariciava a barriga, fazendo um cafun na sua criana.
Sorriu de volta. Ultimamente, ele vinha sendo extremamente gentil e ela abenoava a mudana. E para completar, seus pais estavam aqui. No sabia se poderia suportar um iceberg familiar, sensvel como estava.
 Eu aceito  disse a noiva.
 Eu aceito  falou o noivo.
Calou os sapatos novamente reprimindo um gemido de dor. Estava com cimbras de ficar tanto tempo em p. Pegou o brao de Alex e deixou-se guiar atravs do corredor, seguindo os padrinhos. Como podia escapar desta? No aguentaria mais dois minutos sobre aqueles saltos recebendo cumprimentos junto aos noivos.
Quarenta minutos mais tarde, Alex reparou em Diana. Ela estava a seu lado, recebendo os cumprimentos com um sorriso congelado nos lbios.
Quando o ltimo convidado saiu indo para a recepo, ela pareceu mais baixa.
 Voc est se sentindo bem?  Tinha lido muito sobre gravidez e pensou que sabia o que esperar. Encolher assim to rapidamente, que estranho!
 Estou bem  Suspirou.  Agora que tirei o sapato.
 Voc no pode andar por a de meia.
 No estou nem usando meias. Est muito quente. No posso colocar o sapato de novo, Alex. Meus ps esto ardendo... e doendo.
 Voc quer deitar um pouco. Quer que eu leve voc para casa?
Ela sorriu serenamente.
 Calma, vou ficar bem. Voc poderia coloc-los no carro?  e apoiando-se nele pegou os sapatos com salto altssimo e fino. Entregou-lhe junto com o buqu.
Segurou o par pelas tiras, balanando-os ao lado da perna, displicentemente. Greg, que estava a seu lado, caiu na gargalhada.
 So a sua cara, Alex!
 Voc tem razo.  Sorrindo, balanava-os para frente e para trs.
 Ah! Alex, pegue isso tambm.  Diana tirou o bolero, entregando-lhe antes de se afastar em direo ao buf.
Abandonado, ele pegou um copo de champanhe e foi bebendo a caminho do carro.
Quando retornou  recepo, escutou a banda tocando msicas danantes. Alguns casais mais corajosos j se aventuravam na pista. Viu seus pais sentados perto do buf, conversando com os pais de Blanche, Sharon e Martin Desmond. Alex os conhecia desde pequeno. Faziam parte da sociedade esnobe e de fortunas muitas antigas de So Francisco, da qual seus pais tambm faziam parte.
Aproximou-se. Ia cumpriment-los e depois aproveitar a festa.
 Voc acha que ela est grvida novamente?  Patrcia perguntou espantada.
Ele parou. Se tivesse orelhas como a de um co, elas teriam se levantado para escutar atentamente. E escutou Martin dizer numa voz pomposa:
 Bem, ela j tem duas crianas sem pai. Trabalhar cavando a lama no deve dar muito dinheiro. Se estiver grvida ter de entrar no seguro social.
Alex ficou tenso de dio antes que seu senso de humor o acalmasse.
O champanhe estava fazendo efeito e j estava se sentindo um pouco ousado, sem papas na lngua.
  Tenho certeza, j d para ver a barriga.  Sharon meneou a cabea na direo de Diana que conversava com a madrinha ali perto.
As duas conversavam na frente de um grande arranjo floral que fora colocado ali para alegrar mais o ambiente frio do hotel. Evidentemente, respondendo a uma brincadeira qualquer, Diana jogou a cabea para trs e deu uma de suas altas e tradicionais gargalhadas. A elegante silhueta de seu longo pescoo, seu cabelo brilhante e o corpo radiante de Diana enchiam Alex do mais puro desejo. Sharon e Trcia cutucavam-se maldosamente.
  ...to deselegante e exagerada  murmuraram. Alex acercou-se de Diana.
  Ol, querida.  Colocou os braos nos ombros dela e sorriu para a madrinha.  Com sua licena  e dizendo isso, tocou a face dela, achando-a irresistvel.  Vamos danar, querida?
Os olhos dela abriram-se espantados enquanto ele a carregava para pista cheia de casais.
 No pise nos meus ps  falou nervosa.  No estou de sapatos, lembra-se?
 Voc no parece ter muita confiana em mim.  Trouxe-a para mais perto de si e girou para que pudesse olhar melhor o salo. Observava seus pais que estavam pasmos. Sua me, abalada, sacudia o brao do pai. Alex no disfarou um sorriso maldoso seguido de uma piscada de olhos. Sim, definitivamente, a mame precisava levar uma sacudidela de vez em quando.
Abraou-a um pouco mais, trazendo-a mais perto de si. Seus seios, macios, comprimiam-se contra seu peito. A sensao era deliciosa.
 Alex, o que  isso?  Diana franziu as sobrancelhas desconfiada.
 Estou danando com a mulher mais linda deste casamento, a me do meu filho, e voc duvida de meus motivos?  Ele sorriu da maneira mais fascinante que ela j vira, aquele que Tmara dizia que a nocauteara.
 O que est acontecendo, sr. Chandler?
Ele encostou os lbios no alto da cabea de Diana, desfrutando o perfume de rosas que exalava sua tiara.
 Acho que est na hora de contarmos a meus pais, voc no acha?
  E  assim que voc decidiu faz-lo?  Um olhar de total surpresa passou por seu rosto antes que desse uma risadinha.  Est bem, so seus pais. Voc quer que dem uma boa olhada?
 Claro, por que no?
Diana soltou-se mais em seus braos quando a banda comeou a tocar uma msica lenta, uma melodia que pedia rostos colados. Os olhos verdes de Diana o encararam e ficaram assim.
O humor de Alex havia se transformado. Ele no desejava mais atiar seus pais fingindo intimidade com ela, mas queria...o que ele queria mesmo? A coisa verdadeira?
A luz foi diminuindo e ele encostou o rosto no dela. Ela devia ter pressentido que ele queria beij-la, pois levantou um pouco o rosto, Seus lbios se tocaram, Alex mantendo os olhos abertos para ver a reao dela.
Diana fechou os olhos para melhor saborear aquela alegria. Suavemente sugou a lngua de Alex enquanto mergulhava em suas lembranas. Quanto tempo fazia que no experimentava um beijo assim?
Ento, tudo o mais se apagou e s havia Alex. Alex, com braos muito fortes segurando-a contra seu corpo perfeito. Alex, cuja boca explorava a sua, com ternura e experincia.
Seus seios, esfregando-se contra o peito dele, formigavam com aquele prazer incontrolvel. Atravessando todo o seu corpo lascivo, fascas de um desejo que se transformava em necessidade, quente e doce. Agarrou os ombros largos, estremecendo com aquele prazer. Fazia muito tempo... um longo tempo.
Suspirou ao lembrar-se que, para Alex, aquilo no era real. Estava usando-a apenas para fazer uma declarao aos pais. Provavelmente porque no tinha coragem suficiente para dizer de uma vez que ela estava grvida de um filho dele e de Tami!
Diana abriu os olhos e piscou para Alex, que levantou as sobrancelhas.
 Voc me deve esta, Chandler  sussurrou.
Ento ela tomou o lbio inferior de Alex entre seus dentes, mordiscando-os gentilmente, com delicadeza, encarando seus olhos azuis at o delrio.
O abrao dele pegou-a com mais fora e subitamente girou-a na pista atravs de uma grande porta que dava para um caminho pavimentado.
A trilha escura corria paralela a um lago artificial, com uma fonte iluminada num dos lados, jorrando gua. Fora esse rudo, o local estava silencioso.
Ningum estava aproveitando o local to romntico.
O ar quente de julho deslizava sobre seus ombros nus como o toque de um amante. Ele colocou a mo em seus cabelos e escorreu-os entre eles, libertando-os do arranjo delicado. Espalhou-os, e ela sentiu que tremia com o prazer do cabelo acariciando sua pele nua.
Isso j foi longe demais, ela ento compreendeu.





                                                            
CAPTULO VIII
 


 Diana pigarreou.   
  Bem, imagino que fizemos uma declarao e tanto, no foi?
Assustado, afastou-se dela assim que voltou  realidade. Estivera bbado, bbado com o champanhe e com seus beijos.
Tenho que parar com isso agora.
Alguma coisa nela ameaava seu autocontrole. O lado selvagem de Diana despertava o desconhecido em sua alma, uma chama que no compreendia e queria queimar, livre.
O que aconteceria se alimentasse aquela chama ardente?
 Sim. Mas que tipo de declarao foi esta? Eles devem pensar que voc est grvida de um filho meu.
 Mas eu estou.  Ela penteou os cabelos com os dedos, dando uma ajeitada em sua aparncia. Alguns grampos do arranjo e uma rosa caram no cho.
Alex pegou-os e entregou-os a ela.
 Claro, mas voc est apenas carregando. Este  o beb de Tmara.
Lembre-se bem disto, Chandler.
  O que voc acha que vai choc-los mais, Alex? O fato de ele estar no meu ventre ou de a criana ser de Tami?  disse, enquanto colocava a rosa em seu decote. Ele no pde evitar uma espiada.
 Agora j no importa.  hora de darmos a notcia.
 Estou me sentindo como um garoto de entregas  Diana zombou.
Enquanto voltavam ao salo, Alex ia observando-a. No resistiu  vontade de olhar o decote do vestido de novo, agora adornado pela rosa.
 Milhes de homens desejariam que seu garoto de entregas tivesse a sua aparncia, Di.
Pare com este flerte, Alexander. Voc no devia flertar com a me-substituta de seu filho.
  Muito obrigada!  disse com afetao.  E falando nisso, exatamente o que vamos dizer a seus pais?
Ele rezou para que seu sorriso despreocupado escondesse a sua prpria incerteza.
 A verdade,  claro. Que voc est grvida do embrio meu e de Tmara, neto deles.
 Ah, sim. timo!  Diana resmungou.
Entrando no salo, Alex pegou sua mo para gui-la por entre a multido. Garons circulavam ocupados, servindo bebidas e salgadinhos. Ela apertava sua mo, a tenso fluindo dos dedos. Na verdade, ele tambm no estava sentindo-se bem. A alegria do champanhe j tinha ido embora, deixando atrs apenas um propsito que o fazia seguir em frente.
Guiou-a para a mesa onde estavam Patrcia, Leighton e amigos. Irina fora a responsvel pelo bufe e conversava animadamente, colocando as fofocas em dia.
 Mame, papai  cumprimentou a todos.  Ol, Irina. Diana, voc j conhecia os pais de Blanche, Sharon e Martin Desmond?
Diana saudou-os fazendo uma reverncia com a cabea. Um gesto nobre desperdiado pelos cabelos despenteados e sensuais.
 Meus parabns. Blanche casou-se com um rapaz maravilhoso.
 Muito obrigada.  Sharon, sem disfarar, deixou os olhos descerem at a barriga sob o vestido.
 E ns, vamos poder parabenizar voc e Alex em breve?  Fitou-a com a expresso maliciosa.
Diana apenas sorriu, irradiando serenidade.
 Eu espero que sim, sinceramente. Esperamos que o nascimento seja em janeiro.  Mentalmente, Alex aplaudia a resposta e a compostura.
Sua me estava perplexa, de queixo cado.
 Vocs dois deveriam ter vergonha, dando um showzinho em pblico enquanto Tmara ainda est quente em seu tmulo!  E encarou-o.
Irina, que tudo ouvia, levantou-se abruptamente.
 Tenho um pressentimento que minha querida Tmara planejou tudo o que est acontecendo.
 Voc est nos dizendo que Tami queria que a irm e seu marido tivessem... um... um...  Leighton gesticulava com o copo de usque na direo de Diana, apontando sua barriga.
 Tivessem um filho?  Irina completou em alto e bom som.  Pode dizer, Leighton. Somos todos adultos nesta roda.
Alex decidiu no deixar a situao sair fora de controle. Nem queria que rumores sem fundamentos comeassem a circular.
 Ela est certa. Tmara fez um ltimo pedido a Diana, para que fosse a me-substituta de nosso filho.
Patrcia derrubou a taa de champanhe na hora. Quebrou-se no cho espalhando cacos e vinho sobre os ps do marido. Sharon engasgou e Martin comeou a rir sem pudor. Logo havia um garom limpando tudo, de pano e p nas mos.
 Patrcia, pelo amor de Deus. Voc derrubou bebida em meus sapatos! Veja s o que voc fez...  falou bruscamente. E saiu da mesa, afastando-se do eficiente garom. Ela ignorou o marido.
 Nosso filho. O que voc quer dizer com isso?
 Diana est sendo a me-substituta do nosso filho, meu e de Tmara.
 E muito feliz em poder fazer isso  Diana completou, sincera.
Martin comeou a gargalhar e, entre as risadas histricas, engasgou.
 Tenho que dar a voc um prmio. Voc, com certeza, sabe como ser ultrajante. E com muito estilo!  Encarava Diana com uma admirao aparente.
Alex fitou-o friamente, como se estivesse pronto a saltar sobre ele.
Sua me estava com a respirao alterada. Agarrou o cotovelo do marido.
 Leighton! Faa alguma coisa!
  O que voc espera que eu faa?  E soltando-se dela, pegou mais um copo de usque da bandeja do garom.  Senhor Deus, estamos vivendo em um mundo louco. Nada de bom pode nascer de algo to... de algo to bizarro e antinatural!
 Eu, por outro lado, acho isto maravilhoso! No vejo a hora de ver meu neto chegando em pleno Ano-Novo!  Irina fulminou ambos com seu olhar, como se dissesse Vocs deveriam estar felizes com esta notcia, retardados!
Patrcia e Leighton estavam totalmente desconcertados.
 Por que voc no nos contou antes, Alexander?  perguntou a me.
  Ns queramos esperar at estarmos certos de que a gravidez progredia normalmente. No quis dar falsas esperanas da chegada de um neto antes de me certificar dela. Um monte de coisas ainda pode dar errado.
 Verdade?  Patrcia parecia at esperanosa. Diana e Irina ficaram vermelhas ao escut-la, dois pares de olhos verdes faiscando em sua direo. Alex nunca havia notado as similaridades entre Diana, alta e voluptuosa e sua me, pequenina e delicada. Agora estava vendo que as duas ruivas tinham a mesma tmpera, prestes a explodir. E compreendeu que chegara a hora de pr um fim naquela situao constrangedora.
  Me, pai. Sei que vocs ficaram um pouco chocados.  Estava se amaldioando, pois percebeu tarde demais que devia ter dado a notcia de uma maneira convencional a seus pais, que eram to conservadores. Agora, ia ter que se esforar para acalmar a me.
 Mame, este beb, que j est a caminho, era muito importante para Tami e agora,  importante para mim tambm.
Ela afastou uns fios de cabelo de seus olhos com mos trmulas.
  Sei disso, filho. Lembro-me como o desejo de ter uma criana praticamente a matou.
 Uma coisa no tem nada a ver com a outra, Deus do cu!  sua voz alterou-se furiosamente.
 Eu no quis dizer isso  ela protestou, choramingando.
 Mas ela poderia ter sido uma pessoa mais feliz se tivesse se conformado desde o princpio, sem filhos.
 Voc est me dizendo que devo desistir tambm,  isso?
Alex levantou-se.
De repente, Diana estava a seu lado, colocando uma mo calmante em seus ombros.
 Alex, sente-se e fique tranquilo. Leighton, Patrcia, me escutem. Este beb  real!  disse acariciando sua barriga.  Vocs podem sentir-se felizes com sua vinda, ou fazer Alex infeliz. Vocs decidem.
O pai respirou fundo.
  Se voc encara desta maneira...  e virou-se para a esposa.
  Eu no... no quero ser a velha vov de algum.  Suspirou.
 Ah! Venha c, me...  Alex estava tentando sensibilz-la.  Voc pode ser a primeira a mostrar a todos as fotografias de seu neto. Deixar todos seus amigos com inveja. E... quantos netos tm uma av to jovem e bonita como voc?
Patrcia suspirou novamente.


Afastada a crise, o jantar de casamento prosseguiu sem incidentes. Alex devorava um pedao de bolo quando Diana deu um sobressalto.
 Ah! No. O buqu da noiva!  E se encolheu na cadeira como se pudesse ficar mida ou invisvel.
 Venha comigo, Di!  Blanche estava falando bem alto. Literalmente. Estivera exagerando no champanhe e parecia um pouco alta para Alex.
Deixa disso. Eu j fui casada. No  justo tirar a chance das que ainda querem casar!  E fez uma careta.  Seria louca de casar de novo depois do que aconteceu.
Ele sorriu mas ficou a imaginar se ela no mudaria de idia.
Uma multido de moas solteiras se reuniu no centro da pista de dana, logo em frente  mesa onde estavam. O garom passou oferecendo caf aos convidados.
 Se for descafeinado.  Diana estendeu o copo.
  Sem cafena? Estou impressionado. Voc  bem cuidadosa.
Ela concordou, solene.
  Pode apostar. No faz mal s para o beb, e quando ficar maior aqui dentro, vai deix-lo acordado a noite toda. D para imaginar um garotinho, chutando e deixando voc acordado durante a noite?  Fingiu um calafrio e deu um gole do caf.
 Um! Dois! E... trs!!!
Alex reparou quando Blanche jogou o buqu para o alto sobre os ombros. Subiu voando alto, descrevendo um arco. Ento, atingiu a base de uma luminria. As flores mudaram a trajetria e aterrissaram no prato de bolo de Diana. Ela engasgou enquanto entornava seu caf e tentava respirar.
Enquanto Alex batia em suas costas, tentando ajud-la, ele vislumbrou o rosto de sua me.
Patrcia tinha a aparncia de quem ia ter um ataque cardaco!


Ele levou Diana para casa bem depois da meia-noite. Ela saltou do Jaguar, descala, andando com pressa em alcanar a porta. O carro da bab estava estacionado na entrada. Alex ajudou-a a subir as escadas e a se sentar na cadeira cheia de almofadas.
 Ufa!  Ela se largou nas macias almofadas, como se estivesse sentando nas nuvens do paraso. Alex sentou a seu lado.
 Como esto os seus ps?
Estendendo-os, Diana sacudia os dedos, que pareciam inchados.
  Bem melhores do que se tivesse continuado com as malditas sandlias no p! Nunca mais. O que ser que deu em Blanche para escolher esse tipo de calado, com aqueles saltos imensos?
 Como os achou bonitos, imaginou que tambm seriam confortveis. Mas eu vi muitas garotas descalas hoje. Ser que algum usou um par a noite toda?
  Acabaram comigo.  E a, ela recostou-se melhor e suspirou, relaxando os ps.
A lua refletiu em alguma coisa brilhante nos dedos de seus ps.
 Diana, que  isso no seu p?
Virando-se, ela colocou seus ps no colo dele. Mesmo sob a luz difusa da varanda, dezenas de pequenos desenhos pintados e luminosos reluziam em suas unhas.
  O que so?
Pegou os ps dela, levantando-os at onde pudesse v-los melhor e dar uma examinada de perto.
  que a Blanche havia me dito que a decorao do salo seria toda de rosas cor-de-rosa, ento, mandei pintar rosinhas nas unhas do p, com um esmalte importado. Interessante, no ?
Alex riu e disse zombeteiro:
  E a coisa mais absurda que eu j vi. Esmalte de rosinhas....
E correu os dedos longos pelo arco da sola dos ps de Di.
 Ei, Alex! Voc me prometeu que no ia fazer mais ccegas!  Diana protestou.
 , eu prometi, no prometi?  Alex comeou a massagear os ps at que ela desse suspiros de prazer, apertando o tornozelo de Diana em seguida.
 Aposto que seus ps gostariam de uma massagem.
 Humm, todo aquele tempo em p! Mas me diverti.  E deu mais suspiros sonoros quando ele massageou as solas doloridas.  Mas isso  muito bom, Alex.  gentil da sua parte.
 Voc at merece ser mimada um pouco.
E a massagem nos ps continuou, trabalhando cada dedo.
 Sabe, Tami adorava isso. Muitas vezes massageei seus ps aps uma festa, uma recepo. Tambm no suportava salto alto, como voc.
  Ningum gosta. Mas muitas mulheres usam. Louco isso, no ?  E enquanto falava, ela ia ajeitando o corpo e encostando-se com mais conforto na cadeira.
 Diana, voc foi maravilhosa hoje.  Aprendera a responder umas perguntas sobre ela. Ela ficava bem em qualquer grupo de pessoas, tinha facilidade para se relacionar. Desde que no tivesse que usar salto alto!
  Eu?  falou com voz sonolenta.  Eu no fiz nada demais.
  Voc foi perfeita.  E mudou o p, massageando-o tambm.
Ela tinha ps muito sensuais, longos, com arcos elegantes, curvilneos. O que ela faria se ele mordiscasse aqueles dedos?
Sufocou aquele desejo malicioso e voltou a se concentrar na massagem, palmas e curvas.
Ela se esticou parecendo relaxar um pouco mais. O outro p se remexeu em seu colo.
Sentiu calor e contrao na rea da virilha. No podia se enganar mais, no depois daquele beijo. Queria Diana de-senfreadamente.
Relaxe, Chandler, v com calma. Ela no  a sua mulher. E provavelmente, jamais ser, repetiu para si.
No entanto, se ela no se casasse, teria um amante? Ser que teve desde que Steve se foi?
Nunca escutara nada a respeito de namorado, mas estivera to enrolado com Tmara que no notaria mesmo que tivesse tido.
Diana era linda, uma mulher muito atraente, sensualssima. Via como os homens olhavam para ela, com lascvia suficiente nos olhos. O cabelo ruivo solto levava-o a pensar em lenis remexidos, noites de vero extremamente quentes. O corpo curvilneo tinha seios largos e insinuantes, seios que iriam alimentar seu filho.
Em sua imaginao, via-se enterrando seu rosto naquela curva entre os maravilhosos seios.
A lua refletia em seu rosto, deixando-a prateada. Rindo, notou que os lbios carnudos, entreabertos, comearam a roncar. Afinal, ela no era to perfeita assim.
Levantou os ps de seu colo cuidadosamente, colocando-os sobre uma almofada.
Fim de julho, com um tempo to agradvel, dormir na varanda coberta no iria fazer mal a ela.
Na verdade, a varanda parecia mais agradvel do que o condomnio enjoado e esnobe onde ele morava.


Diana acordou e ouviu o ronco de um motor bem regulado. Sentou e viu o Jaguar partindo. Espreguiou-se com gosto e fez uma careta com a dor do bolero apertando sob seu brao.
O que acontecera? Ser que peguei mesmo no sono, enquanto ele fazia massagem nos meus ps?
Ele deve estar pensando que eu o achei entediante.
Nada poderia estar mais distante da verdade. Mas o mas-sagear dos ps fizera com que ela se sentisse to bem e to relaxada que... ela desmaiou.
Sonhou com o beijo que trocaram na pista de dana. O gosto dele era gostoso. Sentiu-se to completa em seus braos. Como se o pedao que estivesse faltando, se encaixasse no quebra-cabea que era sua vida. Concluiu, rindo, que se tivessem esperado um pouco, at teriam feito um beb, da maneira tradicional.
Resolveu levantar-se e entrar. Rachel, a bab, dormia no sof da sala de estar. Um videoclipe, com o som mudo, estava passando na tela da televiso. Pensou em deix-la dormir. Estudava muito e provavelmente estava cansada. Merecia esse descanso. Tudo bem, ela podia passar a noite aqui.
Enquanto subia, se perguntava se fora Alex que causara aquela sensao lasciva quando a beijou, ou se ela se sentira nas alturas nos braos de qualquer outro homem.
Talvez, depois que o beb nascesse, ela passasse a sair mais, para se divertir.
Ela havia enviado todos os seus desejos para uma fornalha, no poro de seu corpo, quando Steve saiu de sua vida e os gmeos nasceram.
Passou para dar uma espiada no quarto de Miriam. Da porta, tudo o que podia ver era uma mecha de cabelo que escapara debaixo do cobertor da Disney. No fundo do corredor, Jack dormia em meio a cobertores e lenis enrolados, um brao cado para fora da cama.
Diana sorriu, sentindo-se feliz naquele momento. No se arrependia dos sacrifcios que fizera por eles. Eram crianas especiais. Cada momento com os dois era um tesouro de inestimvel valor.
J em seu quarto, despiu aquele vestido de casamento, ridculo. No acreditava que usara uma tiara de madeira para segurar o coque, com arranjo de flores, e aquele bolero!
Tirou tudo e foi ao banheiro para limpar a maquiagem.
Olhou-se no espelho. Usava filtro solar todos os dias. Ento, bronzeava-se e no enrugava a pele. Ser que Alex gostava daquelas linhas de sorriso que tinha no canto dos olhos? Ela divertiu-se ao pensar.
Provavelmente nunca notou.
No final das contas, ela ainda tinha uma boa aparncia, considerando-se tudo por que passara nos ltimos anos. Batalhara muito na vida para encontrar o equilbrio.
Com os gmeos mais crescidos, talvez pudesse divertir-se um pouco... depois que o beb nascesse.
Entrou embaixo das cobertas. Seu corpo pedia por Alex quando abraou o travesseiro contra o peito. Queria Alex abraando-a.
Ele s est sendo bom para voc por causa da criana. No engane a si mesma.



CAPTULO IX


Alex inspirou um pouco do ar quente e mido daquela tarde abafada de agosto. Troves e tempestade estavam a caminho. Chegando  casa de Diana, bateu na portinhola de vidro imaginando como ela reagiria ao presente que decidiu lhe dar. Era to imprevisvel. E isso tinha muito a ver com a barriga crescendo: a ao dos hormnios mexia com suas emoes, to difceis de entender.
A porta se abriu revelando Irina, que lhe deu um beijo rpido no rosto.
 Ns vamos ter que correr. Estamos atrasadas.  Virou-se na direo da escada.  Diana! Estamos atrasadas!
 Ns?  ele perguntou ao entrar.
 Alex, querido, tenho que pedir em favor. Posso levar Diana ao ultra-som hoje? Eu quero muito ver O beb  disse quase implorando.
Ele hesitou, pois gostava de ver a criana no ventre de Diana. Mas Irina j era de longe a av mais empolgada com o beb.
 Claro.
 Voc pode tomar conta dos gmeos?
Hesitou novamente, com o incidente do zoolgico ainda vivo na memria. Mas isso aconteceu um ano atrs, Jack e Miriam haviam crescido, estavam mais espertos e mais cooperativos.
  Eles esto tirando uma soneca  Irina explicou.  Por favor, Alex... Tenho certeza de que no daro trabalho.
Alex relaxou. Afinal, que trabalho poderiam dar duas crianas sonolentas?
  Est bem. Sem problema algum.
  Oh! Muito obrigada.  Irina ficou na ponta dos ps para beij-lo. Inclinou-se um pouco para ajud-la e tambm deu-lhe um beijo.
Entrou na sala assim que Diana descia a escada.
Vestia um longo e folgado vestido de vero de cambraia azul, que realava o contorno da barriga. Algumas mechas de cabelo tinham se soltado do penteado, fazendo com que caracis ruivos e brilhantes dessem contorno a sua face bronzeada. Pequenas sardas pintavam o nariz bem desenhado.
 Diana.  Acariciou a barriga redonda enquanto dava-lhe um rpido abrao e um beijo no rosto. Talvez ganhasse um beijo de verdade quando ela visse o que havia comprado para ela. O que estava inventando agora?
Ela sorriu e moveu a mo dele um pouco mais para o lado, o beb deu um leve pontap, fazendo Alex gargalhar de alegria.
 No h nada como esta sensao, no  mesmo?
  No, no h. Voc tem razo.  Abraou a prpria barriga com um carinho especial e perguntou:  Est tudo bem se mame me acompanhar hoje?
Ele assentiu, concordando.
 Que maravilha. Escute. Os dois caram no sono e devem ficar assim at a hora que eu retornar do teste. Mas se acordarem, d algo para comerem. Tem palitos de cenoura e suco na geladeira.  Ela pegou sua bolsa a caminho da porta, onde Irina aguardava impaciente.
Ainda com a mo no trinco, falou em voz alta:
 Alex, se voc no almoou, fiz uma salada de maionese para voc. At logo.  E saiu, fechando a porta.
Sozinho, ele falou alto, de brincadeira:
 Ela me fez uma salada de maionese! Salada de... maionese. Hum! Que bom.
Tmara sempre fora uma verdadeira mestre-cuca, mas a correria diria no permitia que ela lhe fizesse o almoo. E sua me dizia para a cozinheira tomar conta da fome do garoto. Nunca ningum lhe fizera uma maionese. Estava duplamente feliz que Diana se desse ao trabalho de...
 Alex!  Seus olhos estavam faiscando quando ela entrou de volta e logo pegou o brao dele.  Alex, o que  aquilo?
Diana apontou para fora na direo de uma caminhonete amarela que bloqueava a sada de seu carro velho e maltratado. Ao lado do outro veculo, parecia uma pea de ferro-velho.
Alex deu um sorrisinho, pensando que, afinal de contas, ela no era to imprevisvel assim!
Acercou-se e balanou um chaveiro bem na frente de seu rosto.
 Aquilo  a sua nova caminhonete. E aqui esta a chave dela.
Diana abriu a boca sem saber o que dizer.
 H? Mas... mas...
  No  sempre que consigo tirar as palavras de sua boca.
Ela se recomps.
 Alex, voc  muito gentil, mas eu realmente no acho que voc precisa me comprar um carro novo!
 Eu no comprei nada. Tmara comprou.  Uma mentirinha no vai fazer mal, disse para si.  Ela deixou muito dinheiro para voc e o beb. E resolvi que no queria meu filho andando em uma caminhonete velha, caindo aos pedaos.
 Eu gosto do meu carro velho!  O rosto furioso dela ficou vermelho,  Estou acostumada com ele.
 Tente ser razovel, Diana. Os seus pneus se foram, esto carecas. A transmisso e a suspenso tero de ser trocadas, chequei tudo isso. E o pior, no h espao suficiente para vocs trs, quanto mais para quatro!
 Eu no preciso dela e nem de voc dirigindo a minha vida.
 No vai pelo menos dar uma volta e test-la?  Pegando-a pelo cotovelo, levou-a, contrariada, at a nova caminhonete.
Irina j estava dentro da cabine.
 Queridos, isso aqui  sensacional. Tem espao de sobra para os gmeos atrs e pelo menos meia dzia de porta-copos!
Diana olhou para cima, no acreditando no que escutara.
 Porta-copos! O atalho para o corao de minha me  atravs de porta-copos!  Examinou a caminhonete novinha, em seguida dando uma olhadela para a antiga.  Est certo, voc ganhou. Quanto vai me custar o seguro dela?
Alex apenas fez um gesto com a mo.
  Deixe para l. Voc no ter que se preocupar com seguro nem licenciamento.  para o beb, entendeu, e j est tudo pago!


Diana acelerou ao juntar-se ao trnsito da avenida da Independncia, espantada com a suavidade de um motor to potente.
  Sabe, mame... Acho que Alex anda um pouco, digamos... estranho.  Seus pensamentos estavam em ebulio de novo e por causa dele.
  E qual  o problema? Est se portando como um homem. Est cuidando de voc e do beb.
 Eu no preciso que ele tome conta de mim  ela murmurou por entre os dentes.
 Com Steve fora de sua vida, algum tem de faz-lo.
 Eu tenho dado um duro danado para cuidar de mim e dos gmeos.
 Querida, voc fez um timo trabalho. Mas de qualquer maneira, estou feliz por ele estar presente. No tenho que ser a nica a me importar com minha filha, a nica agora.
Um sentimento de culpa caiu sobre o rosto de Diana.
  Oh! Mame, sei que desde que Steve se foi voc tem me ajudado muito. Eu sei.
  Querida, sabe que no  o dinheiro.  Irina ligou o rdio e procurava uma estao.  E no precisei contribuir com nada para a casa por um ou dois anos, meu bem. Voc provou a todos que pode faz-lo sozinha. Portanto, agora, voc pode muito bem aceitar uma pequena ajuda sem se envergonhar.
 , imagino que sim. Mas isso  mais do que uma pequena ajuda. Isto  Alex tentando controlar a minha vida... de novo.  E lembrou-se de como foi dependente de Steve. Lembre-se do que aconteceu naquela relao, advertiu-se. No caia na mesma armadilha novamente.
 Aprenda a ser paparicada, pela sua me.  um alvio saber que h mais algum em sua vida capaz de se importar e cuidar de voc, minha filha. E cuidar muito bem.
 Voc acha que ele se importa, mesmo?  Ela atravessou a ponte, rumo  clnica. No queria aceitar o presente. De alguma maneira, aceitar seria o mesmo que confirmar Alex no papel central de sua vida. No sabia se estava pronta para deixar outro homem fazer isso.  Ele disse que comprou a caminhonete por causa do beb.
 S falou da boca para fora  outra das expresses  folclricas de Irina.
 Ahn? Ele sempre diz que  para o beb quando me faz algo bom.  Lembrou-se dos beijos na noite do casamento. Uma chama comeou a arder dentro dela, um desejo infinito. Arrepiou-se no assento de couro.
  Preste ateno no que vou lhe dizer: existe mais do que simples responsabilidade e preocupao com o beb. Os gmeos me contaram que ele aparece todos os dias.
  Sim. Est me investigando: minha dieta, at meus pneus carecas... sinto que ele no confia em mim.
  So apenas desculpas. Ele quer mesmo  ver voc. E o que foi aquela cena no casamento de Greg, hein?
Diana deu de ombros, com a esperana de que estivesse camuflando seu prprio desejo.
  Aquilo foi uma maneira de dizer aos pais dele que estamos esperando o beb dele!  Meu Deus, como isso soava estranho! Talvez Alex tivesse um motivo maior escondido.
 Absurdo. Poderia ter telefonado, enviado um e-mail,  escrito uma carta... sei l! Beijou voc porque queria beijar, no importa o que ele diga.


Sozinho na casa, Alex tirou o palet e afrouxou a gravata. Uma grata satisfao invadiu seu corao. Sabia que se conseguisse que ela dirigisse o carro, ela o aceitaria. Mais um utilitrio luxuoso do que uma simples caminhonete: era como dirigir um sonho.
Gostava de tornar a vida mais fcil para ela, odiava v-la brigando com aquele ferro-velho. Um estresse adicional que nem ela nem o beb precisavam.
Sentou-se  mesa da cozinha saboreando a salada de maionese especial e o caderno de Economia e Finanas do jornal.
Uma hora mais tarde, tirou os olhos do artigo sobre o Mercado de Aes Asitico, certo de que ouvira um baque l em cima. Levantou-se e prestou ateno, procurando escutar algo. Silncio. Era sua imaginao.
No, agora escutara o zumbido de vozes infantis matraqueando. Sorriu, os gmeos estavam acordados.
Subiu as escadas e encontrou... nada. Sem crianas. Mas no quarto vazio de Jack pode ver a evidncia de sua recente presena: um sanduche de lenol e cobertor e mais brinquedos e livros espalhados pelo cho. Seguiu para o de Miriam, mas logo parou com o caminho bloqueado por uma mesinha de brinquedo. Cercada por quatro cadeirinhas, estava arrumada para a festa maluca da hora do ch, com cartes personalizados em cada lugar, xcaras e bules, tudo arrumado.
Intrigado, aproximou-se. Na frente de um urso gigante de pelcia estava um carto escrito em letras verdes meio tremidas: Jack. Na cadeira ocupada por Minnie, um carto igual onde se lia Miriam. A Barbie tambm ficara para o ch, Mame.
O boneco Garibaldo, da Vila Ssamo, fora nomeado Alex.
Alex ficou sem ar, emocionado. Mantinha os olhos grudados naquela famlia de brinquedo. Descobrir-se membro da famlia, por iniciativa das crianas, fez com que ele se sentisse nas nuvens. E com o corao apertado, contorcendo-se no peito.
Aquilo era tudo o que ele sempre quisera. Como faria esse sonho tornar-se realidade?
E, ento, outro baque surdo veio de fora do quarto. Mas... de onde? Em cima?
No corredor, ele procurava a origem do misterioso barulho que, na certa, indicaria onde estavam os gmeos.
No sto? Como subiram at l?
Abriu a porta do quarto de hspedes e viu a escada, encostada em um buraco retangular no teto. Os dois peraltas estavam se aventurando pelo sto de Di.
 Jack! Miriam!  No sabia o que estava acontecendo l dentro. E se tivessem se machucado?  Jack e Miri, respondam!
Uma gritaria saudou seu chamado.
 Tio Alex!
Era Miriam descendo a escada e atirando-se em seus braos, o rosto coberto de p, a camiseta e short imundos, como sempre.
  Ol, minha querida!  Abraou-a bem apertado. Depois lavaria a camisa...
  Onde est a mame?  Jack perguntou enfiando a cabea pelo buraco no teto.
 Ela foi ao mdico com sua vov. Venham vocs dois, seus bagunceiros!  Colocando a sobrinha no cho, ofereceu a mo para Jack descer.
 Me ajude, tio Alex.
O garoto desapareceu dentro do sto. Logo em seguida, Alex ouviu algo sendo arrastado acima do teto.
 Menino, o que voc est fazendo?
  Suba que voc ver.  A voz de Jack soava marota. Miriam, a seu lado, puxava-lhe a cala.
 Por favor, tio, por favor, ajuda a gente, tio!
 Claro. Ajudar a fazer o qu?  concordou, percebendo tarde demais com o que estava se envolvendo!
Rapidamente, Miriam subiu a escada e parou, olhando para o tio.
 Vamos ajudar mame a arrumar o quarto do beb.  E entrou atrs do irmo.
Alex hesitou por um instante.
 O que mame disse a vocs sobre o beb, doura? Subiu a escada e colocou a cabea pela abertura do teto.
Cheio de caixas e mveis empilhados, o sto estava abafado, escuro e cheio de p. Podia vagamente ver as duas crianas na penumbra, empurrando um mvel retangular. Entrou e chegou mais perto. Era um bero.
 Ei, crianas, esperem!  Sentou-se sobre uma caixa etiquetada "LIVROS" em letras grandes.  Crianas, cheguem mais perto do tio.
Jack veio e sentou-se em seu colo. Miriam encostou-se nele, que logo a abraou.
 O que a mame disse a vocs sobre o beb?
 Que  seu beb e no vai ser nosso irmo ou irm de verdade.  Jack parecia triste.
Os olhos de Miriam se franziram, preocupados.
 Mas isto no est certo. Mames e papais fazem bebs juntos, no fazem? E o papai foi embora. Voc deu para a mame o beb dela?
O queixo de Alex caiu a seus ps. Engoliu em seco.
 O beb  de tia Tmara e meu.
Os dois rostinhos, transtornados, encaravam-no fixamente.
 Mas no pode ser. Tia Tami est no cu com os anjos, mame disse.  Jack saiu do colo dele. Voltou ao bero, tentando pux-lo.
 E est na barriga da mame. Isso faz ser o beb dela!   com os lbios tremendo, Miriam juntou-se a Jack para ajud-lo.
Ambos estavam confusos de dar d e ele sabia que explicao nenhuma iria ajudar. At onde entendiam, sua tia estava no cu com os anjos, que no criavam filhos.
Suspirou, frustrado.
 Por favor, confiem em mim.
Os gmeos entreolharam-se e continuaram tentando empurrar o bero para a escada do sto.
 Ei!  Alex agarrou o mvel.  Esperem um minuto.
 Leva o bero para baixo, por favor? O beb vai precisar de uma caminha para dormir!  Miriam pediu meio que choramingando.
Alex ajoelhou-se ao lado da sobrinha e pegou-a nos braos.
 O beb vai viver comigo. Ele, ele  meu beb. Os olhos dela encheram-se de lgrimas.
 No! Apertou-a nos braos.
  Mas e o leitinho cheio de sade da mame?  Jack indagou.  Ela diz que ele vai ter que mamar bastante para ficar forte como ns!
Leite cheio de sade. Submeter-se a um tratamento de canal sem anestesia seria mais fcil do que continuar a conversa. Inspirou profundamente.
 Voc est certo, Jack. O beb ter de viver com sua me at... at... durante algum tempo.
 Oba!  As crianas gritaram em unssono, e Alex encolheu-se, receoso que alguma vidraa se quebrasse.
 Agora vamos levar o bero para baixo, com cuidado.
Diana chegou quando Alex tentava colocar a mesa de trocar fraldas no armrio. As crianas desceram correndo para ver a av.
 O que voc est fazendo?
  Estou colocando isso no armrio para ganhar mais espao.
 Boa idia, eu acho.  Acercou-se dele.  O que  isso?
 A mesa de trocas do beb.  Concluindo a tarefa, aproximou-se e examinou o ventre protuberante.  E a, como foi?
 timo. Estamos os dois per-fei-tos!
 E a nova caminhonete?
Ela bufou, fazendo um beicinho.
 Alexander, voc tem que parar de fazer essas coisas!
 Voc vai ficar com ela?
  Eu adorei o carro. Obrigada.  Inclinou-se e deu-lhe um rpido e tmido beijo no lado do rosto.
 Voc merece.  Embora fosse um beijo rpido, Alex se deliciou como h muito tempo, desde a morte de Tami, no fazia. Com exceo, claro, daquele beijo na festa de Greg. O corao disparou com a memria.
 Mas voc est virando a minha vida de ponta-cabea, sabia? E o que est fazendo com o meu quarto de hspedes?  A voz dela estava mais calma.
 Seus filhos me convenceram que o beb deveria viver aqui depois de nascer.
 O qu?  Um sorriso abriu-se nos lbios de Diana,  Alex, voc fez questo de enfatizar que este beb no  meu.
 Como  que voc espera amament-lo se ele no estiver ao seu lado?
 E como voc quer se tornar um pai se o seu beb no estiver com voc?
Ele parou para pensar.
 Isso no ser para sempre. E olhe, os gmeos, no entendem o que est acontecendo. Estavam tristes porque o beb iria viver comigo e ficaram to felizes quando concordei em arrumar o quarto... que no pude dizer no!
Diana franziu a testa e cruzando os braos sobre o peito, num gesto matriarcal.
 Ser pai tambm  dizer no de vez em quando, Alexander.
 Mas, agora, neste momento, no esto preparados para aceitar que este  o meu filho. Meu e de Tmara. Eles vo entender, e quando isso acontecer, eu o levarei para casa.
 Talvez voc esteja certo.  Ela sentou-se na beira da cama.  Eles vo ficar com cime ou enjoar logo de quem vier. A, ento, voc se muda.  E deu-lhe um sorriso animador.  Bem pensado.
Alex sentia-se orgulhoso. Ser pai no era to difcil assim. J havia arrumado acomodaes para seu futuro filho. Ela continuou, desapontada:
 Mas talvez sintam falta dele quando for embora.
 Oh! No, ns vamos estar quase sempre aqui  Alex prometeu, sentindo-se generoso.  Viremos sempre visit-los, passar um tempo juntos. Quero que eles sejam muitos unidos.
  O nico problema  que no posso dar conta de trs, eles dois mais o beb. J pensou numa bab?
Ele gelou ao pensar em empregados, estranhos. Para cuidar do beb?
 No, no pensei,
 Ento quem vai fazer isso?  estava irritantemente razovel.  Mame trabalha e eu tambm. E voc, tambm. Posso tirar uma folga, mas e depois?
Alex examinava a cama sobre qual Diana sentara. Era menor do que a dele, com o colcho tamanho extra grande. Mas ele podia aguentar. Pelo filho.
Vacilou um pouco antes de perguntar de uma vez:
 No tenho o direito de pedir, mas posso ficar aqui? A expresso de Diana abriu num largo sorriso.
 Claro, pode, eu acho.  Deu uma boa inspirada, enchendo o peito de ar.  Imagino que isso resolva a maior parte do problema, no resolve?
Tentava desviar os olhos dos seus seios.
 Eu... eu imagino que terei de tirar uma folga do escritrio at que o beb esteja maior o suficiente para viver comigo e passar o dia com a bab ou no berrio. Mas no farei nada at que ele esteja bem grande.
 Bem grande?  perguntou ela em tom de zombaria, levemente irritadio. Encostou-se no colcho, apoiando-se nos cotovelos. Aquela postura puxava seu vestido contra seus seios.
Sua temperatura subiu, deixando a boca seca e o pulso disparado como se tivesse corrido uma maratona.
 Bem, eu... eu ainda no decidi quando. Vamos aguardar o parto e ver como ele se desenvolve. As crianas no so todas diferentes umas das outras?
 No d para discutir, cada caso  um caso.  Os olhos verdes dela piscavam quando falava com ele. Deus, como viver numa mesma casa com uma Diana atiando-o e no quer-la.
Ele no podia. Viver numa grande casa, com um jardim imenso, no meio daquele bairro afastado em Shadownook, podia ser o paraso ou o inferno... ele ainda no sabia. Mas descobriria em alguns meses.
 No chegou a hora de comearmos a falar sobre o nome do beb, ao invs de "beb", ou ele, ou...
 Agora no. Tmara e eu sempre discutimos isso bastante. Ela queria esperar e ver com que nome o beb pareceria. Escolhemos uns dois nomes, mas queramos conhec-lo primeiro.
  Bem, na verdade, no se fica conhecendo o beb...  brincou Diana, alisando a barriga.  Alis, acho que ele e eu j nos conhecemos muito bem.
 Verdade?  Alex sentou-se ao lado dela na cama.  E o que voc sabe sobre ele?
 Sei que ele  uma corujinha noturna.
 Ah, no!  reclamou.  Sou um homem totalmente diurno.
 E gosta de danar  meia- noite.
 timo.
E os dois caram numa gostosa gargalhada. Alex, envolvido pelo bom humor de seu belo par de olhos, no se conteve ao abraar a cintura dela.
Ela se virou, encarando-o surpresa. Tirou o brao em seguida.
 Ah... a propsito, mame e eu passamos pelo seu escritrio na volta para casa.
 Por qu? No  o caminho mais curto.
  S estava experimentando o carro novo. Anda que  uma maravilha.
 Que bom.  Sabia que no resistiria quando pusesse as mos na direo.
  Quis mostrar a ela um edifcio l perto, onde estou fazendo o paisagismo. Sabe, eu poderia fazer maravilhas pelo seu escritrio. Voc no quer conversar com o Greg sobre aprovar um projeto? Poderia transformar aquele prdio num espetculo.
Ele resmungou.
 Aquela casa velha  nada mais do que um buraco negro que suga dinheiro.
 Que nada,  bela e digna. Em cinco anos vocs estaro contentes de t-la comprado. Aquelas casas Vitorianas reformadas valem fortunas. Mas voc precisa injetar dinheiro para fazer o investimento gerar lucros.
 Est certo  disse andando pelo quarto.  Faa seu oramento e o projeto e ns trs marcaremos uma reunio. Mas no se esforce demais no trabalho. Voc no devia estar reduzindo um pouco seus compromissos?
 No vejo por qu.
 Temos que comear o curso de acompanhante, a tcnica Lamaze. Queria fazer com voc e pratic-lo.
  Se voc pensava assim, por que me comprou a caminhonete?
  Porque sei que voc precisa de uma agora. Estou falando sobre mais tarde.
 Alex, por favor, no me diga o que eu tenho que fazer.  E levantou-se, decidida.  Pare de reorganizar minha vida, est bem?
 Crianas fertilizadas in vitro sempre correm o risco de nascer prematuras. Me escute, eu sei do que estou falando.
 Eu me sinto tima e o dr. Mujedin acha que a gravidez progride muito bem.  Bateu na barriga com as mos em concha, suavemente.  No se preocupe. Se sentir algo estranho, prometo que paro com tudo. Mas sou uma saudvel mulher de vinte e oito anos que pode ter dez filhos, se quiser!
Ales virou seu rosto para o lado.
  Tami tambm pensava assim.   
  Ei!  disse gentilmente, tocando seus ombros.  No h razo para se apavorar.
  No estou apavorado.  Mas a voz dele saiu muito alta.
Diana continuou a tocar seus ombros, passando a mo suavemente em suas costas. As mos dela eram como um blsamo, at que apertou um msculo repuxado e pressionou. A dor o fez afastar-se, mas sem se esquivar do toque,
 Voc tem que relaxar. Fica para o jantar?  Os olhos grandes e verdes estavam cheios de... do qu? Pena? Ternura?
Alex a queria, mas no se o sentimento dela fosse piedade. Era melhor pr um ponto final no que quer que estivesse acontecendo entre os dois.
 E o que temos no cardpio desse jantar?
 O que Irina cozinhar,
 Irina cozinhando?  Ele tentou parecer casual.  Vou ligar para o escritrio e dizer para no me esperarem o resto da tarde.
 Estou muito feliz que a cozinheira seja a razo. Desapontada, Diana saiu do quarto. Desceu a escada e saiu da casa. Atravessou o gramado at um banco de pedra ao lado de um pequeno lago e sentou-se l, imvel. Observava a superfcie lisa da gua, deixando os pensamentos se aquietarem.
Alex podia lan-la numa tempestade em um piscar de olhos. No conseguia decifr-lo. Quando era casado com Tami, era o homem mais bobo, mais desprezvel que conhecera, um perfeito andride.
Mas, agora, comprara-lhe uma caminhonete perfeita, arrumara o quarto do beb e ainda iria morar ali por um perodo indeterminado. E alm do mais, tocara seu corao, convidara-a ao paraso e depois batera a porta em seu rosto. O que estava acontecendo agora?
Quando dissera que deixaria o beb viver com ela, Diana quase gritara de alegria. J amava tanto aquela criana que queria mant-la perto de si. Sabia que seria um timo recomeo para Alex ficar a seu lado aps o parto. Ficava amedrontada em pedir, pois achava-o muito possessivo em relao ao filho. O que teriam dito os gmeos para persuadi-lo a deixar a criana ficar?
Um sentimento de ternura e doura temperada com dor entrou como uma faca em seu corao quando se lembrou do que eles disseram, o que sentiam.
Alex era muito gentil. Quantos homens se importariam com o que sentia uma criana de quatro anos? Alex se importara.
Depois dissera que viveria ali com ela, abraara-a e sem mais nem menos se afastara e mudara de assunto.
A tartaruga levantou a cabea da gua e nadou at o centro da lagoa. Aps alguns minutos, a gua ficou imvel novamente, como um espelho a refletir o cu. Diana lembrou-se da primeira vez que instalaram o mvel das crianas. Steve se fora havia dois meses quando ela e Irina escolheram tudo por um catlogo. Montaram os mveis no atual quarto de Jack. A me lhe dera muita fora ficando a seu lado, mas chorava at os olhos embaarem, ficarem vermelhos e com o nariz entupido o tempo todo.
Alex era totalmente diferente. Gostava de dar, justamente onde Steve havia falhado. Steve nunca se importara com sua caminhonete, na verdade, uma vez usara o dinheiro da prestao para comprar um nova prancha de neve!
Alex estava confundindo-a e deixando-a muito brava, mas... Ei! Ningum  perfeito, pensou.
O desejo que tinha de controlar sua vida provinha do seu    amor pela criana. Queria que se importasse com ela tambm, mas no podia culp-lo.
E l vinha Alex, carregando dois copos. Estava com as mangas arregaadas, a gravata sumira do colarinho. Lembrou-se de v-la em cima da cama. Ser que tinha deixado uma pea de roupa em cada parte da casa?
Quando vivessem juntos, sem dvida marcaria sua presena masculina: tampas do toalete levantadas, exemplares do Jornal dos Esportes espalhados na mesa de caf. Queria isso na sua casa?
Observando-o caminhar em sua direo, um frisson de prazer atravessou-lhe o corpo. Sim, ela queria isso, e queria-o, alto, atraente, andando pelo gramado com aqueles cabelos louros despenteados, em sua direo, como se estivessem  espera de seus dedos entre os cachos louros... Queria-o mais do que jamais quisera algum, e no sabia como iria se controlar quando estivessem juntos. Por que concordara, ento?
Por causa de algum em seu ventre, para o bem da criana, com certeza.
E para benefcio de Alexander, tambm. Ensinaria tudo para ele. Dar banho, trocar as fraldas, passar cremes para assaduras, tudo! At ter certeza de que poderia cuidar sozinho do filho, antes de entreg-lo.
Deixando-os ir embora aps viver meses juntos? Isso seria descer ao inferno! Como enfrentaria essa perda?
Engoliu em seco a idia e afastou da cabea aqueles pensamentos to horrveis.
Alex entregou a Diana um copo de limonada fresca. Ela provou a bebida enquanto o examinava-o de cima a baixo, emudecida. Parecia ter relaxado, a julgar pela aparncia amarrotada. Esticou a mo para avaliar sua observao, cutucando o dedo em seu ombro de pedra.
 Ah! Ou voc tem malhado demais ou ainda est em forma.
 Neste vero, levantei um pouco de peso e corri quase todo dia.
Posso imaginar como ser seu corpo nu. Essa idia atravessou como um relmpago a mente de Diana, enviando uma sensual onda de calor  ao longo de seu corpo.
Ele virou-se para encar-la, seus olhos escuros e srios.
 Eu tenho medo, sabia? Voc acerta de primeira, quanto tenta.
Diana mordiscou os lbios.
  Eu no quis te machucar, nem te fazer admitir algo que voc no quer falar.  Bebeu toda a limonada, pondo o copo no cho.
 Est tudo bem.  Ele deixou seu copo no banco e tomou-a em um abrao carinhoso.  Eu no suportaria se algo acontecesse a voc ou ao beb.
Ela tentava duramente manter-se calma. O humor e o sentimento de Alex eram obviamente diferentes.
Queria responder ao abrao mais solta, abra-lo com bastante fora e apertar o corpo glorioso contra seus seios e mesmo morder delicadamente seu sensual lbio inferior... Que loucura!
Mas sabia que, com aquele corpo inchado, ele no poderia desejar toc-la tanto quanto ela o desejava.
 Alex, voc est cuidando to bem de mim que acho que nada poderia acontecer.  Deu-lhe um abrao fraternal e depois afastou-se.
Ele parecia desapontado?
Que nada... Ela  que estava sonhando.






CAPITULO X



Diana tirou as luvas de jardinagem e levou as mos s costas, esticando o corpo. No sexto ms de gestao, ela j podia sentir o peso da barriga.
Girou a cabea e descobriu Alex olhando-a da janela da antiga casa Vitoriana, onde ficava o escritrio financeiro Chandler e Holloway - Finanas e Contabilidade, que agora estava sendo reformada. Fez mmica para ela:
 Voc est bem?
Respondeu-lhe com um sorriso e com gesto de positivo.
Aps semanas de insistncia e negociao, Diana os convencera a adiantar parte da verba para projeto do jardim e arredores do velho prdio Vitoriano.
Ela adorava seu trabalho e estava se deliciando em dar vida nova ao jardim. Planejara-o ecleticamente, com bancos e um pequeno lago, perfeito para um ch ou almoo ao ar livre. Plantaria as flores e plantas que obedecessem as estaes, enquanto camlias dariam a cor permanente e chamariam ateno. Estava cuidando das reas sem luz natural direta para as plantas coloridas que gostam de sombra.
O vento de outubro revirava as folhas a seu lado, enquanto ia at a caminhonete guardar as luvas. Aproveitou e poliu a superfcie amarela do carro com a manga da camisa.
Muito obrigada, minha querida Tami. Ou Alex. Ou qualquer um.
Ela decidira aceitar o presente, parar de se torturar com questes que no podia responder.
Aprender a confiar em Alex fora um grande passo, reconheceu. Ao aceitar o carro, comearam as mudanas em suas emoes. Aprendera que confiar em um homem podia ser... bom.
No sabia se seria possvel algo alm disso. Abaixou a porta da caminhonete e se preparou para carregar um imenso bordo japons para o buraco que cavara prximo  janela de Alex. A folhagem verde, parecendo renda, ficaria prpura no outono.
Quando caam as folhas, os ramos vermelhos apareciam mais, dando cor ao inverno. Ele teria um belo espetculo da janela de sua sala.
Aprumou o corpo para pegar a raiz da rvore, acondicionada em plstico. Levantou e abraou a raiz com os dois braos, lembrando-se de firmar os joelhos e manter a espinha reta at chegar perto do buraco. Achava que era melhor confiar nas suas pernas para carregar aquele peso, mais do que em suas costas to maltratadas. Deu dois passos vacilantes na direo do buraco antes de sentir uma dor aguda nas costas. Derrubou a rvore no cho gritando com a dor insuportvel. Cambaleando, abraou-se antes de cair na grama macia.


Escutando o grito, Alex olhou janela afora. Diana cada no gramado.
Oh! Meu Deus. Ser que o beb est vindo?
Prematuros eram comuns entre o bebs fertilizados in vitro, j estava cansado de repetir. Sabia que devia ter feito Diana parar de trabalhar no comeo de outubro, mas ela prometeu no abusar.
De repente, murmurava em voz alta:
 Meu Deus, por favor, Meu Deus, por favor!  Quando desceu em disparada para o gramado.
Greg seguiu-o, desorientado.
  O que aconteceu?
 No sei, disque 911.  Alex ajoelhou-se ao lado dela. 
Respirando com dificuldade, ela choramingava e resmungava de dor.
 O que , me diga, o que foi?
Ele tentava respirar e parecia estar se controlando.
 A rvore... A maldita rvore. Quase torceu a... minha... coluna!
 Tem certeza que no foi o beb?
 Ah! Sim. Tenho certeza. No estou tendo contraes... nada.  a maldita coluna!  Ela fechou os olhos, apertando-os com a dor.
Alex suspirou de alvio.
 Apenas relaxe, Diana. Greg chamou uma ambulncia. Abriu os olhos e arregalou-os.
 Chamou uma... ambulncia por causa de uma dor nas costas?
  No vou arriscar. Vou dar um jeito do dr. Mujedin encontrar-nos no Pronto-Socorro, s para dar uma examinada geral em voc e ter certeza que est tudo bem. Certo?
 Alex...  um ar de exasperao atravessou a sua face.  Bem, est certo. Acho que voc  louco, mas nada que eu disser o far mudar de idia.  E deu uma suave inspirada.
 Pare de falar.
 Voc ganhou esta discusso, mas no porque voc est certo, escutou?  porque estou sem foras para brigar com voc.
Ele deu uma risada com essa atitude boba dela. Apesar de preocupado. Ela pode ter se machucado, e no queria nem pensar... machucado o beb.
  Contanto que eu ganhe. Lembre-se disso, certo?  Abaixou-se e beijou-lhe a fronte suada.  Alex joga para ganhar.


 Sra. Randolph, daqui para frente a senhora precisa ser mais cuidadosa.  O dr. Mujedin estava auscultando a barriga de Diana, agora vestindo um avental azul de hospital.  Tenho certeza de que a senhora  uma jovem saudvel, mas no pode continuar a fingir que no est grvida.
Alex colocou a cabea pela porta da sala.
 E como est o beb?
 O beb est bem, mas Diana precisa reduzir as horas de trabalho.
Diana escutava ressentida. Podia v-lo dando um murro no ar, cantando vitria sobre o ombro do mdico.
 Sra. Randolph?
 Ahn... Sim, doutor.  Ela mudou o foco de seus olhos para o mdico, fumegando de raiva com Alex.  Mas trabalhei at os gmeos nascerem!
 Mas uma gravidez  diferente da outra. Ela perguntou, turrona;
 Mas o que  exatamente que voc quer que eu faa?
 Diminua as horas de trabalho. Exercite-se moderadamente. E evite trabalho fsico pesado.  Sorriu para ela.  Comece suas aulas da Tcnica Lamaze de parto, com o sr. Chandler e... d-se ao luxo de ser mimada. Desfrute este momento especial de sua vida.
A ltima vez que estivera grvida, quase enlouquecera  preocupada com o futuro. Agora, por causa da sabedoria de sua irm, no passava por apuros financeiros. Ele estava certo. Podia contratar algum para fazer o trabalho dela, enquanto supervisionava e descansava ao mesmo tempo.
Suspirou alto.
 Parece timo.
 Estou contente que estamos todos de acordo. Sr. Chandler, eu vou liberar Diana. Tome conta dela.  E saiu da sala.
Ele levantou-a da mesa de exame e a ajudou a andar, amparando-a com seus braos.
 Nada de brigas?
Sacudiu a cabea negativamente. No ia discutir. O dr.   Mujedin havia tirado toda a sua vontade de discutir.
 Nada de brigas sobre cuidar melhor de voc mesma.
 No. Voc vai me levar para casa e me mimar? Sorriu maliciosamente para ele. Apesar das costas doloridas, seu corpo se sentia maravilhosamente bem quando encostava nele.
Abraou-a com um sorriso nos lbios.
 Ah, sim. Temos que dar uma parada rpida. Para comprar... suprimentos.
 Su-suprimentos?
 Voc vai ver, Di.


Alex parou em uma loja chamada Fuga para o den, que chamou a ateno de Diana. A vitrina da loja no exibia nada alm de livros e CDs de New Age. O que podia o sbrio Alex querer num paraso alternativo como aquele?
Segurando o cotovelo de Diana como se fosse uma boneca de porcelana, Alex ajudou-a a sair do Jaguar e a subir a escada at a varanda. O silncio era total na casa. Os gmeos estavam na pr-escola e Irina ia busc-los e traz-los para casa.
Mas ainda iam demorar bastante.
Encostou os lbios nos cabelos ruivos.
 Vou lhe preparar um banho e depois quero voc... na cama.  E abriu a porta da varanda, empurrando-a com carinho.
Ele me quer na cama.
Seus joelhos sentiram-se fracos e quase fizeram-na cair.
 E... e da ento?
Os olhos de Alex passavam uma ternura arrebatadora.
  Bem, a eu vou mimar voc como nunca foi mimada antes.
No podia acreditar que isso estava acontecendo. No comeo de seu stimo ms. Ela parecia um mamute!
 Oh! Alex...
Silenciou-a com um dedo sobre seus lbios.
 No se preocupe  sua voz transformou-se num sussurro. Os dedos dele acariciavam sua boca, correndo pelos lbios midos dela como num ritual. Tremia a cada toque deles em sua pele.  Tudo vai ser perfeito.
Ajudou-a a subir, levando-a para o quarto e foi preparar o banho enquanto ela se sentava na cama. O pacote da Fuga para o den estava a seu lado na banheira.
 Tire a roupa, Diana.  Ele veio rapidamente do banheiro, entregou-lhe uma toalha e sumiu de novo.
Com dificuldade, tirou o moletom e desamarrou as botas de trabalho. Deitando-se de costas, esticou as pernas para cima e tirou o jeans, as meias e a calcinha de uma vez s.
Escutava as patas de Goldie caminhando pela varanda e deitando-se no tapete preferido. A brisa perfumada carregava para o quarto o cheiro das folhas secas do outono.
 Estou pronto para voc agora.  Escutou apenas a voz de Alex, acordando-a das divagaes.
Enrolada na toalha, admirava o edredom que ela mesma fizera, estendido sobre sua cama. Um trabalho que preenchera horas e horas das longas e solitrias noites durante a gravidez de Jack e Miriam.
Alex tirara o palet e gravata, afrouxara o colarinho e tinha as mangas arregaadas. Alm disso, desabotoara vrios botes da camisa engomada expondo a penugem loura que cobria seu peito. Tinha aquela aparncia adoravelmente desleixada.
Hesitante, ela seguiu-o ao banheiro. Apagara as luzes el-tricas, velas iluminavam difusamente aquele espao funcional, transformado agora num romntico e mgico refgio.
 Oh! Alex  murmurou.
Pequenas ondinhas se movimentavam na banheira de hidromassagem aromatizada com sais de jasmim. Alex deu-lhe mais um beijo suave nas faces.
 Entre na banheira.
Ajudou-a a entrar na banheira, e, como um cavalheiro, virou-se enquanto a toalha caa e ela deslizava dentro da gua aromtica. Recostou a cabea na base da imensa banheira arredondada.
   difcil encontrar uma banheira como esta, Di.  E num mpeto, ajudou-a a deitar sua nuca na borda de madeira, acomodando a cabea sobre uma toalhinha dobrada.
 Fiquei apaixonada assim que a vi. E comprei na hora, mesmo achando que banheira de hidromassagem era coisa de motel ou de gente esnobe  disse, com os olhos cerrados.
 Imaginava longos banhos relaxantes, mas com os gmeos, no tinha chance.  Debaixo das bolhas aromticas, a gua ondulava com seus movimentos.
 Ento, voc e Steve nunca fizeram um banho desses?
Sua voz era ntima e sussurrada enquanto ele massageava sua cabea e pescoo.
 No. E voc e Tami?
 No. No tnhamos uma banheira como essa, com hidromassagem.
 Alex, isto  a oitava maravilha, obrigada. Ele deu uma risadinha inaudvel.
 Estou apenas comeando.  Seus dedos subiam e desciam nos msculos do pescoo, alongando-os. Alcanou a bolsa da loja do den e retirou uma garrafinha plstica com um lquido laranja.
 O que ?
 Um leo de tangerina, para massagem. Humm! leo de massagem. Que bom...
 H? Por que tangerina?
 Nenhuma razo. Me pareceu timo, ao acaso.
E era timo. Muito bom, bom demais! Muito melhor do que timo. Preocupou-se em como iria enxaguar o leo, mas decidiu que no se importava, deixaria assim mesmo. Mais uma vez, cerrou os olhos e deixou os dedos experientes de Alex lev-la a um total relaxamento.
Depois que trabalhou seu pescoo, ocupou-se dos braos em direo s mos, massageando cada um dos dedos por vez e retornando aos ombros e descendo aos dedos.
Ela sempre pensara que Steve era um amante experiente. Mas descobria ali que ele no tinha a metade da sensualidade de Alex: ele a tocava como se mais nada no universo importasse, acariciando cada milmetro da superfcie de suas mos, relaxando cada fibra muscular.
Ele lhe proporcionava prazer alm do sexo. Jamais se sentira acalentada assim.
E, ento, percebeu que a gua havia esfriado. E falou sem abrir os olhos,
 Acho que j posso sair da banheira.
Escutou passos e ele reapareceu. Tendo entrado num estado de divina inconscincia, nem notara que ele havia sado do banheiro.
  Deixe-me ajud-la. No quero voc escorregando no leo.
Segurou-lhe os braos e a toalha, enquanto ela fazia fora para deixar aquele sonho, a barriga e os msculos relaxados fazendo-a se sentir desajeitada.
Pensou que nem o resto da espuma nem a toalha estavam escondendo totalmente seu corpo, mais pesado com a gravidez.
O que ele achava dela? Achava seu corpo atraente?
E lembrou-se de que sua aparncia no importava, que ela importava para Alex... graas ao beb que carregava
No sabia se gostaria ou odiaria esta verdade.
Conduziu-a at sentar-se em sua cama. Notou que transformara o ambiente do quarto numa romntica cabana, iluminada por velas cor-de-rosa perfumadas, quente e acolhedora.
 Deite sobre sua barriga, Diana, se voc ainda puder.
 Na verdade, no. ...  desconfortvel. Mas posso dar um jeitinho com travesseiros ou almofadas.
 Vamos tentar com estes.  E Alex ajeitou travesseiros sob a cabea e os seios, depois sob os quadris, criando um espao para aninhar sua barriga.
 Assim  bem melhor.
Estendeu mais uma toalha sobre ela, cobrindo-a da cintura aos ps.
 Voc tem frio nos ps, no ?
 Estou surpresa de voc lembrar disso.
 Eu me lembro de tudo sobre voc, Diana.
Era amor em sua voz? No ousava pensar que ele responderia aos seus sentimentos.
As duas mos de Alex deslizavam sobre as costas dela, espalhando o cheiro de tangerinas frescas no ar. De olhos fechados, deixou-se outra vez cair num universo mgico, enevoado, onde nada existia a no ser as mos de Alex elevando-a acima das nuvens. Alcanava uma sensao de bem estar indescritvel.
Trabalhou bem os msculos laterais, soltando um a um at o local onde sentira a dor terrvel. Apesar de ainda doer, o toque dele mexia com sua energia sensual, e dava choques delicados que subiam dos ps ao topo de seus cabelos.
Levantou a toalha para expor as pernas, e massageou a base da coluna e os quadris, descendo pelas pernas. Diana afundou seu rosto nos travesseiros deixando o relaxamento subir em ondas atravs do corpo.
 Assim, muito bom.  Seus ouvidos escutavam a voz hipnotizante dele, mais suave. Suas mos descendo lateralmente, massageando a barriga das pernas, at praticamente senti-las grudadas no colcho.
 Agora vamos tomar conta dos ps. Acho que voc devia passar mais tempo com os ps para cima, deixando a tenso sair.
Passou um tempo infinito com cada p, atendo-se mais nas solas.
 Vou mexer de novo naquele ponto das costas, mas serei delicado. Prometo.
Ela acreditava totalmente. Continuou relaxada quando suas mos moveram-se para a base da espinha, delicadamente liberando os msculos retesados, fazendo presso e soltando, e de novo e subindo os dedos da base para os cabelos. Massageou-os, depois a nuca e os ombros, at acender um desejo incontrolvel.
Controle-se, Diana, esta massagem  para a me do filho dele, e no para voc...  ela se repreendia severamente, inspirando e expirando longamente, procurando acalmar sua libido.
 timo. Agora, durma.
Comeou a mexer-se, mas seu corpo no respondia.
  Os ge...
 Fique quietinha. Vou ligar para Irina e, juntos, tomaremos conta das crianas.
Quando se foi, mergulhou seu rosto nos travesseiros, tentando lembrar de todos os motivos pelos quais no deveria se apaixonar por Alexander Chandler.


Fechando a porta do quarto de Diana, Alex atravessou o corredor na ponta dos ps e desceu para a sala. Queria uma cerveja. Na geladeira, foi surpreendido pelos novos desenhos dos irmos. Mriam fizera um rato com orelhas imensas. O desenho de Jack mostrava uma casa com quatro figuras magras como palitos, uma delas, etiquetada Alex, e uma mancha marrom com quatro patas, um tipo de cachorro. A mesa de ch maluca, onde estava presente como Garibaldo, o grande pssaro, no havia sido uma coincidncia. Na interpretao das crianas, ele fazia parte dessa famlia. Sorriu satisfeito.
Depois de beber uma cerveja bem fresca, telefonou para Irina que concordou em ficar com os dois a noite toda. Falou com Greg, que, num golpe de sorte, dissera-lhe que seu irmo mais moo, que fazia a Faculdade Federal em Sacramento, precisava de um emprego temporrio e poderia trabalhar com a Diana.
Satisfeito com as realizaes da tarde, pegou o resto da cerveja e foi para a varanda. Goldie, enroladinha sobre seu tapete, balanou a cauda mas no se moveu de l.
Naquele fim de tarde de outono, o jardim da casa permanecia sendo um lugar to adorvel quanto no vero. Os carvalhos, imensos e ancestrais, emolduravam o jardim enquanto as ltimas rosas continuavam a florescer. Pequenas rvores campestres e arbustos comeavam a adotar tons variados de vermelho e amarelo, como pinceladas sobre o fundo escuro das rvores centenrias.
Tudo em sua vida estava se encaixando no lugar certo. Lembrou-se de uma frase de Irina, durante a festa no hotel Tenho um pressentimento que minha Tmara planejou tudo isso.
Ser que sua doce e manipuladora esposa havia juntado sua meia-irm e ele de propsito? Uma das maiores preocupaes de Tmara, durante a fase final da doena, era o destino de Diana aps sua morte.
Na poca, no quisera discutir o assunto pois recusava-se a aceitar o que ela sabia como fato: que iria morrer e deix-lo sozinho.
Deu um gole na cerveja. Ainda sentia falta dela, mas reconhecia que a gravidez de Diana resgatara-o das profundezas do desespero.
Fora at forado a se preocupar com o bem-estar de outras pessoas, como esta famlia, e fugir da dor da perda.
Levantou o copo para brindar sua finada esposa.
 Um brinde a voc, Tami, uma dama muito esperta.
Seus pensamentos voltaram a Diana.
Tudo nela, a suavidade da pele acetinada, a fragrncia da fmea, a lascvia de seu corpo tentador, lindo e grande com seu filho nele, lembrou-o de que recuperara sua libido imersa em dor.
Ter controlado seu desejo por ela durante a massagem foi uma tarefa rdua.
Tirou a lista de prs e contras de sua carteira, que tinha comeado a fazer.
No lado dos prs escreveu: Deusa Integral do Sexo.
Seria insano de sua parte ter um romance com a me-substituta de seu filho, havia muita coisa a considerar. Era como se Diana segurasse o anel de ouro e ele girasse em volta de um carrossel,
Lar, crianas e famlia eram tesouros que ele alentava.
Se a relao falhasse... tremeu. Seu corao estava em perigo, claro, mas essa era a menor de suas preocupaes.
E os gmeos? Afeioaram-se a ele e seriam machucados caso houvesse uma desavena. Inaceitvel.
Para o bem da criana, fizera planos que poderiam revelar-se inoportunos no futuro.
Viver com eles depois que o beb nascesse, visitas futuras frequentes. Ele apostava, no, ele tinha certeza de que Diana lhe diria a todo momento como criar seu filho.
Tomou uma resoluo.
Continuaria bem prximo dela, mas, de maneira alguma, iria se apaixonar por ela.




CAPTULO XI


  Voc fez o qu?
Na manh seguinte, Diana passava ricota com molho de salsa em uma torrada de po integral.
Alex examinava o desjejum dela com um olhar duvidoso.
 Escute, Randy Holloway  um bom rapaz e vai dar duro trabalhando com voc.
 Este no  o ponto.
O prazer que tivera com a massagem de Alex transformara-se em irritao, quando descobriu que ele oferecera ao irmo de Greg uma vaga na empresa dela.
 Sabe, eu sei que a inteno foi boa, mas voc no devia se envolver.
 Mas  s por alguns meses, at o beb nascer e voc voltar  emendou, procurando flocos de milho na dispensa. Diana sentou-se  mesa, contrariada.
 Voc no entende, no  mesmo? E se eu contratasse algum para ser seu assistente, sem te consultar?
 Eu no estou grvido de um beb fertilizado in vitro. Alm disso, o que voc iria fazer?  despejou leite em cima do cereal.
Ela franziu os lbios, antes de responder.
 Consiga um estudante para fazer o trabalho pesado. Eu me lembro do que o doutor disse.
Alex trouxe seu prato e sentou-se na frente dela.
 Ento est feito. Eu achei que voc disse que no discutiramos mais.
Tentou fazer uma expresso de desaprovao, mas no podia. Pior: no estava conseguido segurar uma boa risada.
 Voc  realmente uma figura, Alex, no ?
 Tmara me dizia a mesma coisa, sempre.
A observao foi como um copo de gua gelada camisa abaixo, lembrando-a de que ele era o marido da sua irm.
Quando acordou e descobriu-o dormindo no quarto de visitas, se sentiu  vontade para arriscar um novo grau de intimidade. A relao dos dois progredira muito nas ltimas vinte e quatro horas, tanto que se permitira sonhar uma vida inteira com Alex a seu lado.
Mas, agora, ele a lembrara que era de Tami e no dela.
Alheio ao caos em seu corao, ele devorava os flocos de milho.
 Por falar nisso, telefonei para a clnica para me informar sobre os horrios do curso de acompanhante, aquele mtodo Lamaze.
 Oh.  Oh! No. Aulas de pr-natal do mtodo Lamaze eram insuportavelmente ntimas. Voc se sentava no tapete com seu parceiro, olhava nos olhos dele e respiravam juntos. Ela no queria treinar com Alex.
 Voc tem certeza que quer fazer o treinamento? ...  um compromisso e tanto. Mame j conhece e sabe como fazer.
Alex estava com um olhar incrdulo.
 Voc est tentando se livrar de mim? Claro que tenho certeza.


Uma semana depois, Alex e Diana comearam juntos o treinamento Lamaze.
Da outra gestao, sentiu-se tomada por um complexo de inferioridade em relao s outras mes, j que estava com sua me no lugar de Steve. Agora, com Alex ali, se sentia uma impostora. No era sua culpa, mas sabia que todos achariam que era seu marido e estavam desfrutando de uma gravidez normal.
A sala estava cheia de casais. A instrutora, uma asitica chamada Wanda, fechou as persianas para a tarde cinza.
Vestindo jeans, Alex estava a seu lado. Levou um susto, pois nunca o vira de jeans, to informal. Estava timo, jeans desbotado grudado nos msculos malhados. Abraou-a na medida em que Wanda passava instrues sobre respirao.
 Fique de frente para seu parceiro e encare-o nos olhos. Alex moveu-se rpido para ela no ter que se mexer. Ela gostou disso.
 Obrigada  murmurou.
 Por voc, tudo, querida  respondeu rpido ao agradecimento.
Sentiu-se nas nuvens. Por voc, tudo, querida! Seguindo as instrues de Wanda, ela e as outras mulheres faziam a respirao curta e rpida.
 Lembrem-se, estamos respirando pelo beb.  Wanda deu uma volta na sala, examinando os casais. Acercando-se dos dois, olhou para Alex.
 Chegue mais perto de sua parceira.
Ele aproximou-se mais, enquanto Diana fechava os olhos e inclinava-se. Estava respirando aquele aroma familiar de sua colnia de limo.
Sentiu seu corpo esquentar como a felicidade provisria que sentia quando estava prxima de seu corpo. Desejava-o tanto que sentia que poderia desmaiar. No poderia mais ignorar o impacto fsico e emocional que provocavam entre si. Teriam que conversar sobre isso.
 Alex,..  comeou, abrindo os olhos. Wanda a interrompeu.
  Mantenham contato com os olhos de seu parceiro. Dem as mos. Respirem,
Alex pegou a mo dela. No era pequena, mas sua mo encobriu-a. Ela passava os dedos nas costas da mo dele como se sentisse cada clula. Outra emoo intensa atravessou seu corpo, quase uma descarga eltrica, como num relmpago.
Ela olhou dentro dos olhos do parceiro. Ele retribuiu, fitando-a com um brilho cndido e honesto.
No podia dizer-lhe. Ele dependia dela para realizar aquele sonho. Apaixonar-se no estava nos planos do trato e complicaria a situao.
Sentiu o beb chutar. Puxou as mos dele sobre a barriga coberta com a tnica violeta.
 Est dizendo Ol para o pai!
 Ol para voc tambm, beb.  E passava sua mos em crculos grandes sobre o ventre.
 Effeurage, muito bem.  Wanda elevou a voz:  Parceiros, podem massagear o estmago da mames em movimentos circulares. Chamamos isso de effeurage, e  muito relaxante.
 Relaxante, nada  Diana resmungou. Era desejo o que estava tensionando seus msculos e fazendo sua pele arrepiar.
 O que voc disse, Di?
 Nada.
 Respire, Di. Respire pelo nosso beb.
Nosso beb. Ser que percebeu o que dissera? Provavelmente no.
 Agora faam uma respirao ofegante.  A instrutora andava ao redor de todos como um co de pastoreio, observando cada exerccio.
Obedientemente, Diana arfava enquanto Alex segurava suas mos. Entreolharam-se. O grande erro. No poderia se concentrar fitando aqueles olhos azuis, infinitos como o cu de junho. Queria beij-lo at que se sentisse como ela, trmula e arrepiada.
Wanda mudou o tom de voz:
 Agora visualize a abertura de seu tero. A mo de Alex sacudiu-se entre as dela.
 Essa eu passo  disse zombando.
 Wanda quis dizer eu!  explicou Diana, suprimindo uma risada.
 Tudo bem. Ento vou visualizar a sua abertura uterina.
 Ah! Sei...  Fechando os olhos, ela tentou. Mas uma abertura de tero parecia com o qu? Sua mente comeou a fantasiar Alex acariciando seus seios, com toques precisos, enquanto ela... Corta, Diana, corta!
Abriu os olhos e encontrou Alex observando-a.
Sua face foi se avermelhando. Era melhor voltar s visualizaes anteriores.
 Agora, vamos fazer outro exerccio. Papais, todos vocs esto de relgio?  perguntou Wanda.
Ele puxou a manga do moletom verde revelando ura relgio digital.
 Humm. Acho que d para contar os segundos. A instrutora distribuiu lpis e papel a todos.
 Vamos supor que mame est sentindo uma primeira contrao. Mes, comecem a respirar. Pais, anotem o tempo.
Diana arfou at sentir tontura. Ento, parou.
 Voc no est respirando, doura. Respire.
 Eu estava quase desmaiando, Alex.
 Oh! Meu Deus, coloque a cabea entre os joelhos e...
 Tambm no  assim. Eu s no quero hiperventilar... A voz estridente de Wanda interrompeu a conversa:
 J estamos um pouco mais tarde, no trabalho de parto e as contraes esto mais rpidas. Vamos continuar, comeando... agora!
Ele anotava o tempo, enquanto ela fazia o exerccio, amuada.
 As contraes tm um espao de cinco minutos entre elas e so muito intensas. Papais, o que vocs fazem, ento?
  Corremos para o hospital!  responderam todos em coro.
  Certo!  Wanda concordou, rindo.  E no esqueam de levar uma maleta com o necessrio para passar a noite l!
Depois da aula levaram os gmeos ao parque. Inquietos depois de terem sido confinados no carro durante a aula de Alex e Diana, eles desceram correndo assim que o carro estacionou. Gritando, foram para os balanos.
Alex pegou a mo de Diana e procurou um lugar mais calmo.
O dia no era dos melhores, estava frio mas pelo menos no chovia. Mesmo o esparso gramado entre o estacionamento e os brinquedos parecia desprovido de cor.
Apenas as jaquetas coloridas dos gmeos, vermelha de Miriam e azul de Jack, davam algum colorido quela tarde sem graa.
Diana sentou-se com certa dificuldade em um dos bancos perto da piscina de areia e Alex ficou ao seu lado, massageando-lhe os ombros. Um carro estacionou e um garoto, mais velho que Jack, passou correndo em direo aos balanos.
Sentiu uma contrao muscular em Diana, atravs dos dedos sobre os ombros.
 Algo errado?
 Talvez nada  respondeu, olhando atentamente seus filhos nos balanos.
Escutou passos sobre as pedras do cho. Virou-se e viu uma loura, vestindo um jeans bem justo sob um moletom largo.
  Ol, Diana.  A loura cumprimentou-a, passando a lngua sobre os lbios com um batom muito brilhante, avermelhado.  Quem  o seu amigo?
Diana se levantou e encarou friamente a loura, um olhar de dio fixo na outra mulher. Mas olhava como se no existisse ningum a sua frente.
 Alex, eu vou dar uma volta pela margem do rio. Voc pode olhar os dois para mim, por favor?  e saiu andando sem esperar resposta.
Ele ficou meio sem jeito, sem entender a sua sada. Era uma pessoa simptica e amigvel. O que ser que... A loura falava alto, enquanto Diana se afastava:
 Voc devia acabar com tanta hostilidade, Diana! Essa bagagem negativa s machuca voc. mais ningum!
A mulher suspirou, desistindo e falou com ele:
  Ela realmente precisa superar o passado. Fomos to amigas no passado. Por falar nisso, sou Sarah Vanellis. Tambm moro aqui em Shadowhook.  E estendeu-lhe a mo.
 Alex Chandler.  E apertou-lhe a mo, arrependendo-se quando sentiu as longas unhas apertando sua mo.
 Ah! Voc  o ex de Tmara, hein?  ela no perdeu tempo.
Alex ficou rgido, tirando suas mos.
 Tmara no  minha ex-esposa. Ela era minha esposa. A mulher deu de ombros.
 Ex-mulher, ex-esposa ou esposa, qual  a diferena?  E deu risinhos, lanando um olhar maroto, atrs de clios escuros e longos.
Para ele, aquela tentativa de fazer humor no teve a menor graa.
  Me desculpe, por favor.  E atravessou o parquinho indo para perto dos gmeos.
No foi  toa que Diana saiu de l! Ele jamais havia encontrado algum to sem tato. Ocasionalmente, passava um dia sem se lembrar da esposa com dor, uma facada. Mas ainda sentia falta dela. Esta mulher, a Vanellis, tinha reaberto a sua ferida quase curada.
Como Diana no voltava, ele teve que aguentar momentos de desconforto at que Vanellis foi embora com seu filho.
Mriam estava enjoada de brincar nas barras e queria que Alex a empurrasse na balana. Jack continuava nas barras.
Provavelmente, ser um timo ginasta um dia, pensou.
Podia ver um Jack adulto, suando, competindo e vencendo as Olimpadas. Riu de sua fantasia.
Um dos dividendos que ganhara com essa gravidez, fora o de ter se apegado bastante aos gmeos. Impossvel imaginar-se no amando uma criana.
Deixou Miriam s um pouco e pegou seu bloco com a lista de Diana. Antes mesmo de escrever Boa Me na coluna dos Prs, reparou que o nmero de itens Pr era muito maior do que os Contras.
Diana apareceu ao fundo do parque e ele tratou de guardar o bloco. Teve a sensao de que a espontnea Diana no iria entender sua anlise metdica.
No era possvel desviar o olhar dela enquanto se aproximava. Usando um legging preto bem justo, suas pernas continuavam bem torneadas apesar da gravidez. A camiseta violeta comprida aderia a cada curva, modelando de uma forma irresistvel os seios grandes e empinados.
Admirou a silhueta de sua barriga grvida delineada no tecido.
Estava com a boca seca e sentindo-se ofegante.
Estamos perto, muito perto, continue no curso...
Quase engasgou ao dizer:
 Muito obrigado, me deixou aqui com aquela mulher.
  H pessoas s quais nem me preocupo em dirigir a palavra.
 Concordo que Sarah Vanellis  detestvel, mas nunca vi voc deliberadamente evitar algum. No parece voc.
Ela no respondeu. E ficou assim.
 O que ela te fez foi to ruim que voc no pode dizer? Uma risada amarga saiu da garganta de Diana.
  Oh, no foi muito. Nada que um monte de mulheres da minha vizinhana no tenha feito.
Alex se sentiu mal. Podia imaginar o que ela e as outras tinham feito. Com Steve.
 Sinto muito, Di. Diana mexeu os ombros.
 Primeiro, ele foi para a parte sul da rua e dormiu com todas as mulheres que pde. Depois foi para o norte...
 Voc no est querendo dizer...
Ela pareceu surpresa antes de cair na gargalhada.
 Sim.  Tentava controlar o acesso de riso.  Ele teve caso com todas as mulheres que conseguiu.
Observou-a e viu que estava com os olhos midos, no sabia se de lgrimas ou das risadas.
 Estou surpresa  continuou.  Surpresa de poder rir disso. Ele me deixava muito zangada.  Parou um pouco para pensar.  No pensei que perderia essa raiva que tanto me consumiu, sabe?
 Voc superou Steve?
 Bem, eu no quero ele de volta, se  isso que voc quer dizer.  A resposta veio rpida como um tiro, tranquilizadora como chocolate quente numa noite gelada.  Mas em se tratando do meu perdo, nenhuma chance. Nem Steve nem uma de minhas amigas  ela cuspiu a palavra como se fosse um gosto ruim.
 Eu no entendo algum assim.  falta de respeito,  desonesto. E para que casar se voc vai ficar traindo sua parceira por a?
Alex sentou-se no banco e puxou a mo dela at que se sentasse.
Ele apertou sua mo um pouco antes de responder:
  Ele no era de ficar por a, me enganando. No no comeo. Ele jurava que eu era a nica mulher que ele amava. Mas minha gravidez mudou tudo.
 Vocs j tinham conversado sobre isso?
 Claro. Mas ele era mais palavras do que ao no campo emocional, creio. ramos imaturos demais. Ter um filho foi... foi o grande teste. Talvez tivesse lidado melhor se fosse um beb apenas. Mas entrou em choque quando descobriu que vinham gmeos. A, comeou a festa do pingue-pongue. E eu tive de enfrent-lo.
  E ele, o que falou?  Alex falou, com um olho nos gmeos. No precisavam ouvir isso, com certeza. Mas estavam no mundo do faz-de-conta, distrados.
 Negou tudo, mas eu confiava na mulher que o delatou. Ele no podia explicar como ela sabia da marca de nascena dele, e num lugar bem ntimo.
Sorriu, simptico com ela, e colocou os braos nos seus ombros,
 E depois ele se foi.
Diana encostou-se nele, num abrao bem gostoso, quente. No podia resistir a nenhum desejo, nem o de abra-la. A presena de Diana em sua vida iluminava qualquer dia cinza e liberava uma energia irresistvel. Mas tambm queria descobrir todas as mgoas dela, para pararem com as diferenas, as virulncias.
 E como voc conseguiu continuar depois que ele se foi? Sorrindo, com muita malcia no canto da boca, ela continuou: 
 No tenho certeza, mas de alguma maneira eu fui aprendendo a seguir. Tinha dezoito anos quando o conheci e achei que seria para sempre. Mas, hoje, dez anos depois, descobri que o queria pelas razes erradas, porque ele era divertido, excitante, e cada dia com ele era uma aventura. Sua vida no tinha nada a ver com a realidade de criar filhos. Mas esse arrependimento me faz muito mal. A gritaria dos gmeos cortou a conversa:
 Mame! Olha para a gente agora!  Desceram os dois pelo escorregador, Miriam na frente e Jack atrs, acabando tudo numa bola de areia, crianas felizes e jaquetas sujas.
 V o que estou dizendo?  disse com os olhos marejados.  Se no fosse por ele, no haveria Jack ou Miri.
Alex acariciou a mo dela, comovido.
 No deve ter sido fcil. Duas crianas e s um dos pais presente.
  No foi. Por outro lado, ningum discutia minhas decises.
Alex moveu-se para o lado. Ela tinha uma mo forte com as crianas, o que significava que seria, sem dvida, autoritria com seu filho, Tomou nota mentalmente deste detalhe para anotar na coluna "contras".
 E Irina, no a ajudava?
 Ah, mas claro! Mame me ajudou muito, mas acreditava que era importante eu errar e aprender com os erros. Fez uma careta.  A Teoria Irina Cohen de Paternidade! Alex sorriu com o bom humor.
  Me parece muito boa. Estou ficando muito excitado com a minha aventura rumo  paternidade!
 Ah! Alex,  a maior de todas. Estou feliz de verdade por voc.  Apertou-lhe a mo, fria sobre o banco de pedra.   Sei que voc ser um timo pai.
Ns seremos timos, queria dizer, mas parou.
Talvez ela tivesse superado Steve.
Mas e ele, tinha crescido atravs da perda de Tmara?




CAPTULO XII



Logo depois que as crianas foram dormir, Alex ajudou Diana a preparar um ch de menta. Levou as xcaras at a sala e acendeu o fogo da lareira, a melhor soluo para a noite fria de outubro.
Diana acomodou-se no sof de couro, enrolada num cobertor e com a xcara quente entre as mos.
  Mame vai viajar no Dia das Bruxas. Voc pode me dar uma mozinha com as crianas?
 Claro que sim. Sair em romaria pela vizinhana  noite, alardeando doces ou travessuras, no ser saudvel para voc. Alis, voc no deveria estar descansando na cama?  Deu um gole em seu ch, olhando para a lareira e imaginando se a madeira que colocara ali iria acender de vez.
 Voc s quer me ver presa na cama  gracejou Diana, atenta ao movimento do fogo.
Meses de flerte, olhares, um beijo inesquecvel e aquela intimidade controlada com Diana haviam testado a sua pacincia at o limite.
Independentemente dos riscos, resolveu tomar uma posio.
Colocou a caneca sobre a mesinha, levantou-se e foi at Diana. Colocou os braos em cada um dos ombros dela, encurralando-a contra o sof.
Trazendo seus lbios a cinco centmetros dos dela, disse:
 Pode contar que sim.
Diana segurou a respirao. Intensos e azuis, os olhos de Alex capturaram os seus e permaneceram assim. Foi como se tivesse mergulhado dentro dela e agarrado sua alma. 
No podia se mover, nem falar e tampouco sabia que atitude tomar.
A respirao dele, com o agradvel aroma de menta, entrava por sua narinas, flutuando.
A embalagem do ch classificava menta como estimulante.
E no era mentira; um tremor sensual atravessava seu corpo. Estava fervendo!
Se ela se inclinasse um pouco para frente, seus lbios tocariam os de Alex.
Teria coragem? Talvez no, mas ele teve.
Tocou seus lbios, suavemente, acariciando-os devagar, sentindo seu gosto.
 Lembra-se do casamento de Greg?
Ela assentiu com a cabea. Estava quase sem voz.
 Quando nos beijamos?  forou um sussurro.  Eu... eu no consigo deixar de pensar a respeito.
  Bem, pense sobre isto  Alex beliscava seus lbios com a boca, procurando entrar.
Seu corao batia em um compasso maluco, no sabia se era certo ou no. Mas no podia negar: dentro dela chamejava um fogo lquido de paixo.
Fechou os olhos e beijou-o tambm, deliciando-se com as lnguas se empurrando, saboreando-se. O barulho do couro e o calor do corpo prximo lhe diziam que ele deitaria a seu lado no sof. Sentia as mos dele brincando com seu cabelo.
Arrepiou-se por quer-lo tanto agora, suas carcias excitando-a de uma maneira que ningum jamais conseguira fazer. As mos de Alex deslizaram pela abertura de seu robe, at apalparem seus seios por cima da pequena camisola, sentindo sua maciez e seu volume. O desejo era incontrolvel.
 Voc est tremendo.  Os dedos de Alex danavam em volta do mamilo, em crculos, fazendo seus seios eriarem. Quando ele colocou a mo sobre a parte mais sensvel, ela achou que estava desmaiando.
Deitou-a de costas para as almofadas laterais do sof e abraou-a com todo seu corpo. Um abrao que desencadeou sucessivas exploses de prazer dos ps  cabea.
Entregando-se quele corpo firme e esguio que a prendia ao sof, ela correu seus dedos atravs do peito de Alex, explorando cada centmetro de sua pele, escorrendo-os pelas costas, aprendendo a conhec-lo e saboreando cada curva e cada superfcie dos msculos.
Enquanto cobria a pele sensvel com beijos, continuou acariciando seus seios. Mexendo-se um pouco e aliviando-a um pouco de seu peso, abriu o robe expondo o corpo de Diana ao fascnio de seus olhos.
Com um gesto rpido, ela tentou juntar as metades do robe. A calcinha e a camisola, esticadas pela barriga arredondada, no escondiam quase nada.
 No, Diana... por favor.  Soltou uma, duas alas da camisola e abaixou-as, para examinar vorazmente os seios de Diana. Abaixou a cabea, beijando seus mamilos e passando seus dentes na borda dos bicos excitados, rosados e eretos.
 Voc no pode estar querendo olhar o meu corpo como... como est  ela falou, suspirando.
 Est como? Grvida de meu filho?  Passou a palma das mos sobre sua barriga e foi descendo, explorando a sua parte mais sensvel, e correndo num arco, os dedos sobre o quadril. Era uma carcia gentil, mas no conseguia reprimir aquele som que subia pela sua garganta, um doce gemido, uma cano de amor.
Alex j tinha afrouxado o colarinho e a gravata, passando a abrir sua camisa, estourando os botes na tentativa de se despir.
Diana foi deslizando sua mo por dentro da camisa para encontrar o paraso, peitos largos e rijos, o torso com que sonhara desde que o vira despido, tantos meses atrs. Estava ali, movendo-se contra sua pele, um deus grego em sua cama atendendo a um pedido.
Passou a ponta de seus dedos pelos caracis dourados do peito, raspando suas unhas suavemente para no arranh-lo, e sensualmente para ati-lo. Sentiu um prazer atnito ao redescobrir a superfcie meio spera de um peito masculino. Ela esquecera-se de como era gostoso fazer amor. Alex fazia tudo de uma forma nova para si, apagando Steve de sua conscincia, embora nunca ele tivesse sido realmente seu amante.
Puxou-o para si, deslizando sua lngua para dentro da boca dele, implorando por outro de seus beijos enlouquecedores, com gosto de amor molhado.
Apertando-o mais prximo de si, estava pronta a sucumbir  seduo, quando ele falou:
 Voc carrega o meu beb, Diana. Isto te faz linda para mim.
Diana soltou-se e se afastou.
 No! No dessa maneira!  Estava chorando e tentava ficar em p.
Ele se ajeitou, recostando-se no sof. O brilho da paixo esvaiu-se de seus olhos, substitudo por uma expresso de perplexidade.
 O qu? O que foi que eu disse? A gente estava indo to bem...
 No quero ser desejada porque sou sua gua reprodutora, Alex.  O choque e a dor machucaram Diana profundamente.
 No  assim... absolutamente no tem nada a ver com isso.  Estava to perplexo quanto ela.  Voc  maravilhosa. Sempre foi, mas eu no tinha visto.
Ela esfregou as mos no prprio rosto.
 Voc no me via por causa de Tami, porque  o marido de minha irm. Talvez isto no tenha que acontecer.
  As pessoas tambm diziam isso sobre a criana que queramos. Eu nunca acreditei no que me diziam e eu... eu no aceito isso.  Levantou, ajeitando-se. Passou as mos pelos cabelos ruivos, ainda brincando com eles.
Ela se afastou do alcance dele, que deixou os braos carem, frustrado.
  Suponho que fiz voc pensar em muitas coisas.
 Isso voc fez  ela conseguiu dizer.
 Vou embora, ento. Nos vemos no Dia das Bruxas, ao entardecer.
Deu um beijo rpido em sua face, deixando-a sacudida, novamente.
Diana no se mexeu. No poderia esticar um msculo antes de escutar o rudo do Jaguar se distanciando. Depois, deixou-se afundar no sof, tremendo.
Seus beijos haviam sido muito melhores do que antes, mais intensos e espontneos.
Mas ele no quis beijar Diana Cohen Randolph, me de duas crianas e paisagista.
De alguma forma peculiar, a famosa possesso masculina queria possuir a me de sua criana.
A idia de que qualquer substituta teria servido para Alex, deu-lhe vontade de gritar. Mordeu os lbios deixando as lgrimas rolarem. Pegou um leno no bolso do robe e assou o nariz. No havia razo para sentir-se envergonhada. No fizera nada, nada errado.
 Ele  um mistrio  resmungou enquanto entornava o ch frio na pia.  Esquea-o.


Vestido como um palhao, Jack carregava uma abbora de plstico cor-de-laranja com uma tira preta. Mriam vestia uma fantasia completa de Minnie com orelhas pretas e grandes, e uma bolsa engraada de couro amarelo, para carregar seus doces.
Diana, fantasiada de fantasma, cobrira o corpo inchado com um grande lenol branco, sumindo debaixo dele. Nada de intimidades naquela noite. Estava com os sentidos atentos. Batia impacientemente os ps no cho da varanda, os trs esperando Alex chegar, ao entardecer do Dia das Bruxas.
Ento o Jaguar chegou, os pneus deslizando sobre as pe-drinhas do estacionamento da casa de Diana. Quando Alex desceu do carro, ela reparou em seu terno com colete, muito bem feitos.
 Voc est vestido de qu, de administrador financeiro?  perguntou quando chegou bem perto.
   isso o que fingi fazer nos ltimos quinze anos.  respondeu com um sorriso afetado e baixou os olhos.  E quem  esta gente? No sabia que voc ia convidar um palhao e uma ratinha para a noite de hoje, Diana.
Os gmeos se divertiram.
  a gente, tio Alex!. Miriam acenava-lhe com a mo enluvada, quase atingindo o nariz vermelho de palhao que Jack usava.
Jack, por sinal, logo se meteu na frente da irm, para mostrar-se sabido.
 Vamos embora. Nicky Vanellis me contou que sua me fez ma do amor.
Diana ficou tensa com o nome, e olhou para Alex.
 A gente sempre d a volta toda no quarteiro.
  Mame, a gente pode ir no centro da cidade hoje  noite?  Miriam se encostava nas pernas da me, fazendo presso.  Por favor...
 Alex, por favor, voc poderia levar estes dois para dar uma voltinha no centro? Eu vou ficar parada aqui, vestida de fantasma e dando as douras aqui deste saquinho para qualquer criana que passar!
Ele assentiu, tentando parecer o mais simptico e compressivo possvel.
 S fique certa de estar dando essas douras ainda embrulhadas, seno...
Ela acenou quando se foram.
Enquanto ele caminhava de casa em casa com os dois, vendo os doces e brincadeiras que ganhavam, reconsiderou sobre a sua situao e de Diana.
Culpava-se por ser desastrado e ter lidado muito mal com a situao.
Mas a culpa no era s sua. Ele no havia flertado com nenhuma outra mulher desde que conhecera Tmara na faculdade, muitos e muitos anos atrs, e da para frente o relacionamento dos dois foi de vento em popa. Nunca duvidaram do amor que devotavam um ao outro.
Mas com Diana era diferente, ele no sabia o que ela precisava.
Jack ia na frente e Miriam estava indecisa, parada no fim da entrada estreita e escura de uma casa. Teias de aranha, verdes e luminosas, reluziam na varanda ao fim da trilha. Caveiras de mentira balanavam penduradas na rede, brilhando no escuro. Alex acendeu uma pequena lanterna que tinha em seu chaveiro e iluminou a trilha para a sobrinha.
Mais tranquila, ela caminhou pela passagem at a varanda e pegou sua ma do amor. As crianas agradeceram Sarah Vanellis, que ficou acenando da varanda.
A resposta veio-lhe  mente como um flash espocando em seus olhos.
Tranquilidade.
Era isso o que ela precisava. Embora Diana negasse, Steve deixara aberto um buraco feio no seu ego e no seu corao, do tamanho do Grande Canyon.
At onde ele sabia, no havia sado com ningum desde ento. E ele era o nico homem pelo qual mostrara interesse em quatro ou cinco anos.
Ela se importava com ele, tinha certeza. Quando se beijaram, vira o brilho de paixo nos olhos cor de esmeralda. Quando tomara aqueles seios na mo, sentira a respirao dela vindo soprar como brisa em seus ouvidos. Sua respirao vinha em suspiros curtos, intensos e crescentes. O poder da resposta dela o deixara perplexo, desejando completar-se com ela.
Diana estivera prestes a entregar-se totalmente, quando ele teve que abrir sua boca estpida para dizer a primeira asneira possvel.
Embora se sentisse orgulhoso de t-la entendido, foi com calma. No podia simplesmente sair correndo atrs dela para pedir-lhe perdo por ter sido um total idiota. No conquistaria Diana, uma mulher determinada e independente, a menos que a convencesse de que a quisera por ela mesma, Diana. E no a portadora do beb. Esfregou a testa.
Seus sentimentos afloraram e se desenvolveram junto com a criana, e assim seria muito difcil persuadi-la de que era ela quem ele realmente queria! E o pior  que mentira para si e para Diana por muito tempo.
Negando seus sentimentos por ela, ele repetia que estava se preocupando com o bem-estar do beb, quando, na verdade, ela era quem captara sua ateno.
A sua misso agora estava duas vezes mais difcil.
Mais tinha de realiz-la. Precisava faz-lo. Disso dependia sua felicidade e a de sua famlia.
E os quatro, que logo seriam cinco, eram sua famlia.
  Ei, tio Alex, quer uma mordida?  Segurando sua ma do amor j mordida, l estava Miriam, com a bochecha melada de acar vermelho, a boquinha com pedaos de ma e canela grudados.
Essa eu passo, pensou.
 Muito obrigado, minha querida. Coma voc. Agora no quero.
Depois de fazerem todo o circuito de brincadeira-ou-tra-vessura no centro, voltaram para casa. Chegando, os gmeos colocaram seus tesouros sobre a mesa da cozinha.
 Parece que a coleta de delcias foi boa, hein, crianas? Barras de chocolate, baas, mas doce, pirulitos... uau!  E despejou tudo numa grande vasilha de acrlico azul.
As crianas comearam a algazarra.
  Isso  nosso!  Jack tentou agarrar a vasilha, mas Diana tirou-a da mesa como um raio, mantendo-a fora do alcance.
 Sem nenhuma chance!  disse, firme.  Lembra da conversa que tivemos?
  Que a fada dos dentes ia ficar muito brava se descobrisse buracos nos nossos dentes  Miriam recitou.  e, ento, a gente come um por dia e depois escova o dente!
  Sim, e como vocs j comeram ma do amor, chega por hoje.
Colocou a vasilha em cima da geladeira. Alex notou o desenho de Jack ainda preso com im, na porta. Diana continuou as instrues:
 Todo dia depois da escola vocs podem pegar um doce.  Jack fez cara de choro.
 No comece, Jack, ou no vai comer nenhum dos doces. O menino ento, sorriu candidamente.
  Bom garoto.  Passou a mo por seus cabelos, despenteados e sorriu para Alex.
  Agora acabem de uma vez com a ma, escovem os dentes e cama! Vamos, Miri,
Alex esperava que aquele sorriso significasse que no havia nenhum rancor, que estava tudo bem. Foi ler para Jack, apagou a luz e retornou  sala, encontrando Diana no seu lugar de sempre, sentada no sof bebendo uma caneca de vinho quente com ma.
Ele no falou nada, mas acendeu o fogo da lareira. Diana o observava,tensa.
A aparncia forte dele, de seus ombros perfeitamente encobertos pelo blazer azul, atraram seu olhar.
Alex tirou o palet e a gravata e ficou  vontade. Os plos louros de seus braos brilhavam na claridade do fogo da lareira.
Imediatamente, Diana pensou se ele faria uma nova tentativa e o que ela faria.
O dia seguinte seria o primeiro dia de novembro. O nascimento do beb estava previsto para o comeo de janeiro, dia primeiro mais ou menos, dando boas-vindas ao Ano Novo. E, ento, Alex e o beb se mudariam para l. Iria dormir duas portas  frente do seu quarto, no quarto de hspedes.
Um pouco depois que o beb nascesse, mais ou menos em seis semanas, ela estaria pronta novamente, ao menos fisicamente. Pronta para o sexo, pronta para fazer amor.
E Alex iria estar l.
Ela respirou profunda e infinitamente, deixando o ar penetrar seus pulmes, consciente do desejo pulsando em cada molcula de ar, em cada olhar de Alex, ajoelhado em frente  lareira.
Mas quanto tempo ficaria? Essa questo a intrigava.
Intelectualmente, ela acreditava que faziam parte de uma mesma vida, uma mesma entidade. Mas dentro de seu corao ainda havia o medo. Depois do que ele dissera naquela noite, ela no sabia se podia confiar nele ou em si mesma.
Alex parou de mexer na lareira e veio para perto dela no sof. Abraou-a e ela aninhou seu corpo nos braos fortes, carinhosamente.
Ela sabia que devia sair do abrao, mas no o fez. O calor do aconchego era gostoso. Com um suspiro, deixou-se derreter dentro daquele aconchegante abrao.
  Eu sei que disse a coisa errada, da maneira errada, naquela noite.  Sentia o hlito em seu ouvido, quente, fluindo.  Ser que voc no pode simplesmente... esquecer?
Ela se endireitou.
 No  algo que uma mulher possa se esquecer facilmente.
 Voc vai ter tempo suficiente para esquecer minha estupidez  disse de esguelha.  Vo ter outras coisas estpidas para voc perdoar.,
Diana remexeu-se com uma risada.
 No como aquela, eu espero.
 No, assim no, Diana, olhe para mim, por favor. Segurou seu rosto nas mos. Percebeu o carinho nos olhos dele um segundo antes de beij-la, levando-a a uma dana sensual que teria apenas um fim.
Os olhos verdes se fecharam para o mundo quando respondeu ao beijo com mais paixo ainda do que antes. Sua fragrncia, floral com uma pitada de musk feminino, penetrava em suas narinas, fazendo seu sangue fluir velozmente, quente, pelas veias. Afastando-se, ela interrompeu subitamente o beijo. Cedo demais, ele achou.
 No devamos estar fazendo isso, as crianas...
 No esto aqui. Ns estamos.  E cobriu seus ombros e pescoo com beijos apaixonados, como se quisesse engolir Diana de uma vez..
Diana respirou e pegando impulso, soltou-se de alguma forma. Botou a mo trmula nos lbios, encontrando-os inchados, sensveis. Passou a ponta dos dedos sobre a extenso dos lbios.
Ele resmungou:
 Diana, por favor. Para uma mulher que diz no, voc est muito confusa.
  Estou? No queria estar, juro!  E deixou as mos carem para o lado.
  De verdade.  Soltando-se, ele rumou para a porta, alto e precioso e to... Oh! Alex a deixava sem ar.
 Eu tenho que ter certeza, Alex.
Ele girou a maaneta, ainda olhando para ela, zangado. Diana sentiu-se nua, sem defesa. Seu corpo sujeitado a uma necessidade no preenchida.
Se Alex dissesse uma nica palavra, ela seria dele.
 Eu vou esperar por voc.
A porta bateu quando ele se foi.








CAPTULO XIII



No dia de Ao de Graas, Diana levantou-se s seis da manh, com a firme inteno de fazer render ao mximo o tempo de que dispunha antes que os convidados chegassem. Mas descobriu que estava muito lenta.
Deu graas a Deus por sua me existir. Irina oferecera-se para pegar os gmeos na escola na quarta-feira de tarde e ficar com eles o resto do dia. Responsvel pelo preparo do peru, ela os levaria s trs horas, quando as festividades comeassem. Alex dissera que viria s duas horas dar uma fora na arrumao da mesa e cozinhar algo para complementar o menu principal, mas no queria sobrecarreg-lo com atribuies.
Colocou um vestido bem folgado, estilo hippie, com nuvens e um arco-ris bordados sobre o peito. Parecia mesmo uma hippie, com o vestido rosa e azul e um leno hindu cor de rosa amarrado na testa, segurando seus cabelos ruivos, agora em longas madeixas.
Alex comprara um novo colcho para o bero, alm de uma confortvel cadeira de balano, que ela iria usar para amamentar.
Nenhum dos dois quis saber o sexo do beb antes do nascimento, assim, Diana comprou roupinhas que servissem tanto para uma menina quanto para um menino. Alex j colocara um pster do Pato Donald em cores vivas e brilhantes no quarto.
Sentou-se na cadeira de balano. Nesses dias tudo parecia cans-la. Embora esperado no incio de janeiro, o beb havia descido um pouco cedo demais, deixando o dr. Muje-din preocupado.
Fora ento que submetera Diana a um regime de descanso parcial e medicao para retardar o nascimento e acelerar o desenvolvimento dos pulmes, em caso de no ser possvel evitar o parto prematuro. A medicao deixava-a exausta e enjoada a maior parte do tempo.
Alex, no entanto, estava ajudando-a quase que integralmente, excetuando-se as horas de trabalho no escritrio. Os beijos de boa-noite se tornavam cada vez mais longos e apaixonados. Sua condio fsica e duas crianas sempre presentes e impressionveis no permitiam qualquer intimidade maior.
Ela o amava mais e mais a cada dia. Mas no confiava nos seus sentimentos nem nos dele. Ento, engolia de volta todas as palavras de amor, assim que deslizavam para a ponta de sua lngua.
O beb mexeu-se, ela acariciou seu estmago. A criana havia tomado gosto por se mexer mais de manh, nesses ltimos dias. No entanto, hoje sentia uma caracterstica diferente nos chutes e empurres. Meses atrs, ele ainda nadava livremente em seu ventre. Agora, dera para retorcer-se, causando-lhe at caibras.
 Voc no v a hora de nascer no , querido?  sussurrou para seu filho.  Bem, mame tambm quer voc aqui fora. Estou louca para conhecer voc, meu amor.
S ento percebeu de estalo o que estivera fazendo. Percebeu na hora.
Esse beb era seu. Embora carregasse os genes de Tmara, foi o sangue e a medula dela que o nutriram desde o incio, oito meses atrs.
Ela daria luz e vida a ele, seus seios o alimentariam.
Este era o seu beb. Nunca desistiria da criana.
Fechou as mos e colocou-as sobre a boca, sentindo-se horrvel com este pensamento. Alex. Oh! Deus, este era o beb de Alex, a criana que ele e Tmara tinham dado o sangue para ter. Ele precisava mais de uma famlia que ela. Como ela podia pensar em priv-lo de tamanha alegria?
  Ele me odiar se eu quebrar minha palavra  falou em voz alta, para o vazio.
Lembrava-se do que dissera a ele quando conversaram sobre Steve.
 Quanta desonestidade!  Alex sempre fora escrupulosamente verdadeiro com ela e com todos, especialmente sobre o beb.
Deixara clara sua posio quando disse que ficaria um tempo vivendo aqui depois do nascimento dele e ento...
Enrolou-se num abrao, como se fosse uma bola, e lgrimas de infelicidade comearam a cair de seus olhos. No sabia como poderia deix-los ir embora quando chegasse a hora.
Uma dor aguda cruzou seu abdmen ao mesmo tempo em que sentiu-se molhada no pbis.
 Ah! Meus Deus, a minha bolsa est rompendo!  gritou.
Saiu desajeitadamente pela sala, segurando a barriga e procurando um telefone porttil. Onde  que os dois o deixaram? Correu para o quarto onde encontrou um sobre a cama. Teclou na memria o nmero de Alex, com dedos trmulos.
 Alex, venha para c, agora!
  H?
Estava dormindo ainda, que droga! 
 Se apresse, homem!  falou alto e correndo.  Voc quer que eu chame Emergncia? A voz dele ficou mais firme:
  Chegou a hora?
  Chegou!
  Voc est bem?
  Sim, estou bem e vou ter um beb!  e desligou o telefone. Livrou-se do vestido molhado e usou-o para se enxugar, vestindo outro.
Calou as sandlias e desceu aos trancos a escada percebendo que a contrao tinha parado.

Parou para raciocinar, respirando devagar e profundamente. Goldie arranhou a porta, deixou-a entrar. A cadela cheirou-lhe a mo procurando comida.
 Ah! Claro! Agora, no ?  ela resmungou. Alimentou-a, lavou as mos e pegou a maleta com tudo que precisava para usar no hospital.
Uma brecada de pneus brusca anunciou a chegada de Alex. Bateu a porta do carro e logo subiu pela varanda, enquanto ainda falava no celular,
  Sim. Estou na casa dela. Encontramo-nos no hospital em alguns minutos.  E desligou o fone.
  Quem era?  ela perguntou.
 O dr. Mujedin. Entre no carro. Como esto as contraes?  perguntou ao pegar a bolsa de sua mo e fechar a porta atrs dela.
  No sei mais, mas minha bolsa estourou e acho que est em cima da hora. No quero arriscar.
Conduziu-a ao Jaguar.
  Que droga. Diana. No chegamos a trinta e quatro semanas  sua voz estava seca e tensa.
 Eu sei.  Gestao completa seriam trinta e sete, trinta e oito semanas. O beb ainda estava muito novo para vir ao mundo.
 Anemia, ictercia, m formao dos pulmes, parada respiratria durante o sono...
 Alex, pare com isso, por favor!
  Me desculpe. Estou apavorado. Quero que nosso beb seja perfeito.  Entrou  esquerda veloz demais, bruscamente.
Nosso beb. Isso deveria soar adorvel, mas quebrou seu corao como se fosse vidro. Puxou o ar do fundo de seu ser.
 Escute. Nenhuma criana  perfeita. Nem mesmo... a sua.
Reparou nos dedos agarrados na direo, com as juntas brancas sob a tenso.
E deve ter pisado mais fundo no acelerador, pois o carro parecia correr muito, igual ao animal que lhe dera o nome.
Alex parou o carro na entrada do pronto-socorro com uma guinchada de pneus. Um atendente j o aguardava e ajudou Diana a se sentar numa cadeira de rodas, levando-a porta adentro.
Enquanto estacionava o carro fez algumas chamadas rpidas.
 Voc e os gmeos tero que celebrar a Ao de Graas juntos, pois eu no tenho idia de quanto vai durar o parto, Irina.
Ela, que devia estar com os netos pendurados no pescoo, a julgar pela gritaria do outro lado da linha, estava incrivelmente calma.
  No se preocupe, meu querido. Tudo vai dar certo, creia. Ela  uma garota bastante saudvel.
 Est muito cedo para o beb... trinta e quatro semanas  disse ao enxugar o suor da fronte com o leno mido.
  So oito meses, Alex. E ela est no melhor hospital, com mdicos dedicados e maravilhosos. Estou certa de que o beb est bem. Talvez a gente v ficar a com voc.
 No precisa.
  Claro que preciso. Estamos falando sobre meu neto. Ou neta! O que voc quer que a gente te leve?
 Bom... eu no comi nada ainda. Vamos tomar um lanche quando voc vier.
  Tchau, querido.  Desligou o telefone mais aliviado por ter falado com Irina.
Emocionou-se quando constatou o quanto gostava da famlia de sua esposa.
  Obrigado, Tami  falou para os cus enquanto chamava seus pais.
Patrcia atendeu e lhe disse que seu pai estava jogando uma partida de golfe no clube.
 Iremos para o hospital assim que ele voltar.
Podia sentir o estresse na voz aguda e trmula da me. Talvez tivesse decidido de corao assumir o neto.
 No se preocupe, me.
 Eu s no quero que voc sofra, filho.
  Tudo vai dar certo.  Alex estava dando duro para manter a compostura.  A gente se v logo.
Finalmente, conseguiu ir para a Obstetrcia e j encontrou Diana instalada num timo quarto.
 Como voc est?
 J dilatei seis centmetros. Este beb vai nascer logo!  Diana recostou-se nos travesseiros.
Sentou-se ao lado dela na cama e pegou suas mos nas dele.
 Como Jack e Miri.
  Estou falando srio. E se voc quiser estar na sala comigo, faa o favor de se lavar e colocar seu uniforme de pai!
 O que acontece com este quarto?  Deu uma olhada em volta. Contrastando com o tumulto de fora, do hospital, o quarto dela parecia to tranquilo, silencioso, decorado a carter: bales, bandeirinhas, este tipo de capricho.
Diana olhou para cima.
 Isso  como os hospitais tentam fazer voc pensar que est num lugar amigvel e feliz.  E apontou uma porta oposta a sua cama.  Voc deveria ver a sala de parto, um lugar moderno, cheirando a limpeza hospitalar, como todos deveriam ser. Falou com o doutor?
 No, queria ver voc antes. Ele j chegou?
 No. Veja se consegue ach-lo, por favor?
As pernas dela se mexiam impacientemente sob as cobertas. Ofegou com uma contrao.
  Respire, querida, respire!  Agarrou-lhe a mo.  Voc aguenta.
  Eu sei  falou quase assoprando.  J passei por essa.
 Ei! Olhe este monitor.  Ele apontou para um painel escuro com uma linha verde-limo pulsando e mexendo-se no centro dele. Enquanto observava, a linha ficou reta. Estvel, pensou.
Diana pareceu relaxar.
  Deve ser a isso que est grudado na minha barriga. Est seguindo as contraes. Quando elevar-se de novo, me avise.
Virou a tela para ver melhor.
 Eu vou atrs do dr. Mujedin agora. Alex encontrou-o em seguida, no corredor.
 Ela est impaciente e cansada, doutor. O mdico franziu a sobrancelha morena.
 Espero que no esteja cansada demais. Talvez seja um longo dia para ela.
 Ela acha que o beb vai sair rapidamente.
 Pode ser.  O mdico dirigiu-se para o quarto de Diana. Alex atrs.
Bateu na porta ao mesmo tempo em que ela gritou. Mujedin ignorou, como um profissional experiente, as reclamaes da paciente.
 Como estamos, Diana?  alcanou uma ficha no p da cama.  Bem... seis centmetros s nove horas. Talvez devssemos checar de novo. Com licena, sr. Chandler.
Alex j ia saindo para o mdico examin-la quando o dr. Mujedin falou:
 Sr. Chandler, se quer ver o beb nascer, v a recepo e pea  enfermeira para ajud-lo a preparar-se.
Alex agarrou no avental branco do mdico.
 Est na hora?
O mdico olhou-o nos olhos e sorriu.
 Sim, est. Ela est bem e o beb est pronto para juntar-se a ns.
Alex fez o que devia. Aps lavar-se e vestir o avental cirrgico esterilizado, foi levado  sala de parto. Um monte de enfermeiros, vestidos e com mscaras circulavam pela sala. No centro de tudo, Diana. Coberta por um lenol, estava deitada com as pernas abertas, j na posio para o parto. Parecia mais calma, sorrindo quando o viu.
 Alex!  E procurou sua mo enluvada.
 Voc est bem?  perguntou apertando carinhosamente sua mo.
 Maravilhosa, agora que o beb j est procurando seu caminho para fora.
Ele levantou as sobrancelhas, ele estava vindo! Afastou as mexas de cabelo da testa dela, quente, o suor escorrendo.
Ela arquejou, o corpo tenso com o esforo.
Imagens comearam a surgir em sua mente, enquanto ela fazia fora para ajudar.
Diana, bela e forte, cavando um buraco no jardim. Diana gentil e carinhosa, limpando lgrimas de criana. No casamento de Blanche, linda, mesmo com a lembrana de Steve rasgando seu corao.
Diana, entregando-se de corao a todos que encontrava. Nunca amara ningum mais do que a amava neste momento. Tentava respirar, mas tambm se sentia arquejando, o corao se retorcendo em seu peito.
No aguentaria se a perdesse, Tinha que encontrar uma maneira de torn-la sua! Tornara-se parte do seu viver, to imprescindvel como ar.
Ele a amava. Oh, Deus! Por que levara tanto tempo para compreender seus sentimentos?
No podia perd-la agora, nenhum sacrifcio era grande o suficiente. Mas o que poderia fazer? Comeou a falar:
 Diana, eu te...
Mujedin entrou, em luvas e com mscara. Uma pessoa tambm preparada estava a seu lado.
 Este  o dr, Zeto, que estar trabalhando conosco no parto.
 Srta. Randolph, Sr. Chandler, no h nada a temer. Neste estgio, os prematuros j tm noventa e cinco por cento de chance de sobreviver. A probabilidade  de que seu filho ou filha venha muito bem a este mundo.
 Quase tudo depende dos prximos minutos  O dr. Mujedin disse, olhando para a parturiente.  Diana, vamos trazer o beb para voc, agora.
Os mdicos reuniram-se em volta dela e Mujedin observava circunspecto o monitor, muito parecido com o que Alex vira no quarto. Enquanto olhava, notou que a linha que j estivera esticada, quase imvel agora dava picos para cima, aos poucos.
 Agora, Diana, empurre!
Ela respirou profundamente, inspirando com fora em seguida. Alex podia ver pela expresso concentrada, que ela sabia que este era o momento.
  Isso, querida, respire!  Colocou sua no na fronte dela  Respire!
 Ele est se encaixando  Mujedin avisou.
 Aguente-se, querida, voc est indo bem.  Alex correu para os ps da mesa de parto. Dr. Mujedin levou as mos ao meio das pernas dela.
 Pacincia, Diana. Eu vou dar um pequeno corte...
Alex virou seu rosto para o lado. Manchas negras flutuavam ante seus olhos. Puxou o ar para dentro dos pulmes, ofegante.
  Agora empurre mais uma vez.  E inclinou-se para o meio das pernas de Diana, de novo.  Isso, venha, pequenino.
Alex estava atnito.
 O que... o que o senhor est fazendo, doutor?
  Girando um pouco o seu filho. Os ombros esto meio entalados.
 E isso  tudo?  Seu filho estava num paraso da tecnologia hospitalar, mas tudo o que o mdico estava fazendo no era mais elaborado do que colocar seus dedos na vulva dela para ajudar o beb a sair!
  O meu beb! Este  o meu beb!  Diana gritou tentando pegar aquela criaturinha.
Mujedin olhou para Alex. Acima da mscara, os escuros olhos solenes do cirurgio pareciam passados.
  Voc  pai de uma linda menina, sr. Chandler.  E ternamente colocou o beb sobre a barriga da me.
Alex estava petrificado, olhando fascinado e mais do que simplesmente feliz. Nada do que lera ou aprendera tinham-no preparado para este momento.
Era to pequenina, to frgil ainda, e ao mesmo tempo adorvel, sua fadinha enroladinha sobre o ventre de Diana.
Tocou um de seus pezinhos com os dedos cheios de curiosidade, e uma imensa vontade de beijar a tenra planta daqueles ps, e sentir o perfume de cada dedinho.
 Oh, meu Deus, Alex...  Diana tocou o alto da pequenina cabea de sua filha, hesitante e cuidadosa. Ainda estava tremendo com o esforo.  Ela ...  perfeita!
 E voc tambm.  E beijou seus olhos.  Voc  maravilhosa, querida, e eu amo voc demais.
Fazendo um esforo, passou um brao pelo pescoo dele.
 Eu te amo tambm, meu querido, muito.
 Sr. Chandler, gostaria de cortar o cordo?  O dr. Zeto estendia uma tesoura para Alex.
Todo o ar saiu do pulmo dele. Alcanou a tesoura, a mo tremendo.
 Aqui neste ponto, senhor.  Mujedin apontava no cordo. Tonto, Alex encostou-se na mesa procurando apoio. Deus, ser que ia desmaiar? Mordeu os lbios, afastando as manchas negras que voltaram a embaar sua viso. No falharia numa hora destas, no importava como se sentisse, iria cortar.
 Muito bem.  O mdico pegou a tesoura.  Agora vamos esconder isso antes que o senhor se machuque. Gostaria de se sentar um pouco?  O mdico estava se divertindo, vendo o pai da criana plido, como num desenho animado.
Alex sentou-se enquanto uma enfermeira e o dr. Zato examinavam a beb e a enrolavam em uma toalha para lev-la  incubadora.
O dr. Mujedin inclinou-se sobre Diana para convenc-la a fazer mais fora e eliminar o resto da placenta, antes de dar os pontos.
Ao ouvir o doutor, ele gemeu e colocou a cabea entre os joelhos, contente por no ter comido nada.
Finalmente, pronta para relaxar, Diana observava Alex. No evitou uma careta ao v-lo. Estava prestes a botar o jantar da vspera para fora!
Mas no a deixara. Como um meteoro atravessando iluminado o cu, perceber que ele tinha permanecido a seu lado fez com que ela se sentisse realizada. Ele no a deixara, embora quase tivesse desmaiado com o estresse todo.
Alex nunca a deixaria.
Tinha que contar aquilo, de uma vez por todas. Ela sabia que tinha que falar.
 Alex, eu...
O dr. Zato interrompeu-os:
  Muito bem. Ela pesa dois quilos e setecentos e vinte gramas e tem quarenta e sete centmetros de comprimento. Presso sangunea, pulso e respirao dentro dos limites normais.
Alex levantou-se, com dificuldade e foi para o lado de Diana. As enfermeiras estavam trocando sua roupa. O atendente cobriu-a com um lenol limpo, estendendo-o acima do peito.
Beijou a ma do rosto corada.
  Eu amo voc, querida.
 Eu tambm.  Diana segurou a face dele entre as duas mos ao falar:  Alex, muito obrigada mesmo! Eu no perderia isso por nada no mundo.  Estava chorando e feliz, lgrimas de alegria rolando por sobre as pequenas sardas.
Beijando-a, ele enxugou lgrima por lgrima, seus olhos tambm marejados. Estranhamente, isso fez Diana chorar convulsivamente.
  Querida, pare um pouco. Voc vai se machucar.
  Eu... eu no posso... no posso evitar. Amo tanto voc e o beb que... que eu...
Deu uma engasgada e colocou sua cabea no ombro dele.
  Eu sei. Eu sei.  Abraou-a bem forte e, ento, liberou-a, beijando todo seu rosto, sem parar. No queria parar de beij-la.
O mdico, que estava ali parado, limpou a garganta.
 Me desculpem... mas queramos levar a mame e beb para o quarto.
Alex moveu-se para o lado permitindo que colocasse a menina no colo da me. Abaixou o lenol, depois levou a boca do beb at seus seios. Depois de alguns hesitantes segundos, quando a criana no sabia o que fazer, sua delicada, pequenina boca se abriu, encaixando-se para sugar o bico do seio.
Com a calma estampada nos olhos distantes, Diana posicionou melhor o beb nos braos, recostando-se nos travesseiros. Uma me nata, Alex percebera.
Apostava que Tmara a escolhera por isso: Diana tinha um talento natural para ser me.
Seu corao estava mergulhado em tantas sensaes novas e intensas, que pensou iria estourar.
 Ento... o que voc acha de darmos o nome de Tmara a ela?  Alex perguntou.
A enfermeira e o atendente estavam ocupados arrumando a cama em que Diana ficaria. Feita a mudana, o atendente comeou a empurrar a cama para fora da sala.
Alex ia ao lado dela, enquanto deslizavam a cama pelo corredor.
Ela piscou e pareceu entrar novamente na realidade, mas no o olhou nos olhos.
 Alex, este no  o meu beb, lembra-se?  Deu-se um tempo e continuou, sussurrando:  Voc... voc no precisa minha permisso para fazer nada. No sou a me dela  pronunciou as palavras como se estivesse esfaqueando seu prprio corao.
 Querida...  tentou colocar mais confiana em sua voz.  O que eu disse na sala do parto  a verdade. Eu amo voc. E voc  a me deste beb.  tudo que ela vai precisar. Querida, voc se casaria comigo? Por favor?
Ele deu um suspiro, seu peito estava apertado.
Olhou-o no fundo dos olhos, com expresso indagadora.
 Mas, mas... e a respeito de Tmara?
Alex esperou que o enfermeiro sasse do quarto. Diana entregou-lhe a pequena Tami nas mos e procurou uma boa posio na cama.
Pegando aquela coisa to pequenina nos braos, um pacotinho de gente, ficou surpreso. Surpreso porque era muito leve, como um pequeno vaso de violetas.
Cativado, fitou a pequena face vermelha, cheia de dobrinhas.
Os olhos eram azuis escuros, de um tom que nunca vira, com um chumao de cabelinhos dourados no alto da cabea.
 Ela  deslumbrante!  murmurou o pai coruja. Fazendo beio, ela abriu a pequena boca, mostrando a gengiva sem dentes. Comeou a chorar, como se engasgasse.
 Ela ainda est com fome, eu aposto. Diana se encostou nos travesseiros fofos com um suspiro de bem-estar. Pegou Tmara.
Ele a aninhou com muito cuidado nos braos da me. Tami agitava os bracinhos e mozinhas, procurando pelo bico da me. Diana guiou-a para o outro seio. Ela aquietou-se quando encontrou sua refeio.
 Eu no quero parecer impaciente, mas voc vai dizer sim ou no?
 Alex.  Diana ainda estava com a respirao alterada pelo parto.  Temos algumas coisas para conversar. Voc era o marido de minha irm. No posso deixar de pensar que estou traindo Tmara de alguma forma.
O corao dele quase parou de bater. Se ela realmente achava isso, no haveria esperana. Mas ele no acreditou nela. Ela tinha acabado de dizer que o amava! Quase fizeram amor, mais de uma vez!
  Sempre amarei e honrarei a memria de sua irm, Diana. E amar voc no diminui em nada meu amor por ela. Ainda penso demais nela, principalmente quando estou com voc.
Ela pareceu surpresa.
 A maioria das pessoas acha que no tnhamos nada a ver uma com a outra.
  Esto errados.  Acariciou sua face.  O seu senso de humor e a sua honestidade so como a dela. Mas isso no me deixa triste. Por sua causa, eu posso me lembrar dela com alegria. Tenho que seguir em frente, Di, e ela queria que eu seguisse em frente. E alm disso, Diana, amo voc mais do que poderia sonhar em amar algum um dia  falou, apertando a mo livre sobre a cama.
 Tem certeza que no quer casar comigo por causa do beb?  disse arregalando os olhos, sria.
 Absolutamente, no!  Alex sentou-se na cama.  Ou, como voc colocaria, Claro, tenho certeza!  Seu sorriso no conseguiu faz-la sorrir.
 De verdade, Alex. Eu tenho que saber! Tomou a mo dela entre as suas.
 Diana, eu nunca faria isso. Voc  minha vida e o meu corao e tudo que me faz feliz e vivo! Eu quero voc, porque amo voc, porque voc completa a minha vida da maneira que preciso e quero.
  Mas, sabe, sr. Chandler, esse foi um dia de muitas emoes. Eu no posso ser a esposa que Tmara era para voc, no sou como ela, de verdade.
 Voc  como...voc! Eu amo voc. Amo de verdade. Voc no acredita?
Olhou para o rosto dele, olhos brilhantes, midos.
  Eu gostaria de acreditar. Amo tanto que no posso viver sem voc. Mas aprendi da maneira mais difcil que s amor no  suficiente.
 Steve acabou com voc, no foi?
 , acabou. Achei que estava apaixonada e ele por mim e que duraria para sempre.  Um ar sombrio tomou conta dela.  Depois que o perdi, no pude mais confiar em meus julgamentos.
Ele apertou mais a mo dela, ao dizer:
  Ento, confie no meu: somos mais que perfeitos um para o outro.
 Como voc pode estar to certo?
Alex hesitou antes de tirar o bloco com a lista do bolso. Sentou-se ao lado da cama e foi at a pagina dos prs e contras, mostrando para Diana a distncia.
 Ah! Eu no acredito, Alex! Voc fez uma lista?  Inclinou a cabea para trs e riu com gosto. Ria tanto que lgrimas comearam a rolar de seu rosto. A pequena Tami olhou para ela, gorgolejou e continuou a mamar. Ela exugou os olhos com um leno de papel.  Alex, doce, compulsivo e neurtico! O que fao com voc?
 Case-se comigo.  Sacudiu o bloco no ar.  Aqui est a razo.  E segurou a pgina aberta, para que pudesse ler sem soltar a beb.
Os olhos de Diana se arregalaram.
 Deusa do sexo? Razoavelmente atraente? Eu sou uma deusa do sexo razoavelmente atraente?  comeou a rir mais um pouco.  Alex, Alex, eu te amo tanto. Uma boa me. Lembre-se disso quando comearmos uma discusso a respeito das crianas.
 Ento voc aceita?  deixou o bloco cair ao lado dela, que j estava com os olhos inundados.
  Oh, Sim! Sim, Alex, eu aceito! Sim, Sim.  Tentou alcan-lo com a mo livre, enlaando seus dedos nos dele.
Ele beijou as mo dela sentindo-se humilde e orgulhoso ao mesmo tempo. Embora bebs nascessem todos os dias, poucos homens e mulheres conseguiam o milagre do amor realizado.
 Sou um homem de sorte!  falou, alto e claro.  Amei e fui amado por duas mulheres extraordinrias.
Diana corou.
 Obrigada, Alex. Sou muito grata a voc. Nunca pensei que isto pudesse me acontecer.
Alex sentou-se a seu lado e ficaram os dois, muito prximos vendo seu beb alimentar-se.
A ponte que fora destruda em seu corao quando Tmara morrera havia sido reconstruda, deixando-o completo e reestruturado. Miraculosamente, a doena e a morte dela no haviam deixado cicatrizes.
Ficou imaginando por que e, ento, percebeu que amar Diana e o gmeos ajudara-o a preencher o tremendo vazio em sua vida. Agora podia lembrar-se da esposa com alegria e no com mgoa ou revolta.
Irina veio-lhe  mente.
 Venho me lembrando todo dia do que Irina falou sobre Tami, no casamento de Greg...
 O qu?
 Ela disse que achava que Tmara tinha nos manipulado para essa situao, que tinha a sensao de que ela tinha planejado tudo...
 Acho que mame est certa.  Diana estava radiante, e sorriu.  Obrigada, Tami!  disse olhando para cima, e voltando seus olhos para ele, disse:
 Est bem, vamos dar o nome de Tmara para o beb. Ela teria gostado. Agora, vamos checar o resto da sua lista. O que h na coluna dos "contras"?
Ele tirou o bloco das mos dela e colocou-o no bolso.
 Voc no precisa mais ler isso agora. Nem nunca.
 Se eu no estivesse presa nesta cama, eu arrancava o bloco de voc.  E franziu os olhos verdes para ele.
Ele arrancou a pgina e rasgou-a em mil pedaos jogando tudo pela janela.
 Foi embora junto com qualquer dvida. Acercou-se de seu rosto, beijou-a e falou com sua boca bem perto do ouvido:
 Te amo mais e mais a cada dia.
O beb parou de sugar, ento Diana chamou a enfermeira para levar Tmara para o berrio.
Encostou-se e acomodou-se em meio aos travesseiros com um senso de contentamento, de dever cumprido que nunca se achou capaz de sentir.
Amou Steve com a impetuosidade dos jovens, do jeito que uma garota impetuosa procura a emoo pelo desconhecido.
Nunca antes havia compreendido a devoo que o verdadeiro amor trazia.
Alex lhe mostrara o significado do amor.
Agora encontrara o amor maduro, o amor de sua vida, o homem que estaria a seu lado para sempre.




  EPLOGO


Abril, um ano aps o dia do nascimento

Quando todos os convidados do casamento partiram e as crianas foram para a cama, Alex pegou a mo de sua esposa e levou-a para o quarto, para iniciar a lua-de-mel. Durante meses sonhara com aquele momento.
Ele e sua filha Tami estavam na casa de Diana desde o dia do parto, mas Alex no queria que os gmeos os vissem ter intimidade antes do casamento. Diana concordava com ele, ento decidira dormir com o beb no quarto de hspedes.
Agora estavam se mudando definitivamente para o quarto do casal, como marido e mulher.
 Alguma coisa dentro de mim gostaria que todos tivessem o que eu consegui  disse ele para Diana, enquanto tirava os sapatos e o blazer.
 Voc tem um corao muito bom, mas o nosso amor  de uma espcie muito, muito rara.
Uma sombra encobriu o brilho nos olhos de Diana. Alex imaginou que estivesse pensando em Steve.
 No pense, no esta noite  ele pediu, abrindo-lhe o zper do vestido.
O belo sorriso dela reacendeu.
 Sim, meu amor!
Diana deixou o vestido deslizar at o cho, ao mesmo tempo que se livrava dos sapatos. Usava apenas uma calcinha branca de cetim, suti e meias de seda. Caminhou at o closet com um balano sedutor dos quadris. Virando a cabea para Alex, piscou para ele.
 Prometo!  Ela retirou um mao de folhas da gaveta da escrivaninha.  Por falar nisso, o que acontece com este contrato?
Com um sorriso malicioso, sacudiu-o na frente dos seios, tentadoramente emoldurados pelas rendas da lingerie sensual. Alex olhou para os papis na mo dela e corou.
 Oh... isso. Diana sorriu.
 Sim, isso.  Abrindo uma pgina ao acaso, comeou a ler, em tom jocoso:  A citada parte concorda em abrir mo de todos os direitos maternais sobre a criana acima mencionada.
Alex tentou tirar o contrato da mo dela, mas ela conseguiu esquivar-se. Rindo, comeou a danar em volta da cama.
  O contato entre a criana e a segunda parte, a me substituta, deve se restringir a atividades aprovadas pela primeira parte, pai e proprietrio do embrio!
 Me d isso, Diana!
Alex queria rasgar aquele contrato em mil pedacinhos. Como pudera ser to idiota?, recriminou-se.
  A primeira parte ter controle... Controle, Alex...  Ela riu.
 Psiu! Voc vai acordar as crianas!  Atirando-se sobre a cama, ele arrancou o contrato das mos de Diana e rasgou-o ao meio. Depois jogou as folhas para cima.
  Droga  ela resmungou.  Achei que poderia atormentar voc com isto para sempre! Eu devia fazer voc comer estas folhas, Alexander Chandler.
  Claro. Voc poderia  concordou ele, encabulado.
  Mas sou uma mulher educada, gentil... e que sabe perdoar.
 Meu amor, claro que voc !  Alex alcanou-a e segurou seu rosto entre as mos.
 E eu te amo!  exclamou Diana, beijando-o com paixo. Com o corao transbordando de felicidade, ele beijou-a tambm.
  Eu te amo da mesma maneira! Sou teu, amor. Cada segundo de cada dia...  Delicadamente, ele introduziu os dedos sob a renda do suti.
Uma rudo soou na bab eletrnica, atraindo a ateno de ambos. Em seguida, uma voz de criana se elevou da pequena caixa acstica.
 Fique quietinha, Miri!
 Eu estou...  Houve outro rudo e uma interferncia.  Ela no  uma graa?  A voz de Mriam subiu um tom.
Alex e Diana entreolharam-se. Os gmeos estavam admirando a irmzinha, competindo entre si pela ateno do beb.
   melhor irmos at l antes que eles a acordem  disse Diana, vestindo o robe e saindo do quarto.
Alex seguiu-a ao longo do corredor. Quando se aproximaram da porta do quarto, a voz de Jack se tornou audvel:
 Voc acha que ela vai sentir falta do ursinho marinheiro?
 Ei, vocs dois  Alex sussurrou, cuidadoso.  O que os dois esto aprontando?
As duas figuras na meia luz do quarto riram baixinho, parados e olhando Alex com uma cara de inocentes que mais parecia gozao.
 Ns estava dando uma olhada na Tami  disse o menino, os olhos arregalados e sem malcia.
 Estvamos  Alex corrigiu.
 Estvamos o qu?  Mriam perguntou.
 Vocs dois estavam dando uma olhada em Tami. 
Sim!  responderam em coro.
Tami piscou, bocejou e esticou-se pedindo pelo pai.
  Voc acordou o beb, Jack!  Miriam olhava para o irmo.
Alex pegou a filha e colocou-a no colo, cheirando o delicioso perfume de limpeza, colnia e talco.
  Vem com o papai, minha doura.  No se cansava de embalar Tami nos braos, preciosa. Amava-a mais do que tudo em sua vida.
Tami colocou a mozinha dentro da camisa aberta do pai.
 Acho que ela quer voc, querida.  Alex, rindo, beijou a bochechinha da filha entregando-a para Diana.
Diana sentou-se na cadeira de balano, abriu discretamente o robe, abaixando a lingerie para poder amamentar sua filha.
 Eu no entendo, tio Alex. Voc casou com a mame. Voc  pai da minha irm. Como voc no  meu pai, ento?
Assombrado, Alex olhou para Diana, que capturou seu olhar. Haviam esperado meses para que os gmeos fizessem essa pergunta, discutindo a questo no mnimo mil vezes.
Apesar de muitas explicaes sobre mes-substitutas e embries e implantes... os gmeos acreditavam que o beb era de Diana... e num certo sentido, estavam certos.
Tami tinha duas mes, uma biolgica e ausente, uma presente e muito viva.
Diana suspirou e trocou o beb de lado, dando-lhe o outro seio.
  Ele pode ser seu papai de verdade se vocs dois quiserem que ele seja.
Qualquer outra pessoa escutaria apenas um tom casual na voz dela. Mas ela e Alex haviam se tornado muito prximos e ele podia sentir uma certa ansiedade permeando suas palavras.
  E o outro pai, aquele na Rbia Miri perguntou. Steve enviava ocasionalmente cheques ou brinquedos e presentes. Sabiam da existncia do pai mas nunca o haviam visto. Estava agora vivendo em Riyadh, desfrutando da vida luxuosa dos executivos do petrleo no Oriente Mdio.
Quando Alex e Diana telefonaram para conversar com ele sobre a possibilidade de Alex adotar os gmeos, Steve fora indiferente, mas no se opusera.
 Est tudo certo com o outro pai  Diana confirmou. Alex contemplou Jack e Miriam se entreolhando, um momento especial da comunicao que dividiam.
 Oba!  gritaram em coro.
A tenso saiu do corpo dele, deixando seus msculos relaxados e leves.
 Obrigado, crianas  conseguiu dizer. Miriam agarrou sua mo.
 Isso quer dizer que agora temos que chamar voc de papai, tio Alex?  E balanava as mos juntas como uma corda de pular.
  Ou a gente vai ter que ir para o tribunal, como na televiso?  Jack logo emendou, encostando seu pequeno corpo contra Alex, como se quisesse um abrao.
Alex abraou-o, seu corao num estado em que no tinha palavras para dizer.
 No se importe com a papelada, Jack. Voc pode cham-lo de papai a hora que quiser.  Diana trocou Tami para o outro seio.
  P-paii! P-paiii!  Miri cantarolava em voltas pelo quarto.


Mais tarde, em seu quarto, deitada, Diana via que sua alma estava completa, com tamanha alegria e realizao que jamais sonhara para si.
Ele estava a seu lado e era dela.
Alex, seu amante e esposo, o pai de seus filhos, agora e sempre.
Ele massageou a sola de seus ps gerando arrepios de prazer em todo o corpo.
 Abenoado seja, meu querido!
Fechou os olhos, imersa em uma felicidade infinita.
Quem era a mulher mais feliz do mundo? Alex ainda massageava seus ps, recomeando pelos dedinhos.
 Ento, o pequeno porquinho foi ao mercado...  subindo pela sola de seus ps e a barriga da perna e...
No se conteve e deu uma saborosa gargalhada. Tinha uma boa idia de onde e voltou para casa, feliz ia dar,
 Este porquinho ficou em casa  e puxou o segundo dedinho, fazendo-a dar um grito.
 Este porquinho almoou rosbife  Alex se aproximou mais apertando seu dedinho do meio.
Ela suspirava de deleite.
 Este porquinho no comeu nada. E este outro porquinho...  Alex olhou-a, seus olhos travessos deleitando-se com a brincadeira.  Vo-vo-voltou para casa feliz!  E foi subindo os dedos dos ps at os quadris de Diana.
O desejo, intenso, quente, caa como uma cascata atravs de cada clula de seu corpo, enquanto o toque experiente de Alex incendiava sua paixo.
 Sou uma mulher de sorte.
 E eu sou um homem de sorte. Olharam para o alto e em coro, disseram:
 Obrigado, Tami!
E deram muitas risadas de felicidade.




                            ***  F I M ***
